O crescimento em relação a 99 foi de 89,5%. Os fatores atribuídos ao aquecimento do mercado foram a redução das taxas de juros praticadas pelos bancos das montadoras, a estabilidade econômica do País e o alongamento dos prazos
Os resultados das empresas financeiras das montadoras de veículos, associadas à Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), ultrapassaram suas expectativas de crédito do setor com um volume recorde financiado no valor de R$ 4,2 bilhões, através do Crédito Direto ao Consumidor (CDC), Leasing e Finame. Comparando ao desempenho em 1999, que foi de R$ 3,8 bilhões, houve um crescimento da ordem de 89,5%. Foram 584 mil veículos vendidos por meio de financiamento, o que representa 66,4% de aumento, comparando às 351 mil unidades em 1999.
De acordo com a Anef, os fatores atribuídos ao aquecimento do mercado foram a redução das taxas de juros praticadas pelos bancos das montadoras, a estabilidade econômica do País e o alongamento dos prazos. A taxa Selic encerrou o ano com 15,75% (ao ano), com uma redução nominal de 3,3% no período de dezembro de 1999 a dezembro de 2000. Já nas taxas médias dos bancos das montadoras, a redução foi de 7% em igual período. As empresas associadas à Anef ofereceram prazos até 60 meses. Em 99, o prazo médio de financiamento foi de 24,4 meses e, em 2000, passou para 26,9 meses, um aumento de 10,2%.
Os dados da entidade vem confirmar a credibilidade, tanto das empresas quanto dos consumidores, na economia do País, já que, em 2000, o valor médio financiado por unidade foi de R$ 12.954,00, um crescimento de 10,4% em relação ao ano anterior, que fechou com R$ 11.732,00. Assim, a carteira de clientes em CDC, Leasing e Finame, das empresas associadas à Anef totalizou, ao final do ano passado 1.028.000 clientes, 4,5% a mais que em 1999, com 984.000.
Em 2000 o valor da carteira de clientes dos bancos das montadoras aumentou 36,5%, atingindo R$ 10,1 bilhões contra R$ 7,4 bilhões em 99. Segundo dados da entidade, o índice de inadimplência ficou em 4,83%, com um aumento de 3,7%, em relação ao mesmo período do ano anterior.
Consórcio
Nos consórcios de automóveis, as administradoras ligadas à Anef venderam, em 2000, 142,1 mil cotas contra 169,2 mil em 1999, o que representou queda de 16% no ano. O número de veículos entregues também baixou de 88 mil unidades em 99 para 83,4 mil em 2000, registrando uma queda de 5,2% no ano, bem como o número de consorciados ativos que sofreu redução de 10,3% em relação a 99. Desse segmento, as administradoras associadas à Anef detem 38% do mercado.
No segmento de duas rodas, as vendas de cotas continuaram crescendo, obtendo um incremento de 23,5% em 2000, quando foram comercializadas 394,3 mil unidades contra 319,2 mil em 99. Foram entregues 173,8 mil motocicletas em 2000, um crescimento de 26,3% em relação aos 137,6 mil bens entregues em 99.
Os consorciados ativos somaram 711,4 mil, com uma alta de 31,5% em relação a 99, que fechou com 541,1 mil clientes. Nesse segmento, a Anef tem a participação de 55% do total do mercado.
As empresas financeiras das montadoras encerraram o ano 2000 com um total de 2.147.000 clientes em CDC, Leasing, Finame e Consórcio, gerando um aumento de 8,5% quando comparado com 1999, ano que fechou com 1.980.000 clientes.
Previsão 2001
Segundo Fernando Mascarenhas, presidente da Anef, a previsão da entidade para 2001 é de financiar mais de 640 mil unidades e, ao mesmo tempo, liberar recursos na ordem de R$ 8,5 bilhões, representando um crescimento de 18,1% em relação a 2000, ano em que foram liberados R$ 7,2 bilhões.
Mascarenhas lembra que em 1999 a participação das vendas a prazo representavam 60% do total das vendas e ano 2000 essa participação pulou para 76%. Desse modo, o presidente da entidade prevê para 2001 uma participação ainda maior, devendo chegar a 80% dos negócios.