08 de julho de 2026
Geral

Samba e criatividade salvam Coroa

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 5 min

Escola do Geisel enfrenta problemas com carros e alas, mas passa animada

Entrando na avenida com mais de 20 minutos de atraso, a Coroa Imperial da Grande Cidade foi a última escola a se apresentar no Sambódromo, na noite de sábado. Fazendo um desfile aquém do esperado, a vice-campeã do ano passado fez o que pôde após passar apuros na concentração.

O que deve salvar o Carnaval da Coroa este ano são o enredo (e o bom samba, de Léo do Rasi) e a criatividade do carnavalesco Jorge Santana. O tema alegre e muito coerente com a festa - Depois das 18, te Encontro, te Encanto e te Conto - sugere descontração e bom humor.

Na concepção do carnavalesco, prejudicada apenas pela falta de acabamento das fantasias e carros alegóricos, o desfile era dividido em partes, como a chegada da noite, seus personagens, encantos e o seu final, simbolizado pelo sono e descanso.

A comissão de frente, toda em preto e prata, veio como os guardiões da noite, anunciando sua chegada. O carro abre-alas seguiu as mesmas tonalidades, muito enfeitado e carregando uma grande coroa, símbolo da escola do Geisel.

Seguiram-se as alas Anoiteceu, a Hare Krishna e uma das mais felizes saídas de Santana, a ala dos bichos grilos, com fantasias fazendo alusão aos neo-hippies noturnos. O segundo carro, que simbolizaria um bar, não estava completo e deu impressão de improviso de última hora.

Outro carro incompleto foi o Boate Coroa Disco Clube, salvo pelas animadas drag-queens em destaque.

A criação das alas e dos carros, se não revelaram luxo, pelo menos deram pistas de criatividade do carnavalesco, sempre buscando sair do convencional. Ponto para ele.

As baianas, vestidas de floristas, eram as mais animadas na avenida e fizeram um show de charme e descontração.

A bateria fez a diferença na escola. Com problemas na fantasia - os integrantes desfilaram sem adornos de cabeça - a ala nota dez de 2000 confirmou a maestria do mestre Landinho. Todo vestido de dourado, ele conduziu o coração da escola com dignidade e fez o Sambódromo balançar.

Para a noite de hoje, a Coroa deve se estruturar melhor que no desfile de sábado. É esperado também um número maior de componentes. De 1000 integrantes anunciados pela escola, só 360 desfilaram. (RP)

Para carnavalesco, escola superou estresse inicial

Texto: Daniela Bochembuzo

Depois do estresse vivido na concentração, os integrantes da Coroa Imperial da Grande Cidade chegaram à dispersão aliviados e comemorando o que consideram um grande desfile.

Pelo meu cansaço, penso que fizemos um superdesfile. Independente de qualquer coisa, é maravilhoso porque é muito trabalho. É dificílimo ser carnavalesco e, de qualquer forma, o resultado é muito válido, afirma Jorge Santana, carnavalesco da Coroa.

Santana desfilou na ala de passistas, como destaque de chão. Fantasiado em preto e prata, o carnavalesco sambou do começo ao fim, chamando o público a participar do desfile com palmas. Fazia cinco anos que não desfilava. Foi maravilho, mas muito cansativo, opina.

Diferente de anteontem, Santana quer driblar, no segundo desfile, o estresse da concentração fazendo o acabamento dos carros alegóricos. O trabalho iria ser realizado ontem. Acredito que segunda-feira, os carros estejam dentro do figurino. Mas, independente do resultado, a gente queria que a Coroa viesse bem e veio, sustenta.

Se depender de mestre Landinho, pelo menos a bateria da escola conseguirá a nota máxima. A minha bateria é dez e sempre será dez. O meu trabalho eu garanto, agora o restante da escola não posso garantir, porque não faço parte de alas, de comissão de frente, não sei como foi o andamento. Se cada um olhar o seu lado, a escola de samba consegue, sim, a nota máxima, opina.

Apesar de toda a garra demonstrada por sua bateria, mestre Landinho avalia que o público reagiu ao desfile sem muito entusiasmo. A arquibancada estava um pouco fria. O desfile teve um pouco de atraso por causa de problemas corriqueiros, como com fantasia, condução, algo comum a escolas com pouco dinheiro. O atraso na liberação das verbas prejudicou muito o trabalho, explica.

Com essa resposta, Landinho minimiza o esvaziamento da arquibancada motivado pelo preço dos ingressos - considerado alto por muitos carnavalescos. O valor do ingresso está sensacional. É R$ 3,00 mesmo. É o preço que a pessoa paga por três cervejas. O pessoal desacostumou. Mas logo, logo, eles acostumam e voltam para ver o espetáculo, acredita. (DB)

Tempo esquenta na concentração

Texto: Fabiano Alcantara

A 15 minutos de ganhar a pista do Sambódromo, a Coroa Imperial não tem ninguém a postos. Em uma roda na concentração, as baianas rezam o Pai Nosso, de mãos dadas. Enquanto isso, a sirene que determina a entrada da escola soa três vezes.

Mesmo sem os destaques sobre os carros alegóricos, as portas se abrem, o locutor anuncia a escola e, só então, a bateria engrena sua batida alucinada.

Ao lado do último carro, o carnavalesco Jorge Santana conversa com um destaque. Ele não quer ir para cima do carro com a empilhadeira, está nervoso. Problemas na comissão de frente, nos carros, na diretoria. A concentração é uma bolha, só explode quando a escola entra.

Jorge Santana corre atrás de um diretor de harmonia que teria dito: Vamos perder ponto por sua causa. O carnavalesco é contido, mas machuca a mão dando socos no diretor.

Até eu entro na dança. Ei, você que é mais alto, ajuda aqui... Jogo tecido sobre o arame de uma fantasia da comissão de frente. Ao meu lado, a repórter de uma emissora de TV também ajuda. Vamos lá, ela grita. E lá vai a Coroa Imperial. Dos bastidores para os holofotes.