08 de julho de 2026
Geral

Rei morto, rei posto!

(*) N. Serra
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A conversão para os partidos de esquerda, manifestada pelo eleitorado nas últimas eleições em muitas das principais cidades do País, destacadamente a Capital paulista, onde o povo surpreendeu escolhendo uma mulher para comandar os destinos da grande cidade, não pode levar os eleitos ao desvario do êxtase a ponto de considerarem que o seu triunfo seja imperturbável e definitivo. Não pode, é evidente que não, pois que o indicador das urnas, longe de representar uma cristalina e desinteressada oblação do eleitorado, constitui, antes de mais nada, uma notória tentativa de mudar o que esteja errado e não corresponda. E essa realidade lança uma carga pesadíssima de exigências e responsabilidades aos ombros da grande massa de novos mandatários, os quais, ipso fato, não terão tempo bastante, desde logo, para se refestelarem por instantes que sejam na fofa e repousante esteira da glória, uma vez que, se o fizerem, correrão o risco da mesma substituição que se abateu há pouco sobre os homens do poder, os quais, cegos pelo esplendor da vitória a partir do outro pleito, caíram no ledo engano de que jamais seriam destronados... E despencaram de quatro!

A sociedade, que sustenta as máquinas administrativas federal, estaduais e municipais, para que a governem a contento, solucionando seus problemas conjunturais com vistas ao seu bem-estar e ao desenvolvimento da Nação no seu todo, não esquece os que falham ou fracassam no exercício dos seus mandatos e está sempre pronta para dar-lhes a devida reprimenda, condenando-os aos ostracismo na primeira oportunidade que se lhe oferecer, como acaba de fazer, conforme objeto do início deste comentário. Incumbe, portanto, às esquerdas emergentes, ora se levantando nos governos municipais e com os olhos bem voltados para os executivos estaduais e até mesmo para o Planalto, semeado e erguido por Kubitscheck, voltar suas vistas aprofundadamente para seus novos caminhos, a fim de que não venham a tomar veredas e atalhos que as conduzam a desviar-se das naturais aspirações daqueles que as estão direcionando para o poder maior. Lembrem-se os novos mandatários do retrospecto em tela para não se esquecerem de que, se deixarem de corresponder ao voto de alta confiança que acabam de receber, virão a ser substituídos também pela implacabilidade do julgamento popular, segundo a filosofia de que rei morto, rei posto... É a nossa opinião!

(*) N. Serra, jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.