09 de julho de 2026
Geral

Direção defensiva quer formar 500 motoristas de coletivos

André Tomazela
| Tempo de leitura: 4 min

O curso de direção defensiva da Polícia Militar já está na segunda semana e pretende, até o final do ano, atingir 500 motoristas de ônibus coletivo das três empresas que atuam em Bauru: ECCB, Kuba e Tua

Baseado nas estatísticas de acidentes de trânsito envolvendo ônibus circulares no ano passado, que foi de 483, a Polícia Militar de Trânsito, em parceria com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e a Universidade do Sagrado Coração (USC), já iniciou o curso de direção defensiva para os condutores de ônibus circulares da cidade, envolvendo profissionais das ECCB, Tua e Kuba.

Na primeira semana (de 12 a 16 de fevereiro), passaram pelo curso 22 motoristas. Na semana passada, mais 29 motoristas concluíram o curso, com aulas de segunda à sexta feira, das 19h30 às 20h30, ministrado por policiais devidamente preparados.

De acordo com o comandante do pelotão de trânsito da 4ª. Cia da PM, tenente Jorge Luís Dias, na realização dos cursos, a polícia fornece os profissionais que atuam no trânsito ministrando as aulas; a Emdurb, os meios materiais e a USC colabora fornecendo estagiários do último ano do curso de Psicologia, que elaboram dinâmicas de grupo na área de integração, levando os condutores a uma reflexão no último dia do curso.

No ano passado, o programa foi direcionado a voluntários da comunidade. Foram ministrados seis cursos atendendo cerca de 100 condutores, comenta Dias.

Neste ano, conforme ficou decidido numa reunião da entre a PM, Emdurb, USC e as empresas de ônibus coletivos de Bauru, serão fornecidos cursos para duas turmas em fevereiro. A partir de março, serão quatro cursos mensais, um para atender os funcionários da Tua, outro da Kuba e dois para atender os funcionários da ECCB, por ser uma empresa maior, com mais funcionários (cerca de 300 motoristas).

De acordo com o Dias, a comunidade tem cobrado uma postura diferenciada do condutor de ônibus. Os usuários do sistema de transporte coletivo, de um modo geral, nem sempre são tratados com dignidade, comenta. Esse fator, aliado às estatísticas de infrações de trânsito e ao índice de acidentes com vítimas fatais envolvendo condutores de ônibus, que foi de 18% em 2000, levaram a PM estar direcionando o curso de direção defensiva aos motoristas de ônibus. O número de ônibus que circulam nas principais avenidas da cidade é muito alto e a probabilidade de se envolverem em acidentes, conseqüentemente, é maior, afirma Dias.

A intenção da PM é que cerca de 500 motoristas passem pelo curso, até o final do ano. Mensalmente, cerca de 120 motoristas vão estar sendo formados, segundo a PM.

O nosso objetivo maior é estar levando aos motoristas a uma conscientização maior e introduzir a mudança de comportamento com relação ao que é certo e errado no trânsito, explica Dias.

Tópicos da direção defensiva

No curso de direção defensiva ministrado na última semana pelo soldado Paulo Sérgio Fardin, os 29 motoristas de ônibus receberam noções sobre os assuntos diretamente ligados ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB), noções humanas, em função de 93% dos acidentes serem causados por falhas humanas, leis de trânsito, a conduta de cada um, desde o pedestre até o condutor. De acordo com Fardin, os assuntos são considerados os mais importantes para que os motoristas tornem-se defensivos e passem a evitar os acidentes.

Ligado aos condutores de ônibus, Fardin aborda, no curso, o que seria uma viagem perfeita. Nesse modelo de viagem não há riscos de acidentes e o usuário se sente satisfeito. O motorista também se sente bem, dentro do próprio serviço. Essas seriam as condições ideais de uma viagem perfeita. No curso são mostrados todos os cuidados que os motoristas devem ter para se chegar próximo dessa viagem perfeita, afirma.

Outro assunto discutido diz respeito a parte de colisões. Segundo Fardin, por mais que os motoristas de ônibus estejam certos, quando envolvidos em acidentes, a culpa quase sempre recai sobre o ônibus, por ser um veículo maior. Mas nem sempre a culpa é do condutor do ônibus.

Com relação a receptividade dos motoristas, o soldado Fardin, avalia como muito boa. No entanto, é possível perceber que os mesmos possuem algumas dúvidas e deficiências originárias dentro da empresa. Existe uma falta de informação pela própria dinâmica do CTB, que vai tendo resoluções e emendas durante o ano e a informação nova não é passada para o motorista. Então, nós procuramos atualizá-los com relação às novas regulamentações e estatísticas de acidentes no trânsito para que eles possam ter uma noção real da situação, comenta.