Hoje em dia, falar sobre menstruação já não é mais um tabu. Aliás, o período nem é mais obrigatório para algumas mulheres que optaram por implantes de hormônio que possibilitam a interrupção do ciclo menstrual temporariamente. As que continuam menstruando todos os meses (a grande maioria da população feminina do planeta), precisam se preocupar com um detalhe importante: o absorvente que vão usar. Até alguns anos atrás, as opções eram poucas. Havia apenas algumas marcas com modelos grandes e desconfortáveis. Atualmente, as empresas pesquisam muito para transformar o absorvente num objeto pequeno, eficiente e, sobretudo, confortável. O mercado está repleto de marcas e modelos de vários tamanhos e espessuras para cada situação específica. Conheça as vantagens que cada um oferece e escolha o seu.
Existem basicamente cinco tipos de absorventes: os aderentes; mais comuns e tradicionais, que ficam presos na calcinha por fitas adesivas; os finos, são aderentes feitos com materiais especiais, que absorvem sem serem grossos ou largos; os mini, para dias de pouco fluxo; os intermenstruais, protetores diários de calcinha, também aderentes; e os internos, que são colocados dentro da vagina e têm a mesma função dos externos. Quase todos os modelos possuem géis internos e pequenos canais para evitar que a umidade incomode, assim como a opção da abas adesivas, para mantê-los fixos na calcinha, garantindo a segurança.Segundo o médico ginecologista José Osmar Guerini, não existe um modelo que seja melhor do que o outro e as mulheres devem procurar o tipo com o qual elas se adaptem melhor desde que seja um produto de qualidade. A única restrição de Guerini é sobre os absorventes perfumados, Eles podem causar alergia e irritação na região da vulva, por isso devem ser evitados, explica.
Externos: os mais usados
Os absorventes externos são os preferidos da maioria das mulheres. Geralmente, são feitos com polpa de celulose (material parecido com algodão) e revestidos por um não-tecido chamado raiom. Externamente são revestidos de plástico impermeável na parte inferior para evitar vazamentos. O tamanho e a espessura do absorvente vai depender do fluxo menstrual. Assim, se seu fluxo é:
Fraco - use absorventes finos e minis durante o dia e médios durante à noite, quando o intervalo de troca é maior.
Médio - use absorventes regulares, médios ou finos durante o dia. Para dormir mais segura, use os super, com proteção extra ou flocgel (flocos absorventes que retêm a umidade, deixando-a como gelatina dentro do absorvente).
Forte - os absorventes super são os mais indicados, mas, se eles incomodam você com o volume, use os médios e troque com maior freqüência.
Lembre-se de tomar os cuidados necessários:
Você deve trocá-lo a cada três horas. O contato do absorvente sujo de sangue com o ar provoca deterioração do sangue e gera mau cheiro.
Se for possível, lave a região da vulva a cada troca.
Para guardar seus absorventes, prefira locais secos e longe do sol. A umidade e o calor provocam aparecimento de mofo.
As vantagens do absorvente externo são a maior facilidade na hora da troca, a maior opção de tipos e tamanhos e os preços mais acessíveis, que variam, em média, de R$ 1,89 a R$ 3,50. Dependendo da marca. Os melhores produtos do mercado são o Modess, da Jonhson & Jonhson, uma das marcas mais tradicionais do País, que mantém o mesmo modelo há décadas, um pouco mais espesso e apenas com as fitas adesivas centrais. As únicas mudanças que vieram com os anos foi a criação de um modelo com abas. O Modess também possui o modelo super, para os dias de fluxo intenso. Outra marca tradicional é o Sempre Livre, também da Jonhson & Jonhson, que possui vários modelos para diferentes tipos de fluxo entre eles o recém lançado ultra-fino. O Sempre Livre vem com flocgel e tem paredes protetoras para evitar que a umidade vaze do absorvente, além da opção das abas.
Marcas mais novas, o Always, da Procter Gamble e Intimus Gel, da Kimberly-Clark ganham cada vez mais espaço no mercado graças ao enorme número de modelos específicos que apresentam. O destaque do Always, é o modelo ultrafino com gel, para ser usado em dias de fluxo menor, que garante proteção sem incômodo. O Intimus Gel, uma das marcas que mais tem crescido no mercado, tem no seu tamanho o grande trunfo. Segundo as usuárias, é muito confortável e seguro.
Internos e seguros
Os absorventes internos são colocados na vagina numa região não sensível (não há como sentir dor durante o uso, a não ser que ele fique mal colocado) e são feitos com algodão 100% cirúrgico e tem um cordão preso ou costurado à manta de algodão, pelo qual é retirado.
Ele pode ser colocado de dois modos: com o dedo indicador introduzido na vagina, ou com o aplicador de papelão revestido, que é descartável e faz a função do dedo durante a introdução.
De acordo com José Osmar Guerini, o absorvente interno não causa nenhum mal como alguma mulheres acreditam e pode ser usado até por aquelas que ainda não tiveram relações sexuais. Para colocar os absorventes internos deve-se procurar uma posição confortável: sentada, de cócoras ou deitada. O mais importante é estar relaxada. Se seu fluxo for:
Fraco - use tamanho mini.Médio - use tamanho regular.Forte - use tamanho super ou para fluxos intensos.
A troca do absorvente interno deve ser feita a cada quatro horas. Não é conveniente que ele fique mais tempo dentro da vagina. Para tirar é só puxar o cordão, que deve ficar na extremidade do absorvente e, portanto, para fora da vagina. Se vazar, verifique se deixou o absorvente por muito tempo ou se o tamanho é adequado ao seu fluxo.
O absorvente interno tem as vantagens de não aparecer ou marcar as roupas, serem mais práticos para quem faz ginástica ou natação, não causarem odor e absorverem o fluxo dentro da vagina. Por outro lado não podem ser usados por períodos prolongados, exigem higiene máxima e rigorosa na colocação e o uso deve ser alternado com absorventes externos.
O Tampax, da Tambrands e o O.b, da Jonhson & Jonhson são as marcas mais populares de absorventes internos no Brasil. O O.b. possui modelos em três tamanhos e possui embalagens com aplicador. O Tampax possui quatro variações que vão do Teens, para fluxo leve, ao Super plus, para fluxo regular e intenso.
No meio do mês
No meio do ciclo, pode haver maior umidade na região da vulva. Para esses dois ou três dias, existem absorventes intermenstruais, que absorvem a umidade natural da vagina e deixam a sensação de secura e bem-estar o tia todo.
Esses pequenos absorventes podem ser usados o dia todo e trocados a cada três horas. O Carefree, da Jonhson & Jonhson é um absorvente diário para proteger a calcinha. O destaque de seus modelos está nos formatos desenhados para todos os tipos de calcinha. O mais recente lançamento da marca atende pelo nome de Panty Tanga e foi desenhado com uma extremidade afunilada e com abas, para ser usado com calcinhas do tipo tanga ou o famoso fio dental.
Das toalhinhas ao interno
Antes de existirem os absorventes, as mulheres utilizavam pequenas toalhas quando estavam menstruadas. No Brasil, até os anos 50, as toalhinhas foram produzidas por várias indústrias com tecido atoalhado, dobrado em três partes, largas, grossas e irritantes, transformando-se em verdadeiras lixas com o passar do tempo. As mulheres se preocupavam em escondê-las no varal porque a menstruação ainda era um tabu.
Em 1933, um absorvente descartável foi comercializado pela primeira vez no Brasil. Diferente dos modelos atuais, eles vazavam muito. Atualmente, as coberturas podem ser suave e sempre seca, com maior poder de absorção e também existem as abas.
O absorvente interno surgiu no mercado em 1950, na Alemanha, tendo sido desenvolvido por uma médica ginecologista, Judith Esser. No Brasil, foi lançado em 1974. Nos Estados Unidos, o FDA recomenda a trocá-lo a cada quatro horas e, se possível, alternar seu uso com absorvente externo. O Museu da Menstruação nos Estados Unidos tem cópias de inscrições gregas e hebraicas descrevendo o uso de absorventes internos como contraceptivo e isso possivelmente significa que mulheres também os usavam para conter o fluxo menstrual. Posteriormente, Hipócrates (430-370 A.C.) cita em seus manuscritos uma proteção menstrual para ser usada intravaginalmente.