Com cinco filhos, eles planejavam oficializar a união e nem mesmo a prisão do noivo impediu a realização do sonho
Avaí - O sonho embalado por Marilene Maria de Oliveira, 25 anos, era trocar alianças com José Luiz de Oliveira, 28 anos, com quem tem cinco filhos menores. A cerimônia do casamento foi realizada ontem, no interior da cadeia pública de Avaí e mudou a rotina das visitas. Padrinhos, madrinhas, presos e parentes brindaram a oficialização com bolo e guaraná. Os noivos curtiram a lua-de-mel na cela.
O pátio da cadeia recebeu flores do campo, tule, papel crepon e se transformou em um local próprio para a cerimônia do casamento. Os convidados e padrinhos, em silêncio, assistiram à noiva entrar sob o som de John Lennon e se emocionaram.
A cerimônia contagiou os presos que, com máquinas fotográfica e até filmadora, registraram o fato para o amigo que a partir de ontem se tornou um homem sério.
A cartorária e o pastor não faltaram para oficializar o tão sonhado casamento de Marilene e José Luiz. Pais de cinco crianças, o casal resolveu oficializar o relacionamento para provar que nada abala o amor que um sente pelo outro.
Emocionada enquanto se arrumava para a cerimônia, a noiva contou que ela e o noivo haviam planejado casar em março deste ano. Porém, ele foi preso, mas eles resolveram persistir. Resolvemos não adiar mais. Já temos cinco filhos e nos amamos muito.
Para conseguir oficializar o relacionamento ela contou com o auxílio de amigos e da família. Minha mãe não concordou com o casamento na cadeia, por isso não compareceu. Mas, foi ela quem patrocionou o aluguel do vestido e parte das despesas.
Os amigos, segundo a noiva, fizeram uma vaquinha e compraram bolo, guaraná e ajudaram nas demais despesas. Este era meu sonho, casar de véu e grinalda. Estou emocionada de estar realizando o sonho que embalo há mais de nove anos.
A noiva confessa que não se importa com a situação. Preso ou em liberdade eu o amo. Estamos aguardando o resultado de uma apelação. Eu acredito que logo ele esteja saindo da cadeia.
Lua-de-Mel
A lua de mel do casal Oliveira foi na cela da cadeia com direito a roupa íntima e muita privacidade, garantiram os presos amigos do noivo. A noiva terá que se acostumar com essa rotina, afinal, o noivo deve cumprir quatro anos de cadeia.
Futuro certo
A noiva acha que assim que sair da cadeia, Oliveira vai mudar de vida. Ele é trabalhador. A carteira de trabalho dele continua assinada. O patrão dele quer contratá-lo de novo. Ele sempre trabalhou. Foi pedreiro e serviços gerais. Em liberdade sempre sustentou a família.
Marilene acredita na transformação do noivo por força do amor. Temos cinco filhos e nos amamos. Eu confio em Deus que tudo vai mudar. Emocionado, o noivo prometeu não decepcionar Marilene. Nós conhecemos há 10 anos e nos apaixonamos. O nascimento de cada um dos nossos filhos são datas marcantes.
Sem presença dos filhos
Os filhos não compareceram à cerimônia do casamento por dois motivos. Um, porque não era dia de visitas das crianças. Outro, porque um deles não aceita o casamento. Ele ficou traumatizado quando a polícia prendeu o Oliveira. Ele acha que se eu casar vou ficar presa também, explicou a noiva.
A mãe da noiva também não compareceu, porque não concordou com a realização do casamento. Ela aceita o relacionamento, mas não queria que o casamento fosse na cadeia, explicou a filha.