09 de julho de 2026
Geral

Disputa por mais 'espaço' racha PFL

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Dudu Ranieri avisa que não vai ceder às pressões dos vereadores Osvaldo Paquito e Paulo Eduardo Martins Neto

O presidente da Executiva municipal do PFL, Dudu Ranieri, os vereadores Osvaldo Paquito e Paulo Eduardo Martins Neto, ambos filiados ao partido, e mais duas dezenas de ex-candidatos da legenda à Câmara Municipal estão em pé de guerra. O bate-boca, que até então ocorria nos bastidores, veio à tona e se agravou anteontem, quando começou a ser articulada uma reunião com os pefelistas do bloco dos descontentes sem o conhecimento de Dudu, que também é vice-prefeito e preside o Departamento de Água e Esgoto (DAE).

O motivo do levante dos descontentes contra o presidente do DAE é um só: mais espaço na Administração Municipal, que, traduzindo em outras palavras, significa o encaminhamento de pefelistas para a ocupação de cargos de confiança. Paquito não esconde seu descontentamento com o tratamento que Dudu está dispensando a correligionários do partido e ameça deixar o PFL, levando com ele o bloco dos descontentes.

Segundo o vereador, o vice-prefeito havia prometido, ainda durante a campanha eleitoral, que, se fosse eleito, estava garantido ao partido o comando de uma das empresas municipais. Ele (Dudu) sempre nos disse que daria prioridade para o nosso grupo, o que não aconteceu, reclama Paquito, completando que há pessoas no partido que podem ser aproveitadas na Administração.

O Dudu usa o DAE como se fosse dele. O DAE não é do PFL como ficou acertado. O DAE é do Dudu, esbraveja o parlamentar. Ele afirma que não está pedindo nada em benefício próprio, mas apóia o bloco dos descontentes que quer participação no governo. O vice-prefeito tem compromisso moral com esse pessoal. Eu não quero emprego para meus cabos eleitorais, como andam dizendo por aí, esclarece.

Paquito assume que está agendando uma reunião para amanhã com o bloco dos pefelistas descontentes, mas avisa que não é o articulador da reunião. O encontro, cujo local ainda não está definido, deverá reunir cerca de 20 pessoas, a maioria ex-candidatos a vereador. São pessoas que somaram com o Nilson Costa na campanha e que trabalharam, inclusive, sem qualquer tipo de apoio.

Mais discreto em suas declarações, o vereador Paulo Eduardo Martins Neto defende que os dois lados precisam conversar para aparar as arestas. Reconheço que não está tendo abertura por parte da Administração. Devemos conversar para resolver isso, prega.

O pefelista lembrou que na campanha à Prefeitura e à Câmara o grupo estava unido em torno do prefeito Nilson Costa. O acordo ficou acertado: o PFL administraria o DAE, cobra. Martins Neto também reclama que o PFL não está sendo ouvido pelo Governo Municipal. Uma reviravolta nessa situação só depende dele (Dudu). É lamentável que isso esteja ocorrendo.

Voracidade

Ao explicar sua versão sobre os fatos, Dudu Ranieri foi curto e grosso. A mesma porta que eles (Paquito e Paulo Eduardo) entraram continua aberta se desejarem sair. Se estar filiado a um partido vale pedir emprego para apadrinhados, eles não precisam contar comigo.

Sem rodeios, o vice-prefeito diz que o único segmento a quem merece dar satisfações sobre o DAE é a sociedade. Meu compromisso é com a comunidade, avisa. O presidente da Executiva municipal do PFL acredita que está a caminho uma trama para desarticulá-lo. Isso é uma trama contra os destinos do partido. É passível, inclusive, de expulsão, ameaça.

O pefelista afirma que ficou decepcionado com os dois vereadores do partido, que logo se apressaram em procurá-lo, após a posse na presidência do DAE, para reivindicar dois cargos de confiança para cada um. E olha que isso foi antes dessa história do terceiro assessor. Mesmo com o terceiro assessor, a voracidade continuou igual.

Dudu garante que a pressão dos dois parlamentares visa a contratação de seus apadrinhados. Não vou colocar no DAE nenhum apadrinhado de vereador. Não tenho nada contra esses vereadores. Até torço por eles, mas o compromisso deles é com a sociedade.