Sentença determinou o Country e o Grupo Jacomossi ressarcirem associado no valor pago pelo título do clube
Os sócios do Bauru Country Club que entraram na Justiça pedindo restituição do dinheiro pago pelo título, já que o clube foi depredado e não tem mais condições de ser usado, podem estar próximos de serem ressarcidos. O juiz Arthur de Paula Gonçalves julgou procedente a ação impetrada por um sócio, condenando o Country Club e a Paraguaçu Turismo Empreendimentos - empresa do Grupo Jacomossi que firmou parceria com o clube -, a pagar ao impetrante R$ 336,00 (valor pago pelo título) mais correção monetária.
Há informações de que outras ações das cerca de 45 protocoladas no Juizado de Pequenas Causas no primeiro semestre do ano passado também já tiveram sentenças favoráveis aos impetrantes enquanto outras aguardam julgamento. O Country Club, localizado próximo ao Ferradura Mirim, depois de ser depredado e saqueado, continua abandonado e agora está servindo de pasto. Ontem, várias reses estavam pastando na área do clube, que está cercada com arame farpado. Ninguém soube informar a quem pertence os animais.
Uma parte da gleba do Country está para ser leiloada, para ressarcir os sócios que entraram na Justiça, e quitar as dívidas trabalhistas com os ex-funcionários do clube, segundo Gentil Zumiani, que foi um dos últimos presidentes da entidade. Ele ressaltou que deixou a diretoria do Country há bastante tempo e não soube dizer quem é, atualmente, o responsável legal pela entidade.
De acordo com Zumiani, um terreno de 7 mil metros quadrados deve ser leiloado no final deste mês. Além dos sócios que entraram na Justiça, a renda desse terreno seria destinada a pagar dívidas trabalhistas dos ex-funcionários do clube (entre oito e dez).
Procurado pelo JC, o grupo Jacomossi disse desconhecer a decisão judicial que determina no valor ressarcimento do título pago pelo sócio do Country. Helena Mustafá, esposa de Édson Jacomossi, que preside o Grupo Jacomossi, disse que a empresa vai recorrer porque considera injusto o ressarcimento dos valores pagos pelos títulos.
Na sua decisão, o juiz Arthur de Paula Gonçalves, diz que o ataque de ladrões e conseqüente subtração das instalações do clube são fatos totalmente previsíveis nos dias atuais e que, por isso, os réus deveriam ter sido mais diligentes e cautelosos, dotando o clube de equipamentos e recursos humanos que impedissem a depredação.
Helena Mustafá ressaltou que a Paraguaçu, nas audiências de conciliação, ofereceu aos sócios reclamantes a opção de utilizarem o Águas Termas de Paraguaçu, localizado em Paraguaçu Paulista. No entanto, a maioria dos reclamantes não se interessou pela proposta em função da distância entre Bauru e Paraguaçu, o que dificultaria o uso do clube.
Entenda o caso
Há cerca de dois anos, o Country Clube enfrentava crise financeira e atos de vandalismo, quando firmou uma parceria com o Grupo Jacomossi. Após a parceria, foi desencadeada uma campanha para obter novos sócios. Na época, o clube contava com cerca de 600 associados com títulos remidos, mas a maioria não estava pagando a mensalidade.
A partir da parceria com a Paraguaçu, vários títulos foram vendidos, mas o Country continuou sendo depredado e saqueado. Sem condições de utilizar o clube, vários sócios, principalmente os que haviam acabado de pagar pelo título, recorreram ao Procon no primeiro semestre do ano passado. As reclamações foram levadas ao Juizado de Pequenas Causas, onde foram impetradas ações individuais solicitando ressarcimento do valor pago pelo título.