Passou-se mais um Dia Internacional da Discriminação Racial. Era preciso que a data fosse criada e celebrada, com ênfase, todos os anos, porque sempre teve razões de sobejo para tanto. Evidentemente, num mundo em que motivos tem de sobra para celebrar umas e outras datas, esta não poderia faltar no nosso amplo calendário, tão rica ela é de justificativas indiscutíveis, porquanto a verdade é que a discriminação racial tomou conta absoluta dos destemperos humanos. Quantos se lembram de que homens e mulheres são iguais a todos os homens e mulheres, conforme o observa o slogan conferido à efeméride? Quantos recordam de que, sendo iguais aos outros, não têm o direito de discriminá-los, como o fazem em todos os sentidos, colocando-os às margens das cogitações e dos acontecimentos da vida, que a todo momento acontecem e ninguém toma conhecimento deles? Esquecem-se de que brancos, loiros, morenos, negros, amarelos, vermelhos, baixinhos, médios, altinhos, são todos filhos natos do mesmo Criador e, conseqüentemente, têm a mesma origem e os mesmos direitos que os deles. É, naturalmente, esquecem-se de que nem mesmos bandidos poder-se-iam excluir em seus indesejáveis encontros. Negam a uns e outros todas as manifestações de amizade ou consideração. E aí está a discriminação racial de uns e de outros que ontem foi evocada a fim de despertar a humanidade para esse seu mal congênito que, infelizmente, procede desde os primeiros tempos. Nem Cristo, com seus poderes absolutos, escapou deles através de Pilatos... Jesus, como observa em seu belo desabafo, lançou sobre os homens a sua luz, olhos fechados não a viram, desceu para ajudá-los, pregaram-no na cruz. Então, que suas lições, ontem realçadas em diversos setores mais conscientizados dos povos, sejam tomadas em cima das cátedras da compreensão humana e possam reduzir quanto possível a incidência das grandes exclusões ou discriminações que amortecem os pensamentos do homem e da mulher de ontem e de hoje, iguais em todos os tempos, porque de carne e osso, não se tem nenhuma dúvida. É a nossa opinião.
(*) O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.