Repasse de recursos seria insuficiente para a manutenção adequada de equipamentos, colocando população em risco
O Corpo de Bombeiros de Bauru está na U.T.I.. Sem receber da Prefeitura verbas suficientes para realizar a manutenção adequada de seus equipamentos, a corporação não tem hoje como atender incêndios em prédios e grandes acidentes, como o que envolveu dezenas de bóias-frias na estrada que liga Bauru a Pederneiras, há alguns anos.
Essa situação traz insegurança para os profissionais que atuam nas operações e para a população, que corre o risco de não receber o atendimento necessário, afirma o coronel Afonso Di Vitta, comandante do 12.º Grupamento de Bombeiros, responsável pelas cidades de Bauru, Jaú, Botucatu e Lins.
Problemas ocasionados pela falta de infra-estrutura da corporação foram verificados pelo JC no último sábado, quando a viatura de resgate do Corpo de Bombeiros foi acionada para atender um acidente envolvendo uma Brasília e um caminhão Scania, na rodovia Marechal Rondon.
A viatura que chegou ao local do acidente não dispunha de tesoura hidráulica para cortar as ferragens. Em razão disso, outra viatura foi chamada, mas o equipamento desta não funcionou, motivando os bombeiros a pedir auxílio de uma unidade da Prefeitura, para que uma enfermeira e um médico atendessem os feridos enquantos se tentava abrir as ferragens.
Se os equipamentos recebessem a manutenção correta e fossem repostos a contento, não teria havido necessidade de se chamar três viaturas. Da mesma maneira, cinco das 14 viaturas das quais dispõe a corporação não teriam sido desativadas e uma outra não estaria operando com restrição.
Além disso, os 135 bombeiros em atuação em Bauru não contam hoje com número suficiente de capacetes e outros equipamentos de segurança, como presilhas para atendimento em altura. Algumas mangueiras, utilizadas para apagamento de incêndio, precisam ser trocadas urgentemente. Se não isso não for feito, podem estourar, podendo provocar até mesmo a morte dos bombeiros em serviço e das vítimas.
Criado em 1953 por legislação municipal, o Corpo de Bombeiros de Bauru entrou em operação em junho de 1956, durante a administração do prefeito Nicola Avallone Jr.. Naquela época, o Município firmou convênio com a Secretaria do Estado da Segurança Pública no sentido de contribuir com repasses de verbas para a manutenção da corporação - a contrapartida do Estado era o pagamento dos salários dos profissionais. Desde então, essa é a pior crise enfrentada pela corporação.
Anualmente, a Prefeitura repassa cerca de R$ 140 mil para o Corpo de Bombeiros, enquanto o Estado aplica quase o mesmo valor por mês em pagamento dos salários dos profissionais. Os recursos destinados pelo Município, no entanto, cobrem apenas alimentação e pagamento de contas de água e luz, sendo insuficientes para a manutenção e compra de equipamentos, muitos dos quais encontrados apenas no exterior.
Todo material tem seu período de desgaste e precisa receber manutenção, caso contrário, deixa de funcionar. Precisamos de mais recursos e tenho certeza que o senhor prefeito, que está a par da situação da corporação, irá nos ajudar. Tenho certeza que podemos chegar a um denominador comum, afirma o comandante Di Vitta.