08 de julho de 2026
Geral

Mais armas, não!

N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Em que pese a repressão que seus órgãos de segurança têm desenvolvido no setor, as Forças Armadas ainda não conseguiram acabar ou ao menos diminuir os roubos de armas e munições praticados em seus depósitos, localizados em alguns pontos do País. Ao contrário, o ilícito continua e, o que é pior, em escala visivelmente crescente, conforme revelou, há pouco, preocupado, um dos auditores da Justiça Militar incumbidos de denunciar e acompanhar processos contra os roubos em que estão envolvidos surpreendentemente vários militares de baixa categoria. E seguem em vertiginoso crescimento porque, segundo um dos maiores ladrões de veículos do País, conseguir no Brasil armamento pesado e leve dos modelos mais sofisticados que se conhecem, naturalmente privativos das Forças Armadas, é uma das tarefas mais fáceis deste mundo eivado de controvérsias e falcatruas. A corrupção consegue tudo fácil e rapidamente, garantiu o homem depondo em um dos processos de receptação de armas militares a que esteve respondendo, corroborando o que se constata, quase todo dia, vendo televisão ou ouvindo rádio, tomando-se conhecimento da incidência de exemplares do tipo detectados por autoridades nas mãos de assaltantes e seqüestradores nos grandes centros.

Não clareia novidade nenhuma a revelação do meliante, porquanto somente mesmo através dos condenáveis caminhos das facilidades escusas, rotas direcionadas para os esconderijos da corrupção, poderiam os malfeitores chegar ao roubo fácil e volumoso de tantas armas e munições. Por outras sendas, como chegariam os milicianos, membros da própria corporação, a colocarem ilicitamente as mãos nas metralhadoras, espingardas, pistolas, carabinas, revólveres e copiosa munição, tudo subtraído dos arsenais e vendido aos redutos de assaltantes e outros marginais a preço vil? Sem oportunidades à vista os que agem nos depósitos oficiais de armamentos nem se abalançariam a enfrentar os riscos e os perigos da delinqüência, face à problemacidade do sucesso da empreitada que programassem.

A preocupação dos auditores quanto à escalada dos roubos é preocupação também da sociedade, para a qual o aumento da contravenção traz, sem dúvida, a convicção absoluta de que cada arma roubada nos quartéis é um instrumento a mais capacitando os assaltantes de bancos, lojas, supermercados e residências para a continuidade de seus delitos. Então, é necessário acabar ou diminuir o crime, se for possível. É a nossa opinião.

(N. Serra, jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).