08 de julho de 2026
Geral

Quem deve ser punido?

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Sabe-se muito bem, até porque quase diariamente os meios de comunicação noticiam casos flagrantemente contraditórios, que a aversão do atual Governo ao regime de impunidade que grassa largamente no País deixa de ser essas coisas, pois, não obstante os raios e trovões que se ouvem por aí, há, em vários setores, espaços à vontade ocupados por gente que deveria estar presa nos xadrezes e não o está. Por isso, andam os pés folgados, de Rider, numa boa, como dizia tempos atrás curioso comercial da televisão. Muitos sabem disso, repetimos, mas para os que ainda acreditavam na balela, fatos novos estão cabendo em suas cabeças como balde de água supergelada, tão grosseiros e estapafúrdios como se apresentam, sem que aconteçam as punições necessárias.

É mole...? Pode isso, como observa o observador de rua, que não deixa sem críticas os acontecimentos em geral? Como conseguem as autoridades que pregam a necessidade urgente de uma rigorosa cruzada contra a impunidade colocar-se ao lado de quem burla as leis, de forma ostensiva e indo ao paradoxo de punir quem as estava cumprindo de acordo com os preceitos? Não dá para entender, principalmente porque, segundo o noticiário, há deputados federais e estaduais recentemente cassados que estão sendo castigados com apenas a perda de seus vencimentos.

Negócio é esse... Para não haver punição é preciso que não haja o que punir. Fechando os olhos, machuca-se a sociedade por não ser defendida dos infratores. Ora, dirão as autoridades, o caminho certo é o da via judicial. E os enganados hão de responder: desde quando isso funciona com a agilidade que a defesa de seus legítimos interesses precisa e merece e nunca é, realmente, acolhida em suas entranhas, haja vista a evolução que a impunidade vai ganhando, no País todo, em todos os setores? São dúvidas e indagações para pensarem nos travesseiros os que, no Governo ou fora dele, sonham com um Brasil realmente novo, plenamente justo, no qual sejam inteiramente respeitados não só a lei e os postulados, mas os direitos inalienáveis dos cidadãos, a fim de que a punibilidade das contravenções penais seja enfim aquelas coisas. É a nossa opinião.

(*) N. Serra, jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.