08 de julho de 2026
Geral

Clientela aprova marido de aluguel

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Pau para toda obra, ele faz todo e qualquer tipo de reparo que os maridos modernos não querem mais executar

Santa Cruz do Rio Pardo - Eles abriram o negócio há cerca de oito meses e já contabilizam mais de 200 clientes. Ela garante que ele vai a qualquer ponto da cidade, trabalha todos os dias e o dia todo, inclusive aos sábados e, se precisar, fora de hora. É o Marido de Aluguel, criado para atender pessoas que não têm a quem recorrer quando precisam fazer reparos dentro de casa. Mas ele avisa: só faz consertos - não resolve problemas amorosos.

Tudo começou quando uma prima minha pediu que meu marido consertasse a travessa do guarda-roupa, onde são peneirados os cabides. Ela estava procurando alguém para fazer isso havia mais de um mês e ninguém aceitava o serviço. Aí, meu marido foi até lá e, em uma semana, não só arrumou o guarda-roupa, como consertou várias outras coisas na casa dela. Daí, outro primo chamou meu marido para fazer um serviço na padaria. Quando ele chegou, esse primo disse: Marido de aluguel está aí. E o nome pegou, conta a professora aposentada Norma Pereira de Lima Firmino, 55 anos.

Ela afirma que, em Santa Cruz, não existe ninguém que faça esses pequenos serviços. E qual é a casa que não tem essas coisinhas para arrumar? Depois que ele começou, não parou mais um minuto. Se chamar, ninguém vai. Ele vai na hora.

Ele é o ex-caminhoneiro Cezário de Lima Firmino, 56 anos. Prestativo, sempre que voltava de suas viagens acabava indo socorrer um vizinho ou amigo cuja torneira estava vazando ou o chuveiro estivesse queimado. Um dia, resolveu trocar o caminhão e a estrada pela oficina. Ele colocou suas ferramentas num cômodo vazio da casa e pendurou a placa Marido de Aluguel. A idéia agradou, mas antes disso, o nome da loja causou muita confusão.

Desconfiança

Norma conta que o caso mais engraçado foi uma senhora que, acostumada a passar pela rua, sempre mudava de calçada e cobria o rosto com alguma coisa quando passava em frente à loja. Muitas vezes, também, as moças jovens entraram aqui para perguntar o que era o Marido de Aluguel e se elas poderiam conseguir um namorado. Eu sempre respondia que, para consertar coisas, elas podiam me chamar. Mas, para namorar, só se meu filho quisesse, brincou Cezário.

A esposa contou que antes de inaugurar a loja, foi feito um anúncio numa rádio local que dizia: Vem aí o marido de aluguel. Segundo ela, muita gente telefonou para saber o que era. Certa vez, uma senhora ligou dizendo que não queria sexo, mas que gostaria de ter alguém que a acompanhasse num baile. Até hoje eles ligam fazendo perguntas assim, comentou Norma.

Cezário ressaltou que alguns maridos ficam até enciumados, como um que contou ter mudado até de rua só para a esposa não passar na frente da loja. Ele garante que tudo é feito com muito respeito e que mesmo mulheres solteiras já o contratam sem receio. Somos muito conhecidos, temos amizade com todo mundo. Todos sabem da idoneidade do trabalho, disse o casal.

De acordo com o filho do casal, Acácio Firmino, 27 anos, este nome surgiu na Inglaterra, há cerca de cinco anos, com um homem que se aposentou depois de um acidente. Ele montou uma empresa com US$ 500. Hoje já são 70 filiais e ele fatura US$ 20 milhões por ano.

A mãe lembra que o objetivo da família não é voar tão alto, mas é ser conhecida o suficiente para que, diante de qualquer problema em casa, todos os moradores da cidade já pensem imediatamente em acionar o Marido de Aluguel.

Prestação de serviços

Questionado a respeito do tipo de serviço que executa, Cezário afirmou que existe uma lista muito extensa. Ele diz que atua como pedreiro, eletricista, encanador, marceneiro, fazendo pequenos reparos, como troca de torneiras, de lâmpadas, de fiação elétrica, conserto de fechadura, portas e janelas emperradas, colocação de trilhos para cortina, desinsetização de ambientes, retirada de animais do telhado, enfim, todos os serviços que os maridos de antigamente faziam para suas esposas e que os de hoje se recusam sequer a tentar.

Cada visita do Marido custa, pelo menos R$ 10,00, variando conforme o tempo necessário para a realização do reparo e a dificuldade do serviço.

Indagada se sente ciúmes quando outra mulher aluga seu marido, Norma garantiu que não: Ele nunca me deu motivos para sentir ciúmes. Somos casados há 34 anos, ele é um homem muito carinhoso, amoroso, religioso, caseiro. Não tenho ciúme de jeito nenhum.

Ao contrário, as clientes dizem que a grande vantagem é saber que podem confiar em Cezário, como afirma a professora Maria Tereza Barbieri Castanho: Sou viúva há 25 anos. Quando vivo, meu marido fazia todas estas coisas. Depois que morreu, meus filhos estão sempre trabalhando e ocupados. Com o tempo, as coisas vão estragando mesmo. Graças a Deus apareceu o Marido de Aluguel, que socorre a gente com toda a confiança.

Serviço

O Marido de Aluguel atende pelo telefone 372-1903 ou Rua Saldanha Marinho, 431, em Santa Cruz do Rio Pardo.