09 de julho de 2026
Geral

Alunos são maioria em visitas a museus

Redação
| Tempo de leitura: 6 min

As escolas têm programas de incentivo às visitas dos estudantes, que complementam as aulas ministradas em sala

Antigos aparelhos de som, moinhos, objetos usados em residências e escritórios em tempos anteriores, coleções de livros, revistas, teses, antigas locomotivas a vapor e até mesmo modelos dos primeiros aviões. Esses são apenas alguns dos objetos que podem ser observados em visitas a museus. Em Bauru, cidade que dispõe de seis museus em funcionamento, existem políticas de incentivo a essas visitas que despertam em crianças o interesse pela história. No entanto, a procura por esse lado às vezes esquecido do passado das sociedades poderia ser maior.

De acordo com Gabriel Ruiz Pelegrina, diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Histórico de Bauru, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Cultura, atualmente é difícil promover exposições em museus, já que poucas pessoas demonstram interesse. E não é por falta de divulgação. Isso começou a acontecer a partir do surgimento da televisão. Ela passou a segurar as pessoas em casa, que chegam cansadas do trabalho e ficam entretidas com o noticiário.

Ele afirma que grande parte das pessoas que visitam os museus da cidade é formada por estudantes, não apenas universitários, mas também crianças do ensino fundamental e médio. Hoje em dia, as escolas levam os alunos a visitas a museus para que isso se constitua em uma introdução aos ensinamentos de História que eles terão. A criança assimila mais a história desde que ela veja a história da sua cidade. Depois, ela vai para a história da humanidade, de outros povos.

Pelegrina concebe os museus como instituições de apoio ao ensino, principalmente das crianças. Segundo os diretores dos museus de Bauru, o que mais atrai as crianças que os visitam são as peças tridimensionais. Exemplificando, o pilão de beneficiar o café, separando a casca do grão, o torrador doméstico, os moinhos e, finalmente, o coador de pano e o bule.

No entanto, o diretor garante que a procura não limita-se apenas a estudantes. Nós temos coleções de jornais em que professores procuram esses museus para fazer trabalhos de mestrado e até de doutorado.

E acredita que Bauru é uma cidade bem servida, no que diz respeito aos acervos de museus. Bauru é uma cidade privilegiada com relação à preservação da memória. Nós temos seis museus e mais quatro em formação. Isso é para a preservação da história, para mostrar a todos, daqui para frente, a luta dos pioneiros, a evolução técnica etc. Todas as pessoas que entram em um museu têm que sair de lá sabendo um pouco mais do que quando entrou.

De acordo com João Francisco Tidei de Lima, responsável pelo Centro de Memória Regional Unesp/ Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), a maior parte dos visitantes que dirigem-se ao local para consultar o material manuscrito, impresso e as fotos que fazem parte do acervo, e formada por estudantes universitários, professores e ferroviários. Por enquanto, período em que as aulas estão começando na Unesp e mesmo nas outras universidades, a freqüência é baixa, de cinco ou seis pessoas por dia. Mas, à medida em que os trabalhos vão sendo pedidos pelos professores, esse número aumenta.

Ele acredita que o conceito da palavra museu, atualmente, envolve mais elementos do que a maioria das pessoas imagina. Essa concepção de museu, hoje, é muito ampla. Ela tanto envolve peças iconográficas quanto material escrito, livros, manuscritos, coleções de jornais, revistas etc.

O Centro de Memória Regional, por exemplo, tem diversos tipos de materiais que contam a evolução da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. É basicamente material manuscrito e impresso. Nós temos revistas, livros, registros da fundação da estrada de ferro, fotografias, mapas, plantas etc. Tudo isso, desde 1904. É o material que conta a história da construção e do funcionamento da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, desde que ela foi criada, em 1904 - começou a ser construída em 1905 - até hoje, passando pela privatização, esclarece Lima.

Ele acredita que a crise das ferrovias, no Brasil, é um fator que tem estimulado as pesquisas referentes ao Centro Regional. Com a crise das ferrovias, o nosso número de pesquisadores cresceu muito.

Roberto Chinalha, responsável pelo Museu Histórico Municipal, confirma as informações de que o público predominante nos museus é formado por estudantes. 90% do público que freqüenta o museu histórico é de alunos - estudantes de primeiro e segundo grau. A gente sempre manda material para as escolas falando sobre as exposições. São duas preocupações: O setor educativo e o setor de pesquisa.

Em virtude desse perfil, Chinalha esclarece que o Museu Histórico tem uma equipe especializada em receber os estudantes. Quando a escola contata o museu para fazer uma exposição, ela manda um ofício, nós agendamos e dividimos os alunos em grupos menores, para cada monitor, que fará um roteiro diferente pelo museu.

Ele enfatiza a importância da presença estudantil para desenvolvimento do trabalho realizado no museu. Eles ajudam a construir o museu e dão opiniões, sugestões. A gente faz um debate após essas visitas.

A importância dos museus, centros de preservação da memória e dos acontecimentos de repercussão de um povo é uma questão indiscutível, para Pelegrina. A ânsia de melhor preservar a história é produto da resistência à globalização, que desrespeita e invade as diferenças culturais humanas, modificando-as segundo interesse de quem domina. Preservar a cultura significa garantir nossas origens, nossos costumes, gestos e prazeres. Na esteira disso, defendemos nosso espaço, nossas propriedades, nosso direitos, enfim, nossa cidadania.

Quais são os museus de Bauru?

Muita gente não sabe, mas Bauru conta com seis museus que oferecem a população documentos e materiais sobre os mais diversos e extensos temas.

Dentre eles, está o Museus Histórico Municipal, que foi criado em novembro de 1960 e tem em seu acervo objetos, móveis, jornais, fotos e documentos. Ele fica na rua Saint Martin, 17-48.

O Museu Ferroviário Regional dispõe de fotos, textos e maquetes sobre as ferrovias de Bauru e região, entre peças de pequeno e médio porte. Foi criado em 26 de agosto de 1989. Localiza-se na quadra 1 da rua 1.º de Agosto.

O Centro de Memória Regional Rede Ferroviária Federal SA/ Universidade Estadual Paulista (RFFSA/ Unesp), que fica na quadra 1 da rua 1.º de Agosto, expõe fotos comparativas das ferrovias do Brasil com as de outros países. O convênio entre a Unesp e a RFFSA foi criado em 1992 e o acervo conta com documentação sobre a ferrovia, jornais nacionais, estaduais e fotos.

As pesquisas sobre a evolução das telecomunicações podem ser realizadas no Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica de Bauru e Região Gabriel Ruiz Pelegrina, que foi criado em 1983, pela Universidae do Sagrado Coração, e fica na rua Irmã Arminda, 10-50.

O Museu de Saúde Sillas Bragas Reis data de 1999 e foi criado pela direção da Instituição Lauro de Souza Lima. Podem ser encontrados, em seu acervo, aparelhos e objetos usados para pesquisa e combate à doença hanseníase, além de fotos e documentos históricos. Ele localiza-se na rodovia Capitão João Ribeiro de Barros, quilômetro 225.

O Instituto Histórico Professor Eufrásio de Toledo nasceu de uma parceria entre a Instituição Toledo de Ensino e o jornal Bauru Ilustrado, em 1998. Ele fica na rua Capitão Gomes Duarte, 13-41.

A exemplo do ano passado, os museus de Bauru estarão reunidos na III Semana dos Museus, que será sediada na Secretaria Municipal de Cultura. A mostra será aberta no dia 14 de maio e irá até 18 do mesmo mês.