07 de julho de 2026
Geral

Caça e desmatamento são problemas do rio

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 8 min

Além do desmatamento das matas ciliares, um dos problemas enfrentados pelo rio Batalha é a falta de consciência do pescador. Muitos ainda insistem em colocar redes de pesca que atravessam o rio, inclusive no período de piracema. Dificilmente são vistos, normalmente agem às escondidas, colocando suas armadilhas traiçoeiras em um rio que mal tem forças para manter suas águas correndo. Felizmente, o período escolhido para a descida mostra um rio mais volumoso, devido às fortes chuvas. Porém, junto com as águas, segue a terra carregada das erosões que ainda não foram contidas.

Pastagens que chegam até as margens do rio, onde a mata ciliar inexiste, e minas que foram soterradas pelo plantio descuidados deixam sem fôlego os mais otimistas. O interessante é como o Batalha apresenta diferentes momentos em seu curso. Em algumas áreas, como por exemplo no início do passeio, no município de Avaí, é possível verificar matas nativas intactas, grandes áreas de mata ciliar que escondem várias espécies de aves, capivaras, macacos e até veados, tatus e quatis.

A Polícia Florestal e de Mananciais de Bauru explica que, infelizmente, os proprietários de fazendas e sítios que possuem áreas devastadas anteriormente à legislação, não têm a obrigatoriedade de refazer o plantio.

"Atualmente, quando há capinação ou devastação, cabe multa e o proprietário é obrigado a recuperar a área, mantendo os 30 metros exigidos de mata ciliar", explica o tenente Marcelo Sanches, da 3.ª Cia. da PFM de Bauru.

Rio tem mais uma aliada

A prefeita Carolina Araújo de Sousa Veríssimo, de Reginópolis, é outra pessoa que chegou para colaborar. Embora não tenha acompanhado a descida do grupo, esteve aguardando chegada da equipe no Bosque Municipal de Reginópolis, onde foi montado o acampamento para o prosseguimento do passeio, no dia seguinte. A área já possui um pequeno parque e deverá receber outros cuidados para acolher os turistas.

Carolina busca apoio para dar continuidade à administração do município. Estamos reivindicando junto à Secretaria Estadual do Meio Ambiente a construção de um viveiro para reflorestarmos as áreas devastadas. O município precisa de uma ação urgente, comenta Carolina. Uma central de reciclagem faz parte dos nossos planos, pois eliminaríamos o lixo antes de chegar ao rio, assim como a criação do aterro sanitário, finaliza.

Os amantes do rio

O barco Adélia III traz os aventureiros Sérgio Coelho e José Mady, o Zeca, ambos de Avaí, que buscam a sua preservação por amor ao Batalha.

Já o barco Jova tem o trio José Borges (Bauru), Rodrigo Monico (Avaí) e, pilotando, Rodrigo César de Carvalho (Avaí) que é apaixonado por água. Borges gosta de pescar, enquanto Monico e Carvalho preferem andar de barco e apreciar a beleza da região.

O Capão Escuro traz o anfitrião da equipe. Eurico Baptista de Oliveira (Bauru) é aposentado e é um dos comandantes do grupo. A proposta é fazer também um mutirão de limpeza do rio. Em seu barco, seguiram o professor Marco Angelo Moral e a repórter do JC, Roberta Mathias, que desciam pela primeira vez nas águas do rio Batalha.

O Titanic traz a dupla Joaquim Fernandes Pereira e Élio Sebastião Duque, ambos de Bauru, que desceu pela primeira vez aquele trecho do rio. Duque pesca toda semana e diz que solta 90% dos peixes. Só levo o que vou consumir! Já Pereira gosta mesmo é de churrasco à beira do rio.

O Ouricuri é um barco que já faz parte da família e está sempre nas águas do rio Batalha. Os irmãos Django Camargo, José Adilson e Odair José dos Santos fizeram a primeira travessia com o grupo. Eles frequentam as águas do Batalha desde crianças e adoram nadar e pescar. É o quintal da gente!

O barco Batalha, comandado por Urivaldo Garcia Gonçalves, o Teco (Avaí), transportou também o prefeito de Avaí, Reinaldo Rocha, e a fotógrafa do Jornal da Cidade, Su Stathopoulos. Rocha nasceu em Avaí, onde aprendeu a amar o rio. Teco, é outro apaixonado pelo rio e tem várias fitas gravadas sobre o seu ciclo, nos últimos 12 anos.

Tangará é a embarcação do grupo dos belezudos. Alexandre Santa Maria, Altair Azevedo Júnior, André Luiz Duchatsch e Antonio Célio de Freitas são de Bauru e freqüentam há muitos anos um rancho, no rio Batalha, em Reginópolis. Eles optaram em participar pela primeira vaz da descida do rio com a proposta de colaborar com o grupo. Acostumados a descer de caiaque e a pescar, não foi difícil aderirem ao projeto.

Dificuldades para fiscalizar

Apesar das ações nos rios da região, principalmente no período de piracema, que se encerra no dia 6 de março, a Polícia Florestal e de Mananciais de Bauru vem encontrando dificuldades para autuar os infratores.

São apenas 65 homens e quatro barcos para atender a uma área total de 17 mil Km2, que incluem os rios Tietê, Batalha e Lençóis. Caçadores e pescadores se aproveitam da situação e desrespeitam a legislação.

Segundo informações do tenente Marcelo Sanches, responsável pela 3.ª Cia. da PFM de Bauru, existem pessoas que praticam a pesca predatória e a caça, mas a autuação é complicada, pois à chegada da equipe, os infratores fogem. "Eles abandonam o material, redes e armadilhas. No caso da caça (tatus, veados, capivaras), temos uma média de oito flagrantes por ano."

O caçador é um alvo mais difícil, porque deve ser flagrado com a arma, com o animal abatido, vísceras, fazer perícia na carne e ocorrência. "Os caçadores estão com aparelho celular, uma pessoa fica em ponto estratégio, quando a viatura chega, eles fogem. Não é simpls pegá-los", comenta Sanches.

Mesmo no rio Batalha não sendo permitido o uso de redes em momento algum, pois é um rio de água corrente, os predadores não se intimidam. Durante o passeio do grupo, foram encontradas redes abandonadas. Fora do período de piracema, somente nos rios represados, como o Tietê, são permitidos a pesca com rede regulamentada.

DAE estuda outras fontes de captação e ONGs já fazem reflorestamentos

Bauru é o município que mais retirar água do rio Batalha. São cerca de 650 litros por segundo, o que correspondem a 48% da água consumida em Bauru. Mas a situação já foi pior. Há quatro anos, a quantidade chegava a 60%, o que tem sido minimizado por meio de poços profundos.

Segundo informações do assessor técnico do Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE), Sérgio Silva Macedo, 52 anos, a captação é realizada dentro dos limites permitidos, mesmo assim, a autarquia tem buscado outras alternativas como a água subterrânea. O córrego da Água Parada é mais uma das pesquisas que estão sendo feitas, mas demanda um certo tempo, explica Macedo. É necessário avaliar o rio nos ciclos hidrológicos (todas as estações do ano) para saber que tipo de tratamento de água deve ser usado.

De acordo com o assessor técnico, o DAE também apoia iniciativas de entidades não governamentais no reflorestamento de matas ciliares e conscientização da comunidade para evitar o desperdício.

ONGs pelo rio

Bauru também é sede de duas importantes entidades que lutam em benefício do rio Batalha e do meio ambiente: Instituto Ambi-ental Vidágua e Fórum Pró Batalha. O Vidágua nasceu em 94 com o objetivo de incentivar a educação ambiental e projetos que tiveram repercussão nacional. Em consequência do trabalho da entidade, foi criado, em 1996, o Fórum Pró Batalha.

Segundo o biólogo Ivan Alexandre Ferrazoli de Marchi, 25 anos, secretário executivo do Vidágua, desde a criação do Fórum, muitas mudas têm sido plantadas nas margens do rio. Temos três projetos em andamento (98, 99 e 2000) e vamos iniciar o de 2001, que já está aprovado. O projeto consiste em cercar a área, abrir covas, adubar, limpar 1,5 m a 2 metros em volta da muda para que possa crescer, colocar estaca e acompanhar.

Os projetos são feitos em parceria com o Comitê de Bacias, com o apoio de empresas e entidades como DAE, Brahma, Zillo Lorenzetti, LwartCel entre outras. Somente com o recurso do Comitê, não seria possível, acrescenta Marchi. Cada projeto prevê o reflorestamento de 50 hectares, são 1.700 mudas por hectare, portanto, nos três projetos foram plantadas, cerca de 250 mil mudas. A perda de 3% já está incluída na proposta inicial, o que não inclui, é claro, mudas que não sobrevivem devido a geadas, enchentes, secas e outras manifestações naturais imprevistas. As ONGs têm trabalhado no plantio de árvores desde a cabeceira do rio, em Agudos, onde há vossoroca (grande erosão), e em várias áreas onde estão recompondo a mata ciliar. É importante também o apoio do proprietário da área para manutenção, comenta.

Com a união de pessoas e entidades, é possível visualizar um futuro melhor para o nosso rio. Vamos pensar no lema do Fórum Batalhar para conservar e aderir à proposta. O Vidágua e o Fórum podem ser contatados pelo telefone (14) 227-1522. Eles oferecem assessoria e buscam colaboradores.

Destaques

Naufrágio - O Adélia III não resistiu às corredeiras e virou. Felizmente nada aconteceu, apenas uma pane temporária no motor. O lugar ficou batizado como Corredeira do Coelho. Por que será?

Belezudos - Prevenidos até demais, os tripulantes do Tangará não esqueceram o queijo, salaminho, azeitonas e, é claro, muita cerveja. Desceram o rio no maior conforto.

Os irmãos - Nada temiam os irmãos Santos. Salto da ponte, mergulho para buscar o material levado durante o naufrágio e ainda entra na mata à procura dos macacos.

Bom apetite - Não é possível esquecer a costela no bafo e o delicioso churrasco preparado no acampamento. O mestre? É para você Marcão.