Perto do Carnaval a cidade estremece. Nos subterrâneos de nossa indiferença a alma esfria e os criminosos jogam pesado. Falam de igual para igual com os poderes oficialmente ausentes, que também cometem crimes, mas enqueijam-se nas pizzas de nossas CPIs mais sinceras.
A guerra civil alienante e bárbara ganha notoriedade, não há ideologia, somente drogas, armas, roubos, chacinas, assassinatos, uma falsa revolução sem pé e nem cabeça, fruto de uma sociedade viciada no consumo exacerbado e na ganância..
Onde estão os magos de nossa universidade, possivelmente na Europa, bem longe daqui, distante do Carandiru, de Itirapina, de Tremembé, das feras indomadas e poderosas, pois o crime, neste país, sempre compensou e seus praticantes tornam-se poderosos e influentes.
Temos cada vez menos escolas e professores preparados e mais cadeias. Nossa histórica PENITENCIÁRIA sempre abrigou na sua maioria negros e pobres, pois nossa justiça é branca e rica.
Ao longo dos anos fomos ajudando a formar seres deformados na alma, no caráter e, hoje, espertos bandidos, conseguem arrebanhar um exército de penitenciados e promover uma ação contra o sistema, que nem eles sabem definir o que é. Não são intelectuais, são subumanos, apesar de manipularem com perfeição armas modernas e mesmo enclausurados compõem um exército milionário de 20 mil homens, tiranossauros, detentores de bens e de frutos do crime organizado.
Os juízes estudam e não conseguem definir penas alternativas, os legisladores estão mais preocupados em vantagens pessoais do que desenvolver leis adequadas à situação atual e o Executivo é desafiado, pois dá sinais de desequilíbrio e omissão. Aliás, há 500 anos fabricamos monstros os quais, agora genetica e belicamente mais preparados, ameaçam destruir sem nenhuma noção social, o estado e o que estiver na frente, sendo que as pessoas de bem padecem; pois, não somos nem estado e nem bandidos, sendo que muito de nossos mocinhos, fardados ou não, fazem parte do crime organizado, assim como muitos dos familiares dos penitenciados, que sem a conivência dos mesmos, não teriam mais uma vez proclamado de que nessa terra o crime compensa.
Se tudo continuar como está, logo teremos uma população enclausurada, igual ou maior daquela que falsamente acredita que está em liberdade. Somos presidiários de nossa própria omissão.
José Luiz Adeve (Cometa), radialista, video-produtor, poeta, músico e ator. Parceiro do Instituto Terra Viva Paulistano, criador de inúmeras crônicas e espetáculos lítero-musicais, entre eles: Lira e Cometa na paulicéia, Movimento Frangofágico. ...Enquanto isso no Bar do Siará..., entre outros. (Instituto Terra Viva, responsável Rosa Morselli - terravivabr@uol.com.br)