11 de julho de 2026
Geral

"Numa rodovia, o perigo está sempre no metro a frente"

André Tomazela
| Tempo de leitura: 5 min

O sub-comandante do 2º. Batalhão da Polícia Rodoviária, major Daniel, conta um pouco da sua história e da importância do veículo em sua vida. Revela, ainda, como funciona o trânsito na rodovia: Se a educação e engenharia tem falhas, a polícia tem que ser mais rígida.

Apesar de não ser um apaixonado por carros, o major da Polícia Militar, Daniel Barbosa Rodrigueiro, sub-comandante do 2º. Batalhão de Polícia Rodoviária, com sede em Bauru, revela histórias interessantes na sua relação com veículo de quatro rodas desde a época em que começou a dirigir, em 1974. Eu gosto do carro, mas eu não tenho aquela paixão desenfreada. Eu tenho porque hoje é necessário ter um veículo, faz parte da vida do ser humano. Eu vejo o carro como um instrumento de trabalho e até de lazer, comenta.

Quando cursava a faculdade de Ciência e Letras, em Penápolis, sua cidade de origem, Daniel adquiriu seu primeiro e lendário carro, um Fordinho 28, chamado carinhosamente de pé de bode. Na época, ele conta que ia na faculdade com o veículo e as meninas queriam dar volta no seu Fordinho. Esse carro tem história para contar, admite.

Após terminar a faculdade, já em São Paulo, Daniel conseguiu comprar um outro carro. Nada menos que uma Brasília amarela. Sabe aquele amarelo que é a cor do DER? Cor de faixa amarela? Assim era a minha Brasília, brinca. Na época, com 20 anos e já atuando como tenente, Daniel viajava para Penápolis para visitar os parentes, a cada 30 dias. Quando eu saía de São Paulo e ia para Penápolis, todo mundo já sabia que eu ia sair porque aquela cor de carro era muito chamativa, comenta.

Depois da Brasília amarela, o terceiro carro de Daniel foi um Chevette 79, comprado de um colega que queria se ver livre do carro. Esse colega meu era de Araçatuba e é major hoje. Ele me convidou para ir para São Paulo. Saiu de Araçatuba, passou em Penápolis, me pegou e nós fomos com o Chevetinho azul dele. Nem bem saindo da cidade ele quis que eu dirigisse o carro e perguntou se eu gostava. Eu disse que havia gostado e fui obrigado a comprar o carro, comenta.

Já na Polícia Rodoviária, em 1996, Daniel comprou uma Parati 94 à álcool, adquirida com o capital proveniente de suas sete férias e licenças prêmios denegadas que o governo Montoro, através de decreto, resolveu ressarcir em dinheiro. Eu rodei bastante com essa Parati e acabei deixando para o uso de minha esposa, Maria Augusta, que é professora, para o uso no trabalho, conta.

Teve, ainda, uma Saveiro e, depois, em 1997, comprou uma camioneta D20 86. Em 1998 trocou o veículo por outra D20, ano 95, que permanece com ele até hoje. Eu optei pela camioneta porque ela é mais segura e não perde no quesito velocidade quando comparada com o automóvel. Para mim, ela passou a ser útil em função do lote que eu comprei em 1992, à beira de um rio, para fazer um rancho. Eu precisava de um veículo de caçamba para transportar. Primeiro, eu utilizei bastante a Saveiro, onde eu transportava até telhas e tijolos. Depois veio a D20, que é maior e serve para transportar a família, comenta. Daniel tem dois filhos, um de 19 e outro de 13, motivo pelo qual a D20 já está ficando apertada. Eu já estou pensando numa outra camioneta. O ideal é uma cabine dupla, comenta.

Já a Parati que estava com a esposa, foi vendida para comprar um Corsa. Mas ela achava o carro muito duro. Resolvi então comprar um Fiat Palio, que está com ela atualmente, conta.

Diário de bordo

Desde que adquiriu a Saveiro, Daniel adotou o costume de fazer um diário de bordo dos veículos. Trata-se de uma relação que se inicia com a compra do carro, com valor e data e é completada toda vez que se faz uma revisão, troca-se uma peça e até mesmo num simples abastecimento de combustível e troca de óleo. Tudo o que foi feito na D20, até os abastecimentos, estão lá. Eu faço isso como uma manutenção preventiva, comenta o major.

Trânsito e rodovias

Para o major Daniel, o trânsito está baseando no trinômio polícia, engenharia e educação. As rodovias do nosso País são formadas por trechos bons e outros em estado lamentável. A responsabilidade seria do setor de engenharia.

Na questão da direção defensiva, segundo Daniel, não dá para falar qual rodovia é mais perigosa. Toda rodovia é perigosa. Não há um local mais perigoso que o outro na rodovia. O perigo está sempre no metro a frente. É desse ponto de vista que eu enxergo as rodovias brasileiras, afirma.

Todas as rodovias merecem máxima atenção do cidadão, que deve estar preparado através de um programa de educação no trânsito. Quando a educação é ruim e a engenharia deixa a desejar, a polícia tem que ser forte e rigorosa. É isso que acontece atualmente nas rodovias brasileiras, comenta.

Trajetória de vida

Tendo passado a infância e adolescência em Penápolis, sua cidade de origem, o major Daniel Barbosa Rodrigueiro, atualmente sub-comandante do 2º. Batalhão da Polícia Rodoviária, começou a sua vida na PM como soldado, após ter cursado Ciência e Letras, em 1975. Em 1976, Daniel iniciou a Escola de Oficiais da Polícia Militar com conclusão em 1998, ocasião em que se formou aspirante a oficial, servindo por 10 anos em São Paulo. Na cidade, Daniel fez o curso de matemática na Faculdade Santana, localizada na Zona Norte e Educação Física na PM.

Com o tempo, o esforço conferiu ao aspirante promoções em sua carreira. Com apenas 20 anos de idade já era tenente e servia na Polícia de Choque em São Paulo, numa época que ainda trazia resquícios da ditadura militar. Na ocasião, o jovem tenente chegou a escoltar Luis Inácio Lula da Silva no caminho à prisão no Dops. Depois passou a capitão e, 1986, entrou definitivamente para a Polícia Rodoviária, em Bauru. Na ocasião, Daniel foi ainda convidado para trabalhar na Polícia Rodoviária em Araçatuba, região que abrange Penápolis, onde estão seus familiares. Na cidade, permaneceu por 12 anos comandando a companhia da Polícia Rodoviária, onde fez o curso de Direito na Instituição Toledo de Ensino (ITE).

Em 1996, promovido a major, Daniel retornou a São Paulo, onde trabalhou no Comando Geral. Em 1998, retornou para a Polícia Rodoviária de Bauru, onde permanece até hoje.