08 de julho de 2026
Geral

PM/Jaú muda tática contra racha

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Depois do envolvimento de duas viaturas da PM em acidentes enquanto tentavam evitar rachas, a estratégia mudou

Jaú - A Polícia Militar de Jaú resolveu mudar sua estratégia para evitar que os famosos rachas continuassem ocorrendo nas principais avenidas da cidade. Até então, a tática dos policiais resumia-se em formar uma barreira com os veículos da corporação para surpreender os infratores.

Com o tempo, a ousadia desses maus motoristas foi ganhando corpo e essas barreiras passaram a não ser suficientes. Muitos até mesmo chocavam-se contra os veículos, tentando escapar do cerco policial, contou o capitão Aírton Troijo, comandante da 1ª Companhia de Polícia Militar de Jaú.

Hoje, a PM investe numa iniciativa que prima mais pela prevenção do que pela repressão. Todas as sextas-feiras, sábados e feriados, policiais à paisana ficam antenados em pontos estratégicos, nas principais avenidas da cidade, apenas observando a movimentação de veículos. Qualquer procedimento que fuja à normalidade e passe a representar perigo aos demais motoristas ou pedestres é registrado. A identificação dos veículos que participam de eventuais rachas ou arrancadas mais bruscas é anotada por esses policiais.

Em seguida, a relação dos veículos que abusaram da velocidade, e suas respectivas infrações, é encaminhada ao diretor da 11ª Ciretran de Jaú. A relação segue anexada a um ofício, em que o comandante Troijo sugere a intimação dos proprietários e a vistoria dos veículos envolvidos.

Além disso, é solicitada também a realização de pequenas palestras buscando a conscientização dos motoristas. A criação de cadastros para servir como fontes de pesquisas futuras é outra solicitação feita pelo comandante ao diretor da Ciretran.

Dependendo do tipo de infração cometida, Troijo declarou que inquéritos podem ser abertos para investigar melhor o caso, e chegar até mesmo a abertura de processo criminal contra os infratores.

A ação dos policiais geralmente ocorre durante a madrugada - período considerado de maior incidência das infrações. Eles dividem-se entre os pontos considerados mais críticos, como as avenidas João Franceschi, Ana Claudina, João Ferraz Neto, Isaltina do Amaral Carvalho e Netinho Prado, entre outras. A idéia, segundo o comandante, partiu da própria PM de Jaú e foi colocada em prática no mês passado. A julgar pelo entusiasmo do capitão Troijo, o novo procedimento deve ter vida longa.

Segundo ele, o trabalho de conscientização é uma tarefa árdua e necessita de tempo para dar seus resultados. A exemplo do que dizem os psicólogos, Troijo acredita também que a busca pela auto-afirmação seria um dos principais fatores de motivação para aqueles que procuram transgredir, com os rachas (muitas vezes criminosos), todas as regras de trânsito. Nessa hora, o veículo torna-se uma arma perigosa nas mãos dessas pessoas, acredita o comandante.

Segundo ele, nem mesmo a construção de obstáculos, ao longo das avenidas, tem impedido a ação inconseqüente dos adeptos do racha.

De acordo com o artigo 308 do Código Nacional de Trânsito, em sua seção criminal, participar, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística não autorizada, que resulte em dano potencial, pode render uma pena que varia de seis meses a dois anos de cadeia, além de outras penalidades.

Outro artigo, o 175, do CNT, classifica a cantada de pneu como infração gravíssima, cabendo, neste caso, multa de 180 Ufirs, apreensão imediata do veículo e suspensão da Carteira de Habilitação de seu condutor.

Um jovem de 24 anos de idade, que preferiu o anonimato, foi flagrado, recentemente, pela PM enquanto praticava racha. Foi encaminhado para o Ciretran, onde seu veículo, um Ômega, passou por vistorias e foi constatado irregularidades no escapamento, que emitia ruído acima do normal. Segundo ele, outros veículos vistoriados estavam em situações ainda mais inadequadas. Mesmo assim, disse ter reconhecido o erro.

Alertado sobre a possibilidade de ter a Carteira de Habilitação apreendida e ainda pagar multa, caso fosse pego novamente praticando racha, ele se disse assustado. O que eu fiz foi uma besteira. Foi mais por diversão. Mas o que aconteceu comigo foi um aviso. Resolvi parar antes que seja tarde, afirmou.