08 de julho de 2026
Geral

Agulha no palheiro

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

A equipe econômica do Governo Federal está ganhando, na figura de influentes mentores da Federação Nacional da Indústria, um voluntarioso grupo de aliados na batalha contra a crise que se abate sobre as suas arcas, depauperadas principalmente nos últimos quinze anos em função de desmandos na aplicação de suas parcas receitas. De suas janelas distantes, os empresários devem ter se comovido com o sofrimento que a nossa intrincada economia vem pespegando no lombo dos seus infelizes condutores e, como o Moisés da Bíblia, que salvou do todo-poderoso faraó a castigada pele do povo hebreu, vêm tentando ajudar a equipe governamental a enveredar para os caminhos através dos quais, logrando atravessar o agitado Mar Vermelho da nossa revoltada crise, possa a Nação atingir finalmente a libertação da sua escravatura típica.

Proximamente deverá a equipe técnica federacionista colocar nas mãos do presidente da República sugestões para uma jornada na direção da terra onde correm leite e mel... Será como que uma mãozinha aos ministros, que estão se escabelando diante do irrefreável dilúvio sem que vislumbrem no horizonte distante os sonhados sinais da completa estiagem da inflação. As aves prenunciadoras da bonança custam a surgir sob as nuvens tempestuosas e membros do Governo deixam transparecer que a tranqüilidade vai fugindo de seu controle e ganhando as ruas travestidas de medidas tanto inoperantes e contraproducentes quanto antipáticas e impopulares, tipo demissão de funcionários, que protestam contra a diminuição de seus ganhos enquanto vêem aumentar o seu insustentável custo de vida.

Se o empurrão preparado pelo empresariado vai conseguir impulsionar o comboio, é bastante difícil prever, principalmente quando se lembra da enorme série de ensaios desenvolvidos por tantos ministros de outras tantas escolas e tendências, tudo sem nenhum resultado prático, pois a locomotiva não foi pra frente um centímetro sequer e até mesmo recuou teimosamente, aproximando-se mais da beira do abismo. Não obstante, tem-se que afirmar que a iniciativa vale de qualquer forma pela intenção de ajudar um pouco na superação da jornada. Pelo menos, enquanto colaboram na procura da agulha perdida no palheiro ou na localização da ponta do fio no embaralhado novelo, os críticos param de criticar. Afinal, dá sempre mais resultado acender-se uma vela na escuridão do que falar-se unicamente mal das trevas. Por isso, tomara mesmo que o País detecte logo o esconderijo de sua salvação, ainda que isto represente a degola de algum ministro que esteja atrapalhando, pois muito mais faz quem não estorva... É a nossa opinião.

(*) N. Serra, jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.