08 de julho de 2026
Geral

Natan deixa a vice-presidência do PSDB

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 6 min

A decisão parece ter pego todos de surpresa. Ele garante que não houve pressão e que continua sendo militante do partido

O vice-presidente do PSDB em Bauru, Natan Chaves Jr., renunciou ao cargo, ontem, durante a reunião mensal do partido. A decisão, que parece ter pego todos de surpresa, foi anunciada cerca de 40 minutos após o início das discussões, em que foram citadas e criticadas suas visitas recentes do prefeito Nilson Costa e alguns secretários municipais. No momento do anúncio, discutia-se qual posição o partido tomaria com relação à administração reeleita - se de apoio ou oposição (leia mais no boxe).

"Quem fez as visitas foi a pessoa Natan Chaves, não o representante do partido. Fui pedir, em nome dos 4 mil eleitores que votaram em mim e que cobram a minha participação, que fizessem uma boa administração (...) Quero deixar claro que esta é uma decisão estritamente pessoal; que não fui pressionado e que isto não é uma estratégia. Continuo militando e filiado ao partido em Bauru, mas minha consciência não é vendida", disse.

Natan explicou que renuncia para mostrar aos políticos mais jovens que não é o cargo ou a função dentro do partido que determina suas palavras ou atitudes, mas sim as bandeiras de luta, integridade e ética que ele defende, em concordância com o partido.

Num desabafo, ele comentou que a petulância gerada pelo poder ilude facilmente as pessoas. "Hoje eu estou no poder (cargo), amanhã não. Não podemos pisar em ninguém quando estamos lá em cima, porque amanhã estaremos lá embaixo de novo. Não é o cargo que vai dizer como eu penso, o que faço. Vim dizer isso aqui (...) Renuncio para que quem pensa que tem poder veja que não tem (...) Nós deixamos de ir para a rua; é lá que está o nosso voto. Se for eleito, quero que seja pelas minhas ações e palavras. É esse o poder que eu quero e um dia hei de ter - o do voto."

Surpresa

O presidente local do PSDB, Rubens Spíndola, mostrou-se surpreso com a renúncia e disse lamentar a decisão de Natan Chaves. Na opinião dele, os conflitos alimentados pela outra facção do partido (Élio Busch e Carlos Ladeira - leia mais no boxe) têm por objetivo antecipar a renovação da diretoria executiva do partido, prevista para outubro. "O Natan foi muito leal. (...) Mas eu quero ser o último a fechar a porta. Eles vão ter que me destituir do cargo", disse. Ele afirma ter esperança de que a renúncia traga paz ao partido: "Do contrário terá sido em vão".

Ele afirma que a diretoria deve reunir-se em breve para avaliar e readequar sua estrutura e diz que ainda não há um nome para substituir Chaves.

Reunião foi esvaziada, diz Spíndola

A reunião do PSDB parece ter sido esvaziada pelos membros da outra facção do partido. Cerca de 40 pessoas estiveram presentes e não houve conflitos, como era previsto. "Para não aparecer ninguém da outra ala, acredito que eles tenham recebido um telefonema. Mas, democracia é assim mesmo", afirma o presidente do partido, Rubens Spíndola. Para ele, a ausência de seus opositores denota a intenção de enfraquecer o partido, mostrando um diretório fraco e pouco participativo.

"Mas, isso é democracia. Os 40 que estão aqui vierem por vontade própria, não fomos buscá-los de casa em casa. São pessoas que querem levar o partido para frente, temos espírito de trabalhar para o bem. Nunca vi a perversidade vencer. Aquele que usa de meios não condizentes acaba sucumbindo e nós não vamos sucumbir jamais. Apostamos naqueles que vestem a camisa do partido do lado direito, não nos que a vestem do lado avesso."

A pauta da reunião de ontem pretendia discutir quatro itens específicos: estratégias para conquistar novas filiações, meios de equilibrar a situação financeira do partido, avaliar a situação partidária atual e a participação da legenda local no encontro estadual que será realizado no próximo sábado, dia 17.

O ponto alto das discussões foi a posição que o partido deveria tomar com relação à administração Nilson Costa, que gerou certa polêmica. Falou-se da necessidade de aproveitar a influência do partido junto aos Governos Estadual e Federal para trazer benefícios para Bauru. Ao mesmo tempo, cobrou-se uma posição fiscalizadora do partido junto à administração municipal. "Quem ganhou administra; quem perdeu fiscaliza, dando um apoio crítico, cobrando na hora certa. Temos que ter desprendimento para fazer o melhor pelo município", sugeriu Spíndola.

Outros partidários lembraram que é preciso uma atuação mais intensa do partido hoje visando às eleições de 2002, quando serão escolhidos deputados, senadores, governadores e presidente. Sugeriu-se que o partido traga para a cidade programas existentes no âmbito estadual e que sejam extintas as picuinhas. "Nossa obrigação é tentar ajudar. Temos filhos e netos aqui. Uma oposição sistemática é perigosa, porque com que cara vamos pedir voto depois para quem está desabrigado hoje? Devemos fazer a fiscalização, mas não podemos omitir, se temos um bom contato com as esferas estadual e federal. Perdemos e a cidade que se destrua? Precisamos fazer críticas construtivas", defendeu um tucano. Logo em seguida, Natan Chaves anunciou sua renúncia.

Quanto à situação financeira do PSDB, a discussão girou em torno de cerca de sete membros do partido, filiados, que ocupam cargos de confiança e estão atrasados com suas contribuições. A assembléia decidiu encaminhar a cada um deles uma notificação solicitando que regularizem a situação. Se isso não for providenciado em até 30 dias, um ofício será remetido aos secretários que os indicaram ao cargo, solicitando que o valor (3% do salário bruto, conforme estatuto do PSDB) seja descontado em folha de pagamento e repassado ao partido.

Não é justo que eles tenham direitos e não cumpram com seus deveres. E isto está previsto no estatuto. Eles têm voz igual aos demais filiados e devem contribuir. Afinal, estão nestes cargos graças à nomeação feita por um tucano. Sem esta indicação, não teriam o salário que têm hoje, comentou Spíndola.

Sem comentários

A reportagem do JC procurou o coordenador regional e membro do diretório estadual do PSDB, Élio Busch, para saber sua opinião a respeito da renúncia de Natan Chaves. Busch respondeu que só fará comentários depois de tomar conhecimento oficial da renúncia e ter tudo documentado.

Ele disse que não ter participado da reunião de ontem por não ter recebido qualquer comunicação. "E a preocupação nossa hoje é com o encontro do próximo sábado, o 7.º Encontro Regional, que deverá contar com a presença de ministros, deputados, do governador Mário Covas, do presidente Fernando Henrique. O encontro deve marcar o início da oxigenação do partido no Estado todo. "Vamos aguardar a decisão de São Paulo".