09 de julho de 2026
Geral

Ladrão morre após roubo no Godoy

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 4 min

Dois homens encapuzados invadiram um bar e roubaram R$ 370,00 de clientes. Um deles morreu ao ser preso pela PM

Marcelo Celestino de Almeida, 23 anos, morreu na tarde de ontem após ter participado de um assalto a um bar localizado na quadra 27 da rua Padre Anchieta, no Jardim Godoy. Segundo informações da Polícia Militar passadas ao 2.º Distrito Policial, onde a ocorrência foi registrada, Almeida possivelmente teria caído de um sobrado enquanto fugia dos policiais, fato este que lhe teria causado um traumatismo crânio-encefálico. A família do rapaz, porém, contesta a versão e promete abrir um processo na Justiça para apurar as circunstâncias da morte.

O roubo foi registrado por volta das 13h30, quando duas motos ocupadas por quatro pessoas estacionaram defronte ao bar. Os que estavam na garupa adentraram no estabelecimento encapuzados e um deles, que seria Almeida, sacou de um revólver e anunciou o assalto. Os ladrões abordaram Renato de Alexandre e Marco Antônio Faria de Moraes, que estavam no interior do bar, e deles subtraíram R$ 100,00 e R$ 270,00, respectivamente.

Terminado a limpa, ambos teriam voltado às motos - onde os comparsas os esperavam - para fugir, mas logo na saída depararam-se com uma viatura policial. Ironicamente, o estabelecimento assaltado fica quase ao lado da casa do sargento Marcos, que no momento saía para o trabalho. Ao perceber a presença do veículo policial, Almeida teria abandonado a garupa da moto e fugido em direção contrária. Os outros três conseguiram escapar sem serem identificados.

Almeida teria saltado o muro de várias casas durante a fuga, abandonado o revólver pelo caminho e se escondido num sobrado cujos moradores estavam ausentes na ocasião. O sargento Marcos e o soldado Velasta, que o perseguiam, localizaram o rapaz num dos cômodos do imóvel, autuando-o em flagrante delito. Ao ser colocado na viatura, porém, Almeida teria passado mal e desmaiado, sendo conduzido ao Pronto-Socorro da Bela Vista. Os policiais acreditam que ele sofreu uma queda ou bateu a cabeça antes de se esconder no sobrado, uma vez que constataram a presença de pequenas manchas de sangue no local.

O delegado titular do 2.º DP, Renato Cagnacci Filho, instaurou inquérito para apurar o assalto e as razões que levaram Almeida à morte, solicitando exame necroscópico do corpo ao Instituto Médico Legal (IML).

Meu filho estava jurado

A família de Marcelo Celestino de Almeida não acredita na versão apresentada pelos policiais militares; muito pelo contrário, acha que os próprios têm responsabilidade direta por sua morte. O Marcelo tinha várias passagens pela polícia, mas foi preso uma vez só e por pouco tempo, porque não conseguiram provar a participação dele num roubo que aconteceu no ano passado. Por conta disso, ele estava jurado de morte pela polícia. O delegado mesmo disse que era para eu ficar preparada, porque o único jeito para resolver o problema do Marcelo era a morte, disse a mãe Juraci Jorgina de Almeida.

A tia do rapaz, Maria Zélia Gomes, também não tem dúvidas quanto à culpa da polícia no episódio, ainda que reconhecendo o modo de vida delinqüente do sobrinho. Ele realmente sempre esteve envolvido na marginalidade; era usuário de drogas e volta e meia se metia em furtos. Só que isso não justifica uma morte. Se pegaram ele, que mandassem para a Cadeia e lá deixassem até o cumprimento da pena. Eu vi meu sobrinho entrar bem vivo na viatura, sem qualquer ferimento ou expressão de dor. Não dá para acreditar que ele teve um traumatismo de uma hora para outra, indignou-se.

Já a irmã de Marcelo, Ana Lúcia Celestino de Almeida, lançou mão de algumas evidências para contestar a versão dos policiais. Se ele tivesse caído de uma altura que pudesse provocar um traumatismo, com certeza o corpo dele iria ter algum tipo de ralado. Outra coisa são as marcas das algemas nos pulsos, que estão roxos. Dá a impressão que ele se mexeu muito, o que não adiantaria de nada, uma vez que ele já estava preso. E a marca pequena que ele tem na cabeça, pouco atrás na orelha, para mim é coronhada de revólver. A gente é pobre, mas vamos correr atrás de todo mundo em busca de justiça, jurou.

Na noite de ontem, a pedido da família, o JC esteve no Instituto Médico Legal (IML) para atestar a situação do corpo de Almeida. O acesso foi permitido após a necrópsia. O rapaz não apresentava qualquer tipo de escoriação externa, a não ser as marcas das algemas e um pequeno corte no lado esquerdo da cabeça. O laudo médico, então recém-concluído, apontou trauma crânio-encefálico como a causa mortis, além de hemorragia interna traumática aguda e ruptura hepática como conseqüências decorrentes e determinantes para o falecimento.