08 de julho de 2026
Geral

Mais um preso é decapitado em Pirajuí

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A exemplo da rebelião de domingo, na P-II, outro detento, desta vez da P-I, teve cabeça cortada e arremessada contra policiais

Pirajuí - A rebelião provocada por presos da Penitenciária I de Pirajuí foi encerrada no início da manhã de ontem, depois de 15 horas de tensão. A morte do detento Ronaldo Sertório, 26 anos, foi o incidente mais grave registrado pela Polícia Militar. Sertório, também conhecido pelo apelido de Pezão, é natural de Ribeirão Preto e foi assassinado pelos próprios presos da P-I, durante a madrugada. A exemplo do que aconteceu com Válter de Oliveira Canuto, 41 anos, mais conhecido por Cocada, detento da Penitenciária II, assassinado no último domingo, Sertório também teve sua cabeça decepada e jogada para fora do presídio. O sargento Lima, da 2ª Companhia da Polícia Militar, em Pirajuí, que acompanhou todo o desenrolar da rebelião, disse que esse tipo de atitude, tomada pelos presos, é normal e tem a pretensão de intimidar os policiais, para que os mesmos atendam as reivindicações dos rebelados. Antes de morrer, Sertório foi golpeado várias vezes, na cabeça e nas costas, com uma barra de ferro. A cena pôde ser vista por todos os funcionários e policiais que acompanhavam a movimentação dos presos em cima do telhado da Penitenciária.

Outro detento, também ameaçado de morte pelos companheiros, escapou por muito pouco. Os policiais ainda não sabem dizer se ele foi jogado do telhado pelos presos, ou se pulou, por iniciativa própria, tentando escapar da tortura que estaria sofrendo. A queda, de aproximadamente 15 metros, causou fratura exposta no detento, cuja identificação não foi revelada pela PM, nem por funcionários da Santa Casa de Pirajuí, para onde foi encaminhado. Informações extra-oficiais fornecidas por funcionários da Penitenciária dão conta de que os dois detentos agredidos estariam cumprindo pena por estupro. Ou seja, faziam parte de um grupo de criminosos que historicamente não são bem aceitos dentro do sistema carcerário. Ambos estavam nus, e ficaram expostos publicamente no alto do telhado.

Além desses dois detentos, outros três também foram encaminhado à Santa Casa com ferimentos graves. No entanto, funcionários do hospital informaram que não foi necessário nenhuma intervenção cirúrgica e que todos estavam bem.

Segundo a PM, a rebelião terminou por volta das 5h30, depois que as reivindicações dos rebelados foram atendidas pela diretoria da Penitenciária. Entre outros pedidos, estaria a transferência de 12 presos para a Casa de Detenção, em São Paulo. Informalmente, circulou a informação de que esses presos teriam ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Porém, o diretor da P-I, Antônio Paulo Veronezi, não foi encontrado durante toda a tarde de ontem para confirmar ou mesmo negar essa informação.

Com o fim da rebelião, os detentos liberaram os sete funcionários da Penitenciária que foram mantidos como reféns. Segundo o sargento Lima, da 2ª Cia de Pirajuí, não houve agressão contra esses funcionários.

A habitual inspeção feita pela Tropa de Choque da Polícia Militar começou por volta das 6 horas da manhã e recolheu cerca de 300 armas brancas (estiletes, barras de ferro, etc), três armas de fogo e nenhum celular. Segundo o sargento Lima, durante a inspeção, não houve nenhum atrito entre policiais e detentos.