09 de julho de 2026
Geral

PSDB de Bauru vive fase de expectativa

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A morte de Mário Covas e suas conseqüências político-partidárias, entre as quais o realinhamento de forças internas do PSDB em torno do governador Geraldo Alckmin, vão ter reflexo no âmbito municipal do partido. A legenda em Bauru, que atravessa um processo de dissolução de seu diretório municipal, está contornada por um ponto de interrogação e, ao mesmo tempo, de disputas, visando o controle político-partidário.

A indefinição sobre quem vai assumir o comando do tucanato local permanece, pelo menos por enquanto. Alckmin deverá imprimir seu ritmo político no governo, provocando reflexos nas veias municipais do partido. O governador parece já ter amarrado uma aliança com o ministro de Estado da Saúde, José Serra. Um apoiará o outro nas indicações partidárias do ano que vem.

Serra, como se sabe, é pré-candidato tucano na convenção que indicará o nome do PSDB à presidência da República. Alckmin já deu sinais que vai disputar a reeleição para o Palácio dos Bandeirantes. O ministro tem simpatia de longa data pelo ex-deputado federal Tuga Angerami (PSB). Os dois foram eleitos parlamentares constituintes, em 88.

De certa forma, essa relação poderá ter influência nas articulações que estão sendo feitas nos bastidores, visando o retorno de Angerami ao PSDB, que não esconde que vai arrastar o deputado estadual Carlos Braga (PPB).

Mas o grupo do deputado estadual Pedro Tobias (PDT) não está descartado da parada. Tobias também almeja retornar ao ninho tucano e boa parte das conversações sobre esse assunto foi feita ainda com o governador Mário Covas vivo. Com a sua morte, no entanto, a dúvida que fica é como Alckmin vai, agora, conduzir esse processo.

O novo governador também não esconde sua simpatia por Angerami, embora seja médico, a mesma profissão de Tobias. Espaço para os dois não há no partido. A costura dos acordos que vão apontar a nova liderança do PSDB local passa, obrigatoriamente, pelo realinhamento de forças que vai ocorrer no diretório e executiva estadual do partido, hoje comandado pelo deputado Edson Aparecido.

Ainda está indefinida, pelo menos de maneira pública, a trajetória que Carlos Ladeira e Élio Busch deverão imprimir para a recomposição da legenda. Inimigos de longa data, eles se compuseram para derrubar o presidente da Executiva municipal, Rubens Spíndola, contrário ao retorno de celebridades ao partido.

Não se sabe, ainda, qual será o potencial do cacife de Busch com a nova ordem política que começa a se desenhar no PSDB estadual. A força político-partidária de Ladeira também é desconhecida no âmbito do Palácio dos Bandeirantes.

Acompanhando de perto as movimentações estão o empresário Caio Coube e o ex-candidato a vice-prefeito Ricardo Carrijo, ambos filiados ao PTB. Através das articulações do prefeito de Pederneiras, Rubens Cury (PSDB), a dupla também alimenta esperanças de retornar ao ninho tucano.

As definições, no entanto, só vão ocorrer em nível municipal depois que o quadro político do PSDB em instância estadual estiver acertado. A partir daí, passa a valer a lei da gravidade, ou seja, o efeito dominó ganha força e começam as alterações nas instâncias municipais.