08 de julho de 2026
Geral

Ecoturismo pode ser mais explorado

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A intenção é recuperar o tempo perdido e pôr a cidade no roteiro turístico da região, ao lado de outras cidades

Dois Córregos - A cidade ainda não acordou do profundo sono que a impede de vivenciar suas potencialidades turísticas. Cachoeiras com mais de cem metros de queda livre, montanhas, fazendas cuidadosamente arborizadas e com um clima de serra, que no inverno assemelha-se ao clima europeu, com muita névoa, e outros recursos naturais que poderiam ser melhor explorados de forma a atrair mais visitantes.

O turismo ecológico, que mudou a vida da pacata Brotas, se bem explorado, pode fazer o mesmo em Dois Córregos. Acreditando nisso, o advogado Roberto Fávero não perdeu tempo e começou, mesmo que timidamente, a investir em uma pousada. Ele não descarta a possibilidade de dar um passo mais ousado e construir, em suas terras, um hotel-fazenda. Segundo Fávero, esse vôo mais alto depende da resposta que ele terá com a pousada. Além da beleza natural ao redor da pousada, com a qual são brindados os hóspedes, a fazenda oferece ainda uma visão pouco comum de uma cadeia de montanhas, onde é possível enxergar quilômetros à frente.

Em breve, os visitantes terão, também, a oportunidade de caminhar por trilhas abertas em meio a um pequeno pedaço inclinado de mata e recheadas com pedras escorregadias. A intenção do proprietário é aproveitar esse caminho e levar os visitantes para conhecer as cachoeiras da fazenda. Quem preferir uma atividade menos selvagem poderá gastar o tempo fazendo artesanato em pedra. Por meio de uma técnica desenvolvida pela mulher de Fávero, Luciene Thomé, é possível extrair da parte interna da ágata, uma espécie de pedra, desenhos dos mais variados possíveis.

De acordo com Heusner Grael, do Departamento de Turismo, Dois Córregos possui hoje apenas três bons hotéis, os quais, em sua opinião, não seriam suficientes para suprir a demanda de um eventual aumento de turistas. Desse seleto grupo, faz parte o Hotel Estância, onde ficou hospedado o elenco que participou, em 1999, do filme Dois Córregos, de Carlos Reichenbach.

Segundo informações da proprietária Maria José Acerbi, o hotel tem capacidade para acomodar 150 pessoas, mas nunca esteve totalmente ocupado. Férias escolares e feriados são épocas em que a procura atinge o pico, segundo Maria José. A especialidade do hotel é proporcionar lazer aos hóspedes. Para isso, dispõe de salão para convenções, playground, passeios à cavalo, piscina, restaurante, salão de jogos, sauna, entre outras opções.

São opções como essas que o prefeito José Agostino Salata (PDT) quer oferecer aos turistas que chegam a Dois Córregos. Os hóspedes desses hotéis não precisam ir, necessariamente, até a zona rural em busca de diversão, acredita Salata. Como o turismo rural está mais desenvolvido do que o urbano, a Prefeitura quer equilibrar a balança equipando melhor a cidade para receber seus visitantes.

Outra preocupação do prefeito é formar mão-de-obra qualificada para atender às expectativas dos turistas. Nós queremos que a cidade esteja preparada para oferecer um atendimento profissional, enfatizou Salata, ciente da importância que há no quesito hospitalidade. As belezas naturais de Dois Córregos estão aí para serem observadas e para trazer a tranqüilidade que os grandes centros urbanos não oferecem. Entretanto, estamos igualmente preocupados com o tipo de recepção que esse novo mercado exige. Temos que nos tornar conhecidos como uma cidade que acolhe bem os turistas, observou Salata.

Procurando ser ecologicamente correto, o prefeito disse estar atento, também, aos problemas ambientais que podem ser provocados pelo mau uso do espaço destinado ao turismo. Segundo Salata, existe uma grande preocupação em conciliar o desenvolvimento do turismo local com a preservação do meio ambiente. Para tanto, o poder público estuda controlar o fluxo de visitantes às áreas destinadas ao turismo na tentativa de evitar danos à natureza. Ele cita o caso da cachoeira dos Barcelos, onde a freqüência seria tão alta e constante que não há mais como controlá-la. Nós queremos evitar que o mesmo aconteça com as outras cachoeiras, disse Salata.