08 de julho de 2026
Geral

Senai aposta na qualidade de projetos

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 7 min

ISO 9002, um laboratório de robótica, parcerias com os municípios da região e com empresas de grande porte. Essas são algumas novidades do Centro de Treinamento Senai de Lençóis Paulista para esse ano, na busca de ser uma escola referência, com uma política de resultados e preocupação em cursos profissionalizantes especialmente desenhados para atender as demandas da região. O professor Reinaldo Munhoz, diretor do Senai Lençóis, falou sobre as novidades. Veja os principais momentos da entrevista

Pergunta - Quais serão as atividades a serem desenvolvidas pelo Senai Lençóis em 2001? Reinaldo Munhoz - Veja bem, a preocupação e o nosso objetivo no Senai, nos próximos anos, é estabelecer ainda mais o que já existe, ou seja, uma relação muito estreita com as necessidades da cadeia produtiva onde a escola está centrada. E isto tem tudo a ver com a implantação da ISO, porque através da certificação que nós teremos da ISO 9002, a partir do final do ano, nós estaremos aperfeiçoando os instrumentos de retorno no que tange ao índice de satisfação do nosso cliente. A ISO 9000 veio para, também, colaborar com essa nossa pretensão. Isso tudo pautado em ações com garantia da qualidade e de processos e respostas às demandas. Face a essa preocupação em atender às demandas, a escola deve estar estabelecendo e aperfeiçoando os mecanismos de atualização tecnológica. Dentro disso, nós teremos a implantação, no segundo semestre, do Laboratório de Robótica - Automação da Manufatura que visa atender o último termo do curso técnico. Este Laboratório de Robótica será montado em parceria com a Parker, que já desenvolve outras parcerias conosco. Sem demagogia, a ISO 9002 é uma etapa e hoje o que temos de novo é o aperfeiçoamento da gestão, da informação, da demanda. A diferença é esta, hoje a informação é de domínio público, a diferença nossa é estabelecer uma ferramenta e um contínuo processo de avaliação e de análise das demandas.

Pergunta - Qual o projeto de destaque nesta programação?Munhoz - O laboratório de Robótica é um sinal. De repente, você tem que estar remodelando a sua unidade e isso é o que estamos fazendo. A gente costuma dizer às pessoas que vêm aqui que pelo menos em 90 dias se tem algo de novo, a gente não tem um dia como o outro aqui dentro. E isso pede agilidade, sobretudo intuição, rapidez na resposta, pois se não tiver tudo isso, já era, é melhor fechar a nossa lojinha... Então, resumindo a sua pergunta, o que teremos em 2001 é a implantação do sistema da qualidade, através da ISO 9002, estabelecimento de ferramentas na gestão da satisfação do nosso cliente e ferramentas de retorno a essas necessidades. Não adianta você ouvir seu cliente e não ter como prescrever a ele através de cursos e laboratórios. O laboratório de Robótica é uma dessas respostas.

Pergunta - Tendo em vista o recebimento da certificação ISO 9002, em termos práticos, o que isto representa para a região e para o próprio centro de treinamento?Munhoz - A implantação da ISO 9000 é você estabelecer um sistema de garantia da qualidade. E o que isso tem a ver com as demandas da região? O selo da qualidade é uma resposta às demandas globalizadas, ou seja, como é que eu posso atender a uma empresa que, por sua vez, tem que ter uma conduta no que tange à garantia de processo e garantia de produto. Você comprando este produto tem que ter a certeza do que está comprando. Vamos pegar o exemplo de um carro: a aerodinâmica, a segurança, todos aqueles pré-requisitos e o mínimo de coisas que um carro tem que ter para ser competitivo. Então, quando eu vendo para você, você tem que ter a certeza de que este é o carro que você quer, que saiu como você queria. É evidente que sairia. Mas no passado, não existia uma obrigatoriedade, nem tão pouco parâmetros rigorosamente seguidos. Na norma você tem uma receita, que tem itens e você tem que escrever os procedimentos em função dos itens da norma e fazer sempre daquela forma. Ao comprar, eu estou assegurando a você que segui rigorosamente o que o item da norma disse. E se eu quiser mudar? É só escrever de uma forma diferente e fazer como eu escrevo. Isso hoje é uma tendência mundial. A garantia assegurada vem sobretudo com o objetivo de minimizar custos, reduzir desperdícios. Se no passado você tinha um controle de qualidade final, hoje isso não existe mais.

Pergunta - Seria a qualidade já no processo de entrada e não somente no processo de saída?Munhoz - Perfeitamente. A norma, na verdade, trouxe essa mudança de comportamento, essa garantia de produto. E a norma é mundial, e se eu quiser mudar um procedimento eu escrevo do jeito que eu faço e faço do jeito que escrevi. Então, o objetivo nosso foi entrar nessa grande cadeia produtiva. A escola de Lençóis optou por isso, porque nós temos que entrar nessa linguagem, que é a linguagem da qualidade assegurada. O meu aluno ao incluir-se no curso ele estará saindo de uma escola que tem o selo ISO 9000, uma escola que vai atender às linguagens do mercado. Como eu posso mandar um profissional para uma empresa que tem o selo da ISO, portanto trabalha segundo os procedimentos que a ISO estabelece, e ele não conhece, não foi formado nesses procedimentos. A idéia é reduzir, por exemplo, o que nós chamaríamos numa indústria de retrabalho. A indústria tem que trabalhar o meu aluno para que ele possa aprender essa filosofia e seria ineficaz. Não posso trabalhar só o aluno, tenho que trabalhar toda a família escolar. Foi essa a opção: entrar nessa grande cadeia internacional de tecnologia.

Pergunta - Como é que o sistema Senai consegue manter esse acompanhamento constante, sendo às vezes até mais avançado do que os próprios sistemas predominantes no mercado?Munhoz - Veja bem, o Senai é uma entidade pública, mas que não é pública do ponto-de-vista mantenedor do Estado. Essa é uma dúvida que muitas pessoas têm e a gente precisa esclarecer. O Senai é mantido e administrado com os recursos da indústria. Nós somos mantidos e, portanto, pertencemos à grande cadeia produtiva industrial. Então, é evidente que se nós temos esse diferencial de sermos mantidos pela indústria, precisamos estabelecer uma forma rápida e eficaz de atendermos aos anseios deste grupo. É claro que cada escola tem seu diferencial, cada escola tem a sua cara. O nosso desafio é esse, realmente atendermos a essas necessidades, é o que estamos buscando e aqui estamos conseguindo. Você citou uma coisa que é muito importante: a parceria com os governos municipais. Nós temos aqui, há alguns anos, uma parceria fantástica com a prefeitura de Lençóis. É um convênio ímpar e que vai muito bem. A responsabilidade dessa evolução, uma coisa é você sonhar outra coisa é conseguir. Então nós sonhamos através de um sinal de mercado e conseguimos realizar através de parcerias, exemplo: prefeitura municipal. Aí sim você tem uma entidade pública, que é a prefeitura, no caso Lençóis, e a iniciativa privada, que é a indústria e o Senai caminhando juntos e despidos de qualquer interesse pessoal. Tanto Senai, quanto Prefeitura querem ter uma escola referência. Do ponto-de-vista de estar na frente das demandas técnológicas, evidente que é papel do Senai, evidente que também na mesma proporção algumas regiões não conseguem. Por que? Eu imagino que venha na parceria algo que não é possível, que não é tão bom, mas nós aqui temos. Nossa filosofia segue as palavras de dom Hélder Câmara, de que sonho que se sonha junto é realidade, isso é fato porque a prefeitura também sonhava com o Senai.

Pergunta - Com novos governantes assumindo as Prefeituras da região, como ficam as parcerias para este ano? Munhoz - Como educador somos otimistas. Mas, pessoalmente, temos a convicção de que as coisas vão sempre estar muito bem. Se não acreditar nisso, como vou administrar uma escola, estar formando uma nova geração se não acreditar que o futuro vai ser melhor. Mas isso acontece muito por aí, você chega na universidade e fala que vai fazer medicina, alguém sempre diz que você é louco. A escola de Lençóis sempre foi uma escola muito otimista. Nós estamos trabalhando para prover essas novas informações, essas novas competências e sabemos que as novas exigências são cada vez maiores e que o funil cada vez mais estreitinho. Será cada vez maior o número de pessoas que entram e menor o número de pessoas que saem com as competências que o mercado exige. Nós temos essa visão, somos otimistas e acreditamos que isso é possível. Então é evidente que o Senai não é uma ilha, nós estamos no contexto social, político e econômico.