08 de julho de 2026
Geral

REBELIÕES ORGANIZADAS

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 2 min

É preciso reconhecer: a capacidade do ser humano de conseguir algo quando se é objetivo, é realmente incrível. Recentemente, presenciamos dezenas de milhares de detentos, pertencentes a 29 estabelecimentos prisionais paulistas, rebelarem-se no mesmo dia e hora, com a mesma tática e objetivo. É incrível porque os recursos deles são parcos, os meios de divulgação quase inexistentes, o sigilo imprescindível e o contato com o mundo externo limitado mas, ainda assim, demonstraram um controle tão eficiente da situação que o Estado levou horas para perceber a complexidade (se é que já descobriu a origem).

Nossos governos deveriam aprender com eles. De Brasília até os escalões subordinados, é aquela palhaçada: troca de cargos por apoio, indisciplina, fanfarronices, precipitação, erros, corrupção, jogo de interesses, bajulação, concessões públicas, enfim, os criminosos de colarinho branco não se acertam, não concluem nada e não conseguem chegar a um resultado objetivo e positivo. Por mais que se esforcem, não conseguem concretizar nada muita coisa em proveito da comunidade que representam, mas somente para os interesses próprios. Não que a ditadura seja o caminho, mas a hierarquia, o respeito à liderança, a ausência de bajuladores seriam essenciais para que o Governo se fizesse mais forte. Esses atributos fazem os comandos de criminosos exercer suas funções com eficiência, ainda que voltados para a continuidade do crime.

É uma pena que os pilantras que nos governam não tomem essas experiências como lições, pois assim poderiam ter no que se espelhar. Quando se quer, quando se objetiva, quando se focaliza algo, somente com determinação e pulso forte é que se concretiza, e não com a constante promiscuidade legislativa, onde todos querem sempre mais, todos querem ser caciques e todos querem ganhar. A diferença entre uns e outros é que, no primeiro exemplo, o crime é organizado. (Ivan Garcia Goffi - OAB/SP 165.173)