Em meio à turbulência que afeta o mercado de carne no Brasil, uma notícia animou os pecuaristas e, principalmente, os frigoríficos de São Paulo. Na última quinta-feira, o Ministério da Agricultura publicou, no Diário Oficial da União, um decreto liberando o trânsito de bovinos do circuito Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais). Além de fortalecer a pecuária nacional, a medida vai aumentar a oferta de animais para os frigoríficos de São Paulo.
Depois de dois anos de bloqueio, o trânsito de animais provenientes de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais foi liberado pelo Governo Federal na última semana. A partir de agora, os criadores poderão comercializar livremente o gado pronto para o abate e a carne com osso. A medida animou o mercado, que estava abalado com o embargo do Canadá à carne brasileira. A principal conseqüência é o fortalecimento da pecuária brasileira, que está provando que consegue controlar a febre aftosa, ganhando a confiança do mercado externo. É mais um passo que o Brasil está dando para se qualificar como um grande e cuidadoso fornecedor de carne para o mundo, disse o supervisor de suprimentos de um frigorífico de Bauru, Vangélio Mondelli Neto.
A região que envolve os Circuitos Pecuários Leste e Centro-Oeste é o que reúne a maior quantidade de cabeças do País. Em zona livre, deve reunir cerca de 111 milhões de animais.
De acordo com Mondelli Neto, com a liberação, os frigoríficos terão à sua disposição um leque maior de oferta. Em relação à qualidade, não há muita diferença, pois os bovinos de São Paulo também são muito bem cuidados. O que vai facilitar é o poder de negociação, disse.
Já o diretor de um outro frigorífico, localizado na cidade de Lençóis Paulista, Djalma Gonzaga de Oliveira, lembrou que a medida poderá equilibrar os preços no mercado. Enquanto a arroba em São Paulo está cotada a R$ 40,00, no Mato Grosso do Sul pode ser encontrada a R$ 36,00. Com a oferta desses animais, a tendência é de que haja um equilíbrio, destacou.
Ele salientou que já estuda a aquisição de animais para o abate dos Estados que foram liberados para o comércio. Eu só não estava comprando de lá devido ao bloqueio, disse.
Segurança
De acordo com o assistente agropecuário do Escritório de Defesa Agropecuária de Bauru, o médico veterinário Marco Antonio Issa, o trabalho de fiscalização da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado vai continuar o mesmo. O que vai mudar é que os animais para o abate não precisam mais de sorologia. Eles virão num caminhão lacrado pela Defesa Agropecuária do Estado de origem e só serão abertos no frigorífico, explicou.
Já no caso da carne com osso, o Sistema de Inspeção Federal (SIF) ficará responsável pelo certificado de qualidade do produto.
Os quatro Estados que estavam bloqueados conseguiram controlar a febre aftosa e deverão receber o certificado de Zona Livre da doença em maio, através do Organização Internacional de Epizootias (OIE).
Reunião
No último dia 14, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado, João Carlos de Souza Meirelles, esteve reunido com os colegas de pasta dos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. O encontro teve como objetivo estabelecer um programa conjunto de medidas em função do novo status de Zona Livre de aftosa.
Os secretários decidiram dar prosseguimento às metas já traçadas de controle e vigilância sanitária, envolvendo várias ações que deverão ser triplicadas a partir de agora. Vários itens devem ser ajustados como, por exemplo, a padronização da legislação entre os Estado, para que possamos falar a mesma língua, disse Meirelles.
O processo envolve ainda o treinamento dos agentes, tanto os agrônomos do sistema fitossanitário, quanto do veterinário. O Brasil tem o maior rebanho pecuário do mundo, com 165 milhões de cabeças. A produção de carne gira em torno de sete milhões de toneladas por ano, sendo que 9% desse total - 630 mil toneladas - tem como destino o mercado externo.
O que é a febre aftosa?
A febre aftosa é uma doença causada por diversos tipos de vírus. Ela ataca tanto bovinos, quanto suínos, ovinos e caprinos, provocando febre elevada nos animais, formação de afta na língua, lábios e gengivas, impedindo que ele se alimente. Também é conseqüência da doença a lesão entre os cascos, que dificulta a locomoção. Esta é uma doença contagiosa, que pode provocar a morte do animal.