08 de julho de 2026
Geral

Rebelião muda rotina do PS Central

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Atendimento aos 16 feridos, entre eles quatro agentes e três presos baleados, exigiu isolamento de áreas da unidade

O Pronto-Socorro Municipal Central de Bauru teve um dia de movimento atípico ontem, entre 11 e 16 horas. O atendimento de urgência prestado a agentes penitenciários e detentos feridos durante a rebelião da Penitenciária II exigiu mudanças de última hora e a presença da secretária municipal de Saúde, Eliane Fetter Telles Nunes, no local. Áreas da unidade foram isoladas para receber os presidiários e os usuários comuns foram orientados, via emissoras de rádio e TV, a evitar o local durante todo o dia. A princípio, houve um pequeno tumulto na parte externa do PS, provocado, principalmente, por familiares de presos à procura de informações.

Comunicada do fato pela PM, a secretária determinou o imediato esvaziamento da sala de espera. Fui informada apenas que nos levariam 16 pessoas feridas na rebelião. Não sabíamos qual era a gravidade que enfrentaríamos, razão pela qual decidimos afastar a clientela comum a fim de evitar tumultos e constrangimentos. A própria polícia nos orientou dessa forma, até porque poderia haver a possibilidade de um eventual resgate dos presos. Estranha ou felizmente, o movimento estava fraco no PS naquele horário, aliviou-se a secretária. Toda a equipe de plantonistas ficou à disposição dos feridos, que começaram a ser atendidos por volta do meio-dia em uma enfermaria isolada exclusivamente para recebê-los. Segundo Eliane, nenhum paciente comum foi prejudicado por conta das mudanças. Como eu venho falando há tempos, a maioria das pessoas que estavam lá não precisava de atendimento urgente. Eram casos de gripe e indisposição, o que nos deixou tranqüilos para dispensá-los e encaminhá-los às unidades descentralizadas e aos núcleos de saúde. Também comunicamos cidades vizinhas como Agudos e Piratininga, de onde vêm a maioria dos nossos pacientes de fora, para que suspendessem os encaminhamentos ao PS Central. Tomamos as providências como se não soubéssemos do desfecho da rebelião e realmente não sabíamos. Felizmente, tudo foi normalizado no meio da tarde, mas isso poderia não ter acontecido, justificou.

De acordo com a secretária, apenas três dos 16 atendidos necessitaram de tratamento mais sério, dois deles feridos à bala no confronto com a polícia. Os quatro agentes penitenciários, que ficaram reféns dos rebelados, apanharam e sofreram escoriações e pequenos cortes superficiais no rosto. Nove detentos, com cortes e machucados provocados provavelmente por estiletes, foram atendidos e liberados na seqüência.

Os presos baleados aguardavam na tarde de ontem consulta ortopédica e, possivelmente, teriam que ser operados para a retirada dos projéteis. Um foi atingido no joelho e o outro, teve a bala alojada no fêmur. O caso mais grave foi de um presidiário que, aparentemente, estava bem, mas que acabou sendo submetido à uma cirurgia de emergência por conta de uma ruptura no baço. O estado dele era estável, sem risco de morte.

Nem a polícia nem o Pronto-Socorro forneceram os nomes dos detentos ao JC. A secretária da Saúde argumentou que, assim como qualquer outro paciente, esse tipo de informação é sigilosa. Ao entrar no PS, eles deixaram de ser presidiários para se tornarem pacientes comuns, destacou.