08 de julho de 2026
Geral

Lixão de Agudos é alvo de protestos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Mau cheiro, fumaça, moscas e o risco da dengue, fazem parte do cotidiano de famílias que moram próximas ao lixão

Agudos - Moradores de fazendas próximas ao local onde são depositadas as 15 toneladas de lixo produzidas diariamente pela população de Agudos estão pressionando as autoridades municipais para que interrompam esse serviço. Além de incomodá-los, o lixão (como é mais conhecido) estaria agredindo o meio ambiente pela forma como vêm sendo feitos os depósitos dos detritos sólidos, que ficam expostos a céu aberto, contrariando todas as normas da legislação ambiental em vigência.

De acordo com o pecuarista João Augusto Françoso, 56 anos, proprietário de uma fazenda que fica ao lado do lixão, o local passou a ser visitado com freqüência pelos caminhões coletores de lixo há aproximadamente dois anos. A partir daí, o sossego de todas as famílias que residem próximo ao local virou fumaça, literalmente. Segundo Françoso, todos os dias, sempre no fim da tarde, ateia-se fogo na montanha de lixo recolhida. Tal procedimento tem irritado os moradores, pois o resultado disso é a formação diária de uma nuvem de fumaça, que pode até não ser tóxica, mas incomoda muito. Para deixar a situação ainda mais insustentável, no meio desses moradores existem pessoas com graves problemas respiratórios.

É o caso da dona-de-casa Célia Maria Monteiro Paulo, 41 anos, e de sua filha Andréia, 22 anos. Ambas têm sofrido com a fumaça que vem do lixão, localizado a cerca de 500 metros de sua residência. Enquanto, a mãe passou a ter freqüentes crises de bronquite, a filha piorou em sua alergia, devido à queda na qualidade do ar.

Quando começaram a depositar o lixo, fizeram-no com o pretexto de tapar uma erosão. Acontece que essa erosão foi tapada, mas o serviço continuou, informa o pecuarista Françoso, que desistiu de convidar parentes e amigos paulistanos para passar fins de semana e feriados em sua fazenda. Segundo ele, o tão decantado ar puro com o qual é identificado o Interior, deixou de existir. O mau cheiro exalado pelo lixo, principalmente em épocas de chuva, segundo declarou o pecuarista, lembra muito os passeios pela marginal do rio Tietê, na Capital paulista.

Além do mau cheiro e da fumaça, existe também uma preocupação muito grande em relação à possível contaminação dos lençóis freáticos, que abastecem as fazendas próximas. Há também o risco de formação de focos do mosquito transmissor da dengue. Dezenas de pneus estão depositados junto aos lixos domésticos. Com a chuva, esses pneus passam fatalmente a reter água e tornam-se potenciais criadouros do mosquito, representando um perigo a mais na lista dos inconvenientes criados pelo lixão.

Aqui não se usou critério nenhum para o depósito do lixo, simplesmente foram jogando. Tem até cavalo morto lá, sem falar de substâncias que a gente nem sabe o que é. Não posso falar que existe resíduo hospitalar, porque nunca vi, disse Françoso. Se o pecuarista ainda não viu tais resíduos, infelizmente pode ter sido por descuido ou falta de atenção. A reportagem do Jornal da Cidade, em visita ao local, pôde conferir a existência dos mesmos. Em um curto espaço, foram encontradas duas bolsas, usadas geralmente na coleta de sangue ou no armazenamento de soro, jogadas sobre o terreno.

Cheguei a falar com o ex-prefeito (Afonso Condi) e com o agrônomo da época, mas eles sempre diziam que a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) ainda não havia aprovado o projeto para a construção de um aterro sanitário. Também já fui procurar o atual prefeito (Carlos Octaviani), mas infelizmente a situação continua a mesma. Ou seja, essa lenga-lenga já faz mais de um ano. Não tenho mais para quem recorrer, desabafou Françoso.