09 de julho de 2026
Geral

Defesa Civil precisa de R$ 25 mil para Central

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Vinte e cinco mil reais. Esta seria a quantia necessária para a Defesa Civil de Bauru montar uma central 24 horas para atender emergências envolvendo a segurança da população em caso de incêndios e enchentes. A estimativa de custo - baixíssimo, diga-se de passagem, em se tratando do orçamento municipal - é do coordenador do órgão, Álvaro de Brito, que atualmente conta apenas com um telefone celular e a boa vontade de aproximadamente 20 voluntários para prestar atendimento às eventuais vítimas.

O módico investimento seria suficiente para a locação de um imóvel, aquisição de um microcomputador e de uma central telefônica - que atenderia pelo número público 199, já autorizado pelo Governo Federal -, rádios HTs e equipamentos básicos de salvamento, tais como cordas, coletes, colchonetes, luvas, entre outros. Conseguiríamos uma central de primeiro mundo, que, obviamente, teria que ter também uma viatura melhor adaptada e um grupo grande voluntários. Cidades como Rio Claro, São Carlos e Americana já contam com essa estrutura, mas em nenhuma cidade a presença de uma bem equipada Defesa Civil se justifica mais do que em Bauru. Não dispomos de nenhuma estrutura de prevenção, o que é imprescindível para dar segurança à população. É por esse motivo que Bauru sempre assiste a tragédias, como as que aconteceram em virtude do temporal da última quinta-feira, considerou. As soluções dependem de quem tem o poder de decisão, de fazer os investimentos efetivamente, emendou.

No momento, a Prefeitura Municipal estaria adquirindo alguns equipamentos solicitados por Brito, mas que nem de longe satisfazem às necessidades. Mais do que isso, o Executivo precisaria, sim, avaliar e dar uma resposta rápida a um plano de atendimento a situações de emergência, o qual já existe e está nas mãos da Prefeitura desde maio do ano passado. Ao mesmo tempo, deveria analisar a possibilidade de viabilizar os R$ 25 mil para a criação imediata da central.

Se o município já dispusesse dessa estrutura, o socorro às vítimas da enchente que arrasou vários pontos da cidade na semana passada poderia ter sido muito mais rápido e eficiente. Com apenas um celular, temos demorado cerca de 40 a 60 minutos para chegar ao local da ocorrência, sem dizer que fica difícil chamar o apoio de outros órgãos, salientou o coordenador, acrescentando que a colaboração humana também é fundamental para o sucesso das ações de socorro. Chegamos a contar com 400 voluntários, mas hoje temos apenas 20. A comunidade precisa trabalhar conosco, particularmente através do voluntariado especializado, frisou, referindo-se aos profissionais de medicina, advocacia, engenharia, além de eletricistas, braçais, pedreiros e motoristas. Existe espaço para todos, ampliou.

Antes que as providências saiam do papel e do campo das intenções, no entanto, vale comentar que algumas medidas poderiam ter evitado transtornos e até ocorrências mais graves na ocasião do temporal que assolou Bauru há uma semana. Álvaro de Brito foi avisado sobre a iminente tempestade cerca de duas horas antes dela derramar sobre a cidade. Comunicado do fato, ele colocou o Corpo de Bombeiros em alerta e falou, ao vivo, a uma emissora de rádio sobre a possibilidade de uma forte chuva atingir a cidade.

Uma medida negligenciada, entretanto, foi a comunicação do fato à Polícia Militar, cujo efetivo poderia ter sido deslocado para as áreas consideradas de risco a fim de alertar motoristas desavisados. Se o trânsito fosse impedido ou vistoriado nas imediações das avenidas Nações Unidas, Nuno de Assis e Alfredo Maia, talvez o saldo do temporal fosse menos grave. Questionado a respeito, Brito disse que essa medida poderia trazer pânico à população. Viável ou não, fica aqui a sugestão caso o próximo alerta climático ocorra antes de Bauru ganhar a estrutura preventiva que necessita.