O presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Bauru (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, informou que, na próxima semana, motoristas de ônibus das empresas de transporte coletivo da cidade poderão iniciar algumas paralisações relâmpago durante as atividades.
De acordo com ele, seria o início de uma fase de protestos com o objetivo de chamar a atenção da Polícia Militar (PM), governo municipal, Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e de políticos locais sobre os problemas de assaltos a ônibus, que segundo Silva, estão aumentando muito.
O comandante da Força Tática da PM, capitão Manoel Messias Melo, afirma que, desde o ano passado, o número de abordagens a ônibus realizadas pela polícia vem sendo ampliado e que essas vistorias e a ação dos policiais têm sido eficazes.
De acordo com o presidente do Sindtran, se as paralisações previstas realmente ocorrerem e não houver resultados, a categoria poderá partir para uma greve do sistema de transporte coletivo. Nós lamentamos pela população, que será prejudicada com essas paralisações. Mas, a situação chegou a um ponto crítico. Nós não agüentamos mais continuar fazendo reuniões para discutir o assunto e não ver mudanças nem resultados concretos. O número de assaltos a ônibus vem aumentando muito, motoristas e cobradores vêm sendo agredidos e até ameaçados. Os órgões competentes precisam tomar atitudes rápidas. Queremos que a polícia tenha uma atuação mais intensa sobre essa situação. Sem segurança, não terá transporte coletivo. , enfatiza.
As linhas de ônibus que costumam ser alvo do maior número de assaltos são a do Jardim Carolina, Granja Cecília, Gasparini, Jaraguá, Pousadas I e II, Vila São Paulo, Santa Cândida, Parque dos Sabiás e José Regino. A abordagem dos assaltantes ocorreria nos mais diversos horários, inclusive, durante o dia, segundo o predidente do Sindtran. De janeiro até ontem, o sindicato registrou 43 assaltos, entre as três empresas de transporte coletivo da cidade.
Silva diz que, desde o ano passado, o sindicato vem realizando reuniões constantes com a Polícia Militar (PM) e com a Emdurb no intuito de elaborar em esquema de policiamento que forneça mais segurança a motoristas, cobradores e usuários. Porém, segundo ele, pouco estaria sendo feito e a quantidade de assaltos estaria aumentando.
De acordo com Silva, no ano passado o sindicato teria sugerido à PM que os policiais fizessem abordagens constantes junto aos ônibus, durante todo o dia, para verificar a situação dentro do veículo, principalmente nas linhas mais críticas. Mas, o presidente do Sindtran diz que isso não tem sido feito.
Silva conta que, na semana passada, o motorista e o cobrador de uma determinada linha foram assaltados no domingo e na terça-feira. Outro motorista, teria levado uma coronhada de um assaltante.
Polícia contesta falta de ação
O comandante da Força Tática da PM, capitão Manoel Messias Melo, não concorda com as informações e observações do presidente do Sindtran. Segundo ele, durante o ano passado, cada equipe do Tático realizou 20 abordagens por mês a ônibus coletivos, sem contar os outros grupos da PM. Com um total de seis equipes no Tático, chega-se a uma média de 120 abordagens mensais. Este ano, o esquema continuaria o mesmo, segundo afirma o capitão.
De acordo com ele, as abordagens ocorrem tanto durante o percurso dos ônibus, quanto nos pontos finais de parada. Em relação às localidades periféricas, onde a possibilidade de assaltos é maior, também estaria havendo um grande empenho da PM quanto à segurança. Quando algumas viaturas estão disponíveis, obviamente, a polícia tem colocado pontos de estacionamento em paradas de ônibus mais afastadas, onde a ocorrência de assaltos é maior. Já foram, inclusive, feitas algumas prisões em flagrante e, certamente, a presença da polícia nesses locais e dentro dos ônibus, durante as abordagens, tem evitado muitos problemas, observa o capitão, que diz que, talvez, o presidente do Sindtran não tenha conhecimento sobre todas essas operações.
O capitão acrescenta, ainda, que está faltando um contato mais próximo entre a polícia e o sindicato para que essas questões sejam tratadas. O sindicato não tem nos procurado, pelo menos aqui na Força Tática, para falar sobre o assunto e discutir possíveis estratégias de atuação nesses casos. O que posso garantir é que temos nos empenhado bastante e realizado ações importantes na coibição desse tipo de delito. Além disso, estamos abertos a sugestões do sindicato no sentido de melhorar essa situação, destaca o capitão Messias.