09 de julho de 2026
Geral

Saúde por 5 bilhões

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Foi preciso que resquícios da antiga cólera do Peru e países vizinhos mostrassem agora os dentes ponteagudos para que, olhos esbugalhados, os principais responsáveis pela saúde no nosso território se despertassem com mais preocupação para as necessidades que o saneamento básico sempre impuseram em todos os municípios brasileiros, até mesmo os mais progressistas. E aí estão os técnicos desenvolvendo levantamentos geográficos nos setores e os economistas dos Ministérios envolvidos na problemática estimando o montante que o Governo terá de desembolsar, a médio prazo, para elevar o índice sanitário das comunidades.

Estimativas primárias dão conta de que com 5 bilhões de reais o País poderá vir a ostentar parâmetros razoáveis de saneamento e, conseqüentemente, pôr-se em situação menos arriscada diante dos arreganhos da cólera, ora se aproximando de nós a índices de gatos pingados, mas que poderão ganhar conotações que não se desejam nem a inimigos confessos. Contudo, ainda que não tivéssemos a fera nos calcanhares, querendo pegar-se pelos pés, é indubitável que a aplicação da elevada soma seria altamente compensadora, dentro da filosofia de que a Nação precisa gastar essa fortuna não exatamente por causa da enfermidade e, sim, pela necessidade de soerguer seus índices sanitários de uma forma geral, classificados de preocupantes pelos poderes públicos porque cerca de 240 mil brasileiros estão morrendo em média, anualmente, em consequência de enfermidades veiculadas pela água nada potável da qual se servem para matar a sede, para cozinhar os seus alimentos, para lavar verduras e legumes e até mesmo para se higienizar.

Diz-se que dos males podem tirar-se proveitos e aí está, provando à curiosidade dos que a tenham, a epidemia que, em anos passados, levou à sepultura mais de 160 mil peruanos. Resta, então, que o Governo brasileiro não seja avaro diante do problema e abra os cofres tanto quanto as condições o permitam a fim de livrar a Nação de suas preocupações atuais e, ao mesmo tempo, atender imposições das cirunstâncias futuras, executando as faltantes obras de abastecimento de água para todos os fins (Fernado Henrique Cardoso disse há dias que o Brasil precisa de água), canalização de esgotos insistentemente reclamada pelas comunidades e supressão ou combate das enchentes nas cidades grandes, entre elas São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Salvador etc. A nossa Paulicéia, por exemplo, quanto mais cresce menos salutar se torna. Notando os vizinhos com as barbas ardendo pelo incêndio, compete aos brasileiros colocarem de molho as suas também, prevenindo-se de surtos algo perigosos, inclusive porque não estamos muito distantes do braseiro. Prevenindo não se precisa remediar... É a nossa opinião.

(*) N. Serra, jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.