08 de julho de 2026
Geral

Grite Lola, grite!

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Produção mineira protagonizada pelo premiado ator e diretor Roberto Cordovani conta com músicas proibidas pelo nazismo

Uma requintada produção teatral mineira abre a agenda de espetáculos deste mês, no Teatro Municipal. Lola, musical escrito, dirigido e protagonizado por Roberto Cordovani, é uma adaptação livre do filme homônimo do cineasta alemão Fassbinder.

O espetáculo será apresentado hoje, às 21 horas, e amanhã, às 20 horas. A apresentação faz parte das atividades da Exmarte (Exposição Mulher e Arte), organizada pela Secretaria Municipal de Cultura.

A peça conta a história de um travesti da Alemanha nazista e reproduz toda a ostentação da época, retratada com figurinos de Dior e Chanel, em mais de 50 trocas de roupa.

A trilha sonora, gravada em CD, traz arranjos do maestro paulista Charles Dalla para as músicas de cabaré da Alemanha dos anos 30, em partituras proibidas pelo nazismo.

A versão das letras foi viabilizada através do Instituto Goethe, de São Paulo e pela editora executiva da Unesp e tradutora, Christine Rohrig.

A primeira faixa do disco - Lili Marlene - tem versão em parceria de Christine com o cantor e compositor Renato Teixeira.

Lola quer provocar uma reflexão sobre justiça social e ética, questões que ultrapassam histórias políticas de cada país e acabam interferindo no campo do indivíduo, do pessoal.

A personagem, protagonizada por Cordovani, faz o elo de ligação destas relações e das negociatas que aconteciam dentro dos cabarés.

Em meio a isso, Lola acaba se envolvendo com um funcionário público, que durante o período nazista, ajudou a construir campos de concentração.

A figura de Hitler, vivida pelo ator-dançarino carioca Christiano Sanches, aparece de forma não realista e ocupa um espaço físico, distinto dos demais - uma espécie de espectro que fica em um plano diferente do restante do elenco. Este, que conta com atores mineiros, dança coreografias assinadas por Rui Moreira.

Cordovani revela algumas facetas da complexa personalidade de Lola. É o primeiro papel que faço em que a personagem não demonstra nenhum afeto em seus envolvimentos amorosos. Ela é totalmente fria e procura estar sempre ao lado dos vencedores, afirma.

O espetáculo fez sua última temporada em Belo Horizonte, antes de seguir viagem para o mundo. Além de todo o estado de São Paulo, a montagem vai para Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Manaus, Argentina, Venezuela, Bolívia e Colômbia. Em agosto, segue para a Europa, com apresentações na Espanha, Portugal, França e Alemanha.

Serviço

Lola, hoje, 21h e amanhã, 20h, no Teatro Municipal. Ingressos: R$ 18,00 (inteira), R$ 9,00 (estudantes) e R$ 14,00 (c/ bônus) - à venda no local hoje, das 9h às 13h e após 15h; amanhã, após 17h. Apoio: Saint Paul Residence, Restaurante Lalai, Empório Árabe, Alex Restaurante, Victória Choperia, Padaria Copacabana, Gráfica Coelho, 1900 Artes Decorações & Cia., Sociedade Italiana Dante Alighieri, Secretaria Municipal de Cultura, Prata Cargas, Unesp FM, 96 FM e Jornal da Cidade. O Teatro fica na avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: 235-1072.

Ator é especialista em papéis femininos

Reconhecido pelo público e pela crítica, nacional e internacionalmente, Roberto Cordovani vem desde a década de 70 viajando com seus espetáculos pelo Brasil (e mais nove países), além de mais de 420 cidades européias, sempre atuando em português.

Há alguns anos, o ator e diretor paulista cria e desempenha papéis femininos em elogiadas atuações, como Greta Garbo, Isadora Duncan e Eva Perón.

Cordovani é o ator brasileiro que mais foi premiado, individualmente, em âmbito internacional. O reconhecimento inclui diversas premiações em importantes festivais de teatro em Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Argentina e Brasil.

Lola é seu primeiro papel como travesti e ele chama a atenção para o fato de que sua interpretação é muito mais postura que simples caricatura.