Uma manifetação, realizada em frente às empresas de transporte urbano, teve o objetivo de pressionar as autoridades
O Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Bauru (Sindtran), coordenado por Elias Pinheiro da Silva, realizou, ontem, por volta das 5 horas da madrugada, uma manifestação em frente às três empresas do sistema de transporte coletivo da cidade, ECCB, TUA e Kuba. Segundo Silva, a primeira paralisacão relâmpago, que já era anunciada pelo sindicato, foi um sucesso e teve como objetivo pressionar a Polícia Militar (PM), a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e as três empresas de transporte a agilizar as medidas que foram definidas, durante a reunião da última terça-feira, em relação à intensificação da segurança de motoristas, cobradores e usuários do sistema contra assaltos.
De acordo com Silva, a manifestação teve adesão total por parte dos trabalhadores e durou cerca de 30 minutos. Para ele, pelo horário em que a manifestação foi realizada a população não teria sofrido grandes transtornos.
O nosso objetivo é mostrar às empresas, à Emdurb e à PM que a categoria está unida e que nós temos pressa em ver as medidas que foram combinadas durante a reunião desta semana sendo colocadas em prática. Temos plena consciência de que oferecemos um serviço essencial à população e não queremos atrapalhar a vida de ninguém. Mas, a nossa maior preocupação tem sido com a segurança dos trabalhadores e dos próprios usuários, já que os assaltos vêm aumentando tanto. Todos aderiram e, com isso, mostramos que estamos unidos e que, se houver necessidade de um movimento mais contundente, nós poderemos contar com a categoria, disse o presidente do sindicato.
Porém, o gerente operacional da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), José Edson Alves, afirmou que os funcionários da companhia não aderiram à paralisação comandada pelo sindicato. Segundo ele, os manifestantes realmente foram até a porta da empresa, por volta das 5 horas. Mas, através de uma conversa, Alves teria convencido os funcionários da ECCB a não participarem da manifestação.
Os manifestantes foram até a porta da garagem da empresa para tentar mobilizar os funcionários. Mas, eu conversei com eles e todos saíram normalmente para as suas atividades, sem atraso nenhum. Da nossa parte, não houve adesão e os usuários não foram prejudicados, afirmou o gerente.
O encarregado de tráfego da Kuba, Delton Aparecido Rodrigues, confirmou que, nessa empresa, houve adesão dos funcionários à manifestação sindical. Por esse motivo, a frota de ônibus iniciou as atividades com cerca de 20 a 30 minutos de atraso, já que a paralisação começou por volta das 5 horas e o primeiro ônibus da Kuba saiu da garagem às 5h20.
De acordo com Rodrigues, a empresa desaprova totalmente a iniciativa do sindicato. Apesar dos nossos funcionários terem aderido, nós consideramos essa manifestação muito negativa. O objetivo deles é lutar pelo bem e pela segurança da categoria e da população usuária do serviço de transporte coletivo, mas, são os próprios usuários os maiores prejudicados com atitudes como essa. Hoje (ontem), a nossa frota de ônibus atrasou o início das atividades, porque o primeiro carro saiu da garagem às 5h20. Acho que eles não pensam que os trabalhadores de outras categorias são prejudicados com essas manifestações, disse.
De acordo com ele, a Kuba já está realizando os estudos para definir a mudança de alguns pontos finais e que, inclusive, alguns já foram definidos e serão relocados. O projeto sobre a inutilização dos passes também estaria sendo desenvolvido. Estamos fazendo tudo o que combinamos. O que o sindicato tem que entender é que algumas medidas não podem ser tomadas da noite para o dia, disse Rodrigues.
O gerente da TUA, Hélio Meneghin, não foi encontrado na empresa para falar sobre a participação, ou não, dos funcionários da empresa no movimento da madrugada de ontem.
Elias da Silva disse que a expectativa do sindicato é de que as providências mais urgentes, discutidas na reunião de terça-feira, sejam colocadas em prática até o final deste mês. Para ele, a situação é urgente e, se for preciso, o sindicato organizará um movimento maior. Por ora, o sindicalista não descartou a ocorrência de outras paralisações relâmpago, como a de ontem.
Faz muito tempo que nós discutimos esse assunto com as empresas, a Emdurb e com a Polícia e, até hoje, pouca coisa foi feita. Então, a nossa manifestação serviu para mostrar que estamos unidos com o mesmo objetivo de aumentar a segurança nos ônibus e diminuir a incidência de assaltos. A situação está crítica e não temos mais tempo para perder com estudos, que há tanto tempo são feitos e nunca resultam em ações concretas, disse Silva.