07 de julho de 2026
Geral

Diretório do PSDB é dissolvido

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Rubens Spíndola não preside mais o partido; uma comissão provisória tucana vai ser formada nos próximos dias

O vice-presidente da executiva estadual do PSDB, deputado Duarte Nogueira, anunciou ontem que o diretório do partido em Bauru está dissolvido. A decisão foi tomada em reunião da instância estadual realizada anteontem, em São Paulo. Segundo ele, membros do diretório municipal encaminharam à executiva estadual documento com mais de 50% de assinaturas de seus integrantes pedindo a dissolução, conforme determina o estatuto tucano.

Com isso, sete meses antes da convenção municipal, chega ao fim a era Rubens Spíndola, que presidia o partido desde outubro de 1999. Natan Chaves renunciou ao cargo de vice-presidente na reunião do diretório municipal, realizada no último sábado. O próximo passo agora é a formação da comissão provisória que comandará o partido até a convenção municipal de outubro.

O vice-presidente estadual do partido deixou claro que a dissolvição do diretório municipal do PSDB não foi uma medida tomada por sua instância. Ou seja, a decisão partiu da base da legenda. O diretório foi dissolvido por iniciativa de seus próprios membros. Com essa dissolução, o partido, em instância local, dará total transparência e abertura para uma reformulação, incorporação de novas lideranças e quadros. Com isso, o partido se fortalece. É uma dissolução consensual, estratégica para seu crescimento.

Duarte Nogueira explicou que a executiva estadual do partido se reuniu anteontem, quando foi informada da solicitação do diretório municipal de Bauru. Decidimos, em comum acordo, acolher o pedido. Segundo ele, como a dissolvição ocorreu por pedido da própria instância local, automaticamente o partido passa a ser constituído por uma comissão provisória. Os nomes das pessoas que vão compor essa comissão serão enviados ao diretório estadual, o que ainda não ocorreu.

Busch x Spíndola

O PSDB de Bauru começou a se desarticular com a desfiliação do ex-deputado federal Tuga Angerami, cuja saída se deu em julho de 1999. A partir daí se iniciou uma disputa pelo comando do partido. Três correntes disputaram o comando do partido, com objetivos diferentes já visando as eleições municipais.

De um lado, o então presidente recém-eleito da legenda, Rubens Spíndola, que defendia, de maneira radical, o lançamento de uma candidatura própria ao Palácio das Cerejeiras. De outro, o coordenador regional da legenda, Élio Busch, que lutou, até o último instante, para que os tucanos optassem pelo apoio à candidatura de Tuga Angerami, que disputou a Prefeitura pelo PSB.

Correndo entre o embate de Spíndola e Busch estava Carlos Ladeira, ex-presidente do partido, que defendeu, e conseguiu, uma aliança do PSDB com o então candidato a prefeito, o deputado estadual Pedro Tobias (PDT). A aliança saiu derrotada da eleição municipal. Desde outubro passado, membros do partido, cada um com sua posições, disputavam mais um round pelo controle da legenda.

Os protagonistas e os personagens são os mesmos. Visando as eleições do ano que vem, Busch briga para trazer Tuga de volta ao PSDB, junto com o deputado estadual Carlos Braga (PPB). Seu objetivo encontrou resistência por parte de Spíndola, que continuou a defender a tese de que o partido não precisa mais de ex-correlegionários de porte.

Ladeira, que era arquiinimigo de Busch na época das eleições municipais, aliou-se a ele para articular a dissolvição do diretório municipal. Seu objetivo, no entanto, difere do de Busch. Ele continua defendendo o retorno de um ex-tucano, o deputado estadual Pedro Tobias, hoje no PDT.

No momento, os dois conseguiram o que queriam: tirar Spíndola de seus caminhos. Resta saber agora se o PSDB terá espaço e sobreviverá para comportar as correntes políticas externas que estão sendo disputadas: de um lado Tuga Angerami e Carlos Braga, de outro Pedro Tobias e seu grupo político.

Reação de Spíndola

Recém-chegado de uma viagem a Brasília, Rubens Spíndola informou ontem que não foi notificado da decisão da executiva estadual do PSDB, que acatou solicitação de dissolvição do diretório municipal do partido. Não recebi correspondência nenhuma. Mas Justiça existe para corrigir equívocos.

O tucano acredita que um grupo de integrantes do PSDB, tanto da instância municipal como da estadual, estão brincando de fazer demagogia e democracia. Para destituir o diretório municipal tem que haver uma acusação e prazo para defesa, ainda que isso ocorra com o aval de 90% de seus integrantes.

Spíndola avaliou que o objetivo das articulações não é dissolver o diretório municipal, mas sim afastar seu presidente. Em Brasília, ele informou que esteve com o deputado federal Xico Graziano (PSDB), que tinha conhecimento das movimentações em Bauru.

O tucano comentou que está chateado com o vereador Antonio Garmes (PSDB), que segundo ele teria assinado o documento que viabilizou a dissolvição do diretório municipal. Infelizmente tenho que dizer que o Garmes optou por ficar do lado do pessoal que defende o nepotismo. Lamento muito. Liguei para ele e não houve o retorno. Somei com ele combatendo o nepotismo. Mas ele preferiu defender o nepotismo praticado pela família Busch.