08 de julho de 2026
Geral

Denúncia afasta diretor da Ciretran

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Desde ontem, a Ciretran de Marília conta com novo diretor. Mudança foi motivada por denúncias de irregularidades

Marília - O delegado Romildo Rossato já não responde mais pela diretoria da 12ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Marília. Ele foi afastado de suas funções em razão de denúncias feitas por uma auto-escola da cidade, que o acusam de ter recebido vantagens indevidas. A decisão pelo afastamento foi tomada pelo também delegado Roberto Terraz, titular da Delegacia Seccional de Polícia de Marília, e começou a vigorar desde ontem. Terraz é o responsável pelas investigações que irão apontar ou não a participação de Rossato nas supostas irregularidades divulgadas na semana passada.

Além do delegado, Terraz decidiu afastar também o assistente, o escrivão e o investigador que formavam a equipe de trabalho que dava suporte ao diretor. Todos foram removidos para outras unidades da Ciretran, dentro da própria cidade de Marília.

Desde ontem, o responsável pelas atividades da 12ª Ciretran passou a ser o delegado Antônio de Almeida, que terá ao seu lado o assistente Paulo Lara.

As investigações que irão apurar até que ponto são verdadeiras as denúncias que apontam Rossato como beneficiário direto de uma série de vantagens obtidas com a cobrança de uma taxa extra de R$ 20,00 junto aos candidatos a motoristas, em Marília começaram ontem.

O teor das denúncias estaria registrado em um dossiê de aproximadamente 250 páginas, ao qual teriam sido acrescentadas fitas K7 com gravações que comprovariam as acusações. Todo esse material foi entregue ao Ministério Público de Marília. Entre as vantagens estariam o pagamento de presentes, jantares, flores, gravatas, uísque.

O delegado Terraz terá 30 dias para concluir suas investigações. No entanto, se houver a necessidade, esse prazo poderá ser prorrogado por igual período. Segundo ele, é difícil saber se haverá a necessidade desse prazo extra, pois o andamento dos trabalhos depende também da perícia técnica.

A cobrança irregular de uma taxa extra, que foi o estopim de toda essa polêmica, teria sido criada pela Associação das Auto-Escolas para suprir deficiências nos serviços públicos, como a compra de materiais, manutenção de funcionários e de equipamentos, entre outros serviços. Estima-se em 500 a média de carteiras de habilitação expedidas mensalmente em Marília, o que representaria uma arrecadação de R$ 10 mil, aproximadamente, somente com a taxa irregular.

Para evitar que esse tipo de suspeita volte a se repetir, o delegado Terraz enxerga no convênio entre Ciretran e prefeituras a solução possível. Isso resolveria cerca de 90% do problema, declarou o delegado. Apesar de Marília contar com esse convênio, Terraz explicou que os funcionários ainda não foram contratados. Existe a predisposição da Prefeitura em ceder esses funcionários à Ciretran. Mas o concurso ainda não foi realizado, disse.

Motivados por essas denúncias de irregularidades na Ciretran de Marília, delegados seccionais de cidades da região reuniram-se ontem no Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter), em Bauru, onde foi formulado um documento que será entregue hoje à diretoria do Detran, em São Paulo. O documento, segundo Terraz, é uma reivindicação dos delegados para que as Ciretrans passem a ter melhores condições de trabalho e, assim, esse tipo de problema não volte a se repetir. É difícil resolver esses problemas a curto prazo, mas é perfeitamente possível a médio e a longo prazo, garantiu.