Eduardo Cícero da Costa e Erasmo Carlos Souto, pais de família, querem emprego para tirar mulheres e filhos da miséria
Cansados de encontrar o mercado de trabalho com as portas fechadas, dois pais de família bauruenses fazem um apelo público à sociedade: querem um emprego para garantir o prato de comida dos filhos.
Eduardo Cícero da Costa, 49 anos, está passando por uma situação muito complicada. Com sete filhos para criar - com idades entre 11 meses e 13 anos -, ele está sem trabalho há nove meses e sobrevivendo do dinheiro que ganha olhando carros na rua. Às vezes, tiro R$ 15,00 num dia, outras vezes, ninguém dá nada, conta. Com o pouco que recebe desta maneira, ele paga a conta de água e luz da casa emprestada na qual mora. O problema é que um oficial de justiça visitou a família esta semana, levando consigo uma ação de despejo, dando apenas 15 dias de prazo para que ele desocupe a residência. Não tenho para onde ir. Ninguém quer alugar casa para mim porque não tenho emprego fixo, lamentou.
A esposa de Costa, Elisabete Correia Costa, 33 anos, está sofrendo de uma grave depressão e passa dias e noites na cama chorando, por conta dos problemas que a família vem enfrentando.
Costa diz que já procurou emprego em dezenas de empresas, mas não conseguiu ser aceito em nenhuma delas. Ele atribuiu isso à sua idade, que já beira a casa dos 50 anos. Ninguém quer dar emprego para quem já passou dos 40 anos, reclama.
Ele destacou que é capaz de exercer diversos tipos de funções, como as de eletricista, encanador, faxineiro, jardineiro, caseiro e motorista. O que eu quero é poder colocar comida dentro de casa e ajudar minha mulher a se recuperar de seu problema de saúde, disse.
Os quatro filhos mais velhos de Costa - Iara, Eduardo, Dalvan e Hugo -, apesar de toda a dificuldade da família, continuam freqüentando a escola. Tem que ter o juízo no lugar para não fazer uma besteira quando a gente está nesta situação. Eu prefiro pedir ajuda antes que aconteça alguma coisa mais grave com a gente, disse.
Anemia
A situação da família de Maria Aparecida Bento Souto, 31 anos, não é muito distante da de Costa, mostrando que o desemprego é implacável em qualquer lar.
Sem emprego há sete meses, o marido de Maria, Erasmo Carlos Souto, 31 anos, está desesperado. Ela conta que ele já enviou currículo para dezenas de empresas e não recebeu nenhuma resposta positiva. Toda vez que ele preenche uma ficha de emprego, volta para casa cheio de esperança, salientou a dona de casa.
Para sobreviver, a família conta com a solidariedade. Faz mais de uma semana que a gente só come macarrão e fubá, disse, lembrando que há três meses os filhos - Katrine Letícia Souto (12 anos), Maicon Anderson Souto (10) e Maiara Stefani Souto (7) - não tomam um copo de leite.
Para agravar ainda mais a situação, a filha mais velha sofre de uma doença que está deixando suas pernas deformadas. Os ossos dela estão entortando e deixando as pernas em forma de arco, contou, mostrando as sete cirurgias que a criança já fez em busca da cura.
Os médicos não descobriram o que está causando o problema, mas a falta de cálcio pode estar associada à doença.
A oitava cirurgia deveria ter acontecido nos últimos dias, mas, por ter detectado que Katrine estava anêmica - justamente pela fraca alimentação -, o médico teve que suspender a intervenção. Ele passou uma receita com uma lista de remédios, mas não temos condições para comprá-los, disse Maria.
A dona de casa diz que o marido é ajudante-geral e pede ajuda para que ele possa retornar ao mercado de trabalho. Tudo que queremos é um emprego para sobreviver. Não estamos pedindo esmola para ninguém, enfatizou.