Presidente de empresa contratada para formar comissão julgadora do Carnaval foi sabatinado ontem por presidentes de blocos e escolas
Com promessas de lisura e de que os jurados do Carnaval importados de São Paulo vão ficar sem comunicação durante o período que estiverem em Bauru, o presidente da empresa contratada para formar uma comissão julgadora para o Carnaval de Bauru, Antônio Menezes, esteve ontem na cidade, onde foi sabatinado por presidentes de escolas de samba e blocos. A idéia de trazer jurados de outra cidade partiu dos dirigentes das entidades carnavalescas.
Todos os anos especula-se sobre possíveis relações entre jurados e escolas de samba. Desta forma, esperamos que não fiquem dúvidas sobre a credibilidade da decisão dos jurados, afirma o secretário de Cultura, Sérgio Losnak.
Para o presidente da Liga das Entidades Carnavalescas e Escolas de Samba (Lesec), Avelino de Souza, a intenção é melhorar o Carnaval da cidade. Quando se trata de julgamento, um lado vai sempre vai ficar insatisfeito. De qualquer forma, eu tenho certeza que tudo vai correr bem, disse. A Lesec e a Prefeitura vão pagar pelos 18 jurados, que vão custar R$ 90,00, cada um.
Nove pessoas vão avaliar os desfiles de sábado e segunda, enquanto outros nove respondem por domingo e terça. As notas vão ser justificadas em um formulário pelos jurados da empresa, que se chama Crazy Carnaval e Eventos.
De acordo com Menezes, este ano a empresa vai organizar o julgamento em dez cidades do Interior de São Paulo. Ele disse que a empresa existe desde 95 e prestou serviços do tipo em Ribeirão Preto, Vinhedo, Jaboticabal e Bragança Paulista. Os jurados freqüentam um curso, são bem preparados e nosso objetivo principal é a lisura. Garanto que os jurados que vêm não têm parentes na cidade, nem nenhuma relação com Bauru, afirma Menezes, que se comprometeu em acompanhar a apuração do desfile, marcado para quinta-feira da semana que vem, na Câmara.
Os quesitos avaliados este ano são: comissão de frente, harmonia, alegoria, fantasia, evolução, porta-bandeira e mestre-sala, letra do samba, enredo e bateria. As normas do julgamento foram entregues ontem para os representantes das escolas.
Blocos são ilustres coadjuvantes
Ainda que não sejam as estrelas principais do desfile, mérito freqüentemente atribuído às escolas de samba, os blocos carnavalescos conferem ao público um espetáculo à parte.
Trabalhando com poucos recursos financeiros, fazendo uso de materiais recicláveis e doações da própria comunidade, os blocos contam com a união de seus integrantes para assegurar a participação no Carnaval. Apesar das dificuldades, esses grupos vêm se organizando e garantem a cada ano um espetáculo contagiante, que prima pela alegria e espontaneidade.
Neste Carnaval, 13 blocos confirmam presença no Sambódromo. Na categoria especial: Bloco da Rádio Líder FM; Flor das Laranjeiras; 21.+1; Unidos da Bela Vista; Verona do Gasparini e Pé de Varsa. Participando da categoria originalidade estão os blocos: Estrela do Samba; Unidos da Vila Independência; Ubaianesp; Solteironas do Milênio, Capoeira Bauru; Unidos do JP (Jardim Petrópolis) e Bairro da Nova Esperança.
Confirmando sua primeira participação no desfile de Carnaval, o bloco Flor das Laranjeiras chega à avenida com o samba-enredo Dos Indígenas à Maria que Virou Fumaça?, com uma proposta de resgate da história do progresso de Bauru, desde os primeiros povos que habitaram a região até o período de desenvolvimento proporcionado pela antiga Noroeste. Formado por moradores do Geisel, o bloco, que desfila na categoria especial, chega ao Sambódromo com 200 integrantes e dois carros alegóricos.
Outro bloco que marca sua estréia em 2001 é o Unidos do Bela Vista. Desfilando pela categoria originalidade, o bloco entra na avenida prestando uma homenagem ao Carnaval, especialmente às antigas escolas de samba da Bela Vista: Camisa 10 e Imperatriz, que tempos atrás alegravam os carnavais bauruenses. O Unidos da Bela Vista nasceu de uma reunião entre amigos, com o objetivo principal de homenagear e concretizar o sonho de uma fiel sambista do bairro, Odete Bezerra, atual presidente do bloco.
O bloco 21.+1, que este ano desfila com aproximadamente 250 integrantes na categoria especial, surgiu de uma conversa entre mãe e filho, em volta da mesa da cozinha. Junto aos moradores do bairro Bauru 16, os fundadores do bloco Adriano e Maria Lúcia Queiroz, decidiram levar para as ruas uma mensagem de cunho político e social, através da alegria e espontaneidade dos blocos carnavalescos. Este ano o bloco chega à avenida com um enredo que aborda a história das ferrovias em Bauru, levando ao público alegria e informação.
Já o bloco Unidos do JP (Jardim Petrópolis) foi criado pelos integrantes de um time de futebol. Depois dos jogos, os amigos se reuniam em bares, ao som do bom e velho samba. Numa dessas reuniões tiveram a idéia de organizar um bloco, contando com a ajuda dos moradores do bairro.
Neste Carnaval o bloco chega à avenida com a participação de 250 integrantes, embalados pelo samba enredo Exaltação ao Petrópolis.
Formado em 1996, o bloco Capoeira Bauru surgiu de uma reunião amigável entre a Associação de Capoeira Ilha do Bonfim e academias da cidade. O grupo, que tem como objetivo primeiro divulgar a arte da capoeira, vem crescendo e conquistando adeptos. Atualmente, cerca de 150 componentes integram o bloco, que este ano entra na passarela ao som da música Marinheiro Só.
Fundado em 1983, o Solteironas do Milênio é um dos blocos mais antigos de Bauru. Num bate-papo em volta da mesa de um bar, no bairro Bela Vista, alguns amigos se reuniram e tiveram a idéia de criar um bloco carnavalesco. Como não tinham condições de preparar fantasias, resolveram sair às ruas com roupas femininas. A idéia foi um sucesso e desde então mantém essa tradição. O bloco, que prima pela irreverência e originalidade, chega à avenida com 80 integrantes, embalados ao som de um samba-enredo que exalta o novo milênio.
Este ano, o Estrela do Samba, formado por moradores do Tibiriçá, prestará uma homenagem a seus fundadores, Lene e Pereira, proprietários da antiga Serraria Brasil. O samba-enredo, intitulado Brilho da Estrela, também irá discorrer sobre as atrações de cultura e lazer que o bairro, tempos atrás, oferecia aos seus moradores como a Festa do Peão Boiadeiro. O bloco leva ao Sambódromo aproximadamente 180 integrantes.
Fundado há 10 anos , o Pé de Varsa, um dos blocos mais tradicionais da cidade, chega à avenida com um samba-enredo em homenagem ao cantor Nelson Gonçalves. O Pé de Varsa, como tantos outros blocos, também nasceu de uma reunião entre amigos, ao som de batucadas em volta da mesa de um bar. O bloco, representante da Vila Falcão, leva à passarela do samba cerca de 300 integrantes.
Há quatro anos, moradores do bairro Vila Nova Esperança, idealizaram a criação de um bloco. Este ano, o sonho se realiza. Apesar de grandes dificuldades, pela primeira vez o bloco chega a avenida. Com o samba-enredo intitulado Da Violência à Consciência, da Realidade à Igualdade, o Vila Nova Esperança, formado aproximadamente por 200 integrantes, leva ao sambódromo uma mensagem de paz, amor e igualdade para o novo milênio.
Embalados ao ritmo do samba de forma espontânea e contagiante, os blocos carnavalescos são uma promessa de alegria no Carnaval.