08 de julho de 2026
Geral

Dois Córregos quer ser pólo turístico

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Cachoeiras, montanhas, clima de serra e outros recursos podem ser melhor explorados, de forma a atrair turistas

Dois Córregos - Localizado estrategicamente entre dois pontos turísticos famosos do Interior do Estado de São Paulo, o município de Dois Córregos, outrora captado pelas lentes do cineasta brasileiro Carlos Reichenbach, quer agora explorar mais a fundo sua vocação turística, assim como fizeram espertamente seus vizinhos: Brotas e Barra Bonita.

Com seu clima de serra, montanhas e cachoeiras, Dois Córregos não quer mais ficar sob a sombra da vizinhança e resolveu, pelo menos, tentar sair em busca de sua auto-afirmação como mais uma opção de aventura e lazer aos milhares de turistas que procuram a região.

Ao contrário de Brotas e Barra Bonita, o município de Dois Córregos ainda não possui infra-estrutura hoteleira e gastronômica em condições de receber um grande número de turistas. E é exatamente essa carência que a Prefeitura está tentando suprir.

Embora não tenha condições de construir novos hotéis e restaurantes, nem seria de sua competência, a Prefeitura tomou as rédeas da situação e está a procura de uma parceria com a iniciativa privada.

Foi assim que começou a ser consolidado o bem-sucedido empreendimento turístico em Brotas. O mesmo caminho, ou trilha (para falar a mesma língua dos aventureiros), está sendo seguido agora pelo prefeito José Agostino Salata (PDT). Estamos abrindo a cidade para o investimento privado, disse o prefeito cheio de esperança de que a iniciativa traga o retorno desejado.

O que mais o anima a insistir nessa empreitada é saber que a cidade ainda tem muito espaço a ser explorado. Salata acredita que a partir do momento que os empresários resolverem investir no setor, o turismo em Dois Córregos teria tudo para expandir e formar, juntamente com as outras duas cidades, um corredor turístico dos mais importantes do Interior paulista.

Mas se a construção de uma rede hoteleira e de restaurantes - indispensável para atrair novos turistas - depende de recursos privados, qual seria a participação da Prefeitura no desenvolvimento dessa infra-estrutura? A Prefeitura tem meios legais para ajudar os investidores, comentou o responsável pelo Departamento de Turismo, Heusner Grael.

Esses meios legais, em sua concepção, seria o fornecimento de mudas de árvores para incrementar a paisagem e o fornecimento de máquinas pesadas para, entre outros serviços, conservar as estradas rurais em perfeitas condições de uso, para facilitar o deslocamento de turistas e monitores. Além disso, consta do orçamento municipal a destinação de verbas para serem usadas pelo Departamento de Turismo.

Ao mesmo tempo que a Prefeitura e os órgãos competentes buscam o desenvolvimento turístico da cidade com apoio financeiro e de prestação de serviço, os proprietários rurais e demais participantes da cadeia receptiva dos turistas tem uma grande oportunidade de ampliar seus negócios e lucrar com a integração entre o poder público e a iniciativa privada.

Na tela do cinema

Enquanto o cantor sertanejo Daniel leva o nome de Brotas, sua cidade natal, para o Brasil afora, o cineasta Carlos Reichenbach resolveu presentear a cidade onde passou férias em sua infância com um filme. As imagens de Dois Córregos, rodaram o mundo e chegaram a receber calorosos aplausos da platéia que acompanhou a exibição da fita durante o Festival de Roterdã, em fevereiro de 2000.

Quando esteve na cidade para filmar Alma Corsária, o cineasta ficou encantado com sua estação ferroviária. Segundo ele, era uma réplica perfeita da estação de Marselha, na França. Daí surgiu a idéia de usar a estação de Dois Córregos como cenário para um de seus filmes. Hoje, e apesar da privatização, a estação ferroviária encontra-se completamente abandonada.

O filme é uma reflexão do diretor sobre os anos de chumbo da política brasileira (época do regime militar) e sobre a herança que aqueles movimentados anos 60 deixaram para as gerações futuras.

A estação de trem e o encontro de três grandes rios - Tietê, Piracicaba e Turvo - foram determinantes na escolha da cidade para a locação e para o título.

Na época, a filmagem alterou a rotina da cidade, acostumada com a tranqüilidade típica de pequenas cidades do Interior. Quando de seu lançamento, o filme foi exibido em praça pública, em Dois Córregos. A cidade deixou o anonimato com o filme e, agora, quer transformar-se em pólo turístico e se firmar como uma referência regional.