Neste ano foram registrados cinco casos da doença na cidade. Autoridades de Saúde continuam preocupadas
Trinta e cinco moradores de Bauru, que apresentaram sintomas da dengue, estão aguardando resultados de exames para confirmar ou não se estão com a doença. Neste ano, foram registrados em Bauru três casos importados de dengue e dois autóctones (contraídos na própria cidade) e as autoridades da área de Saúde continuam preocupadas com a possibilidade de uma epidemia da doença.
Várias cidades na região de Ribeirão Preto estão vivendo epidemia da doença, inclusive com registro de morte por dengue hemorrágica em Jardinópolis. No ano passado, Bauru teve 32 casos autóctones e 13 importados. A última medição do Índice de Breteau em Bauru, feita no início deste mês, mostrou uma alta infestação do Aedes aegypti, transmissor da dengue, em alguns pontos da cidade.
Em alguns bairros, como Vila Dutra, Parque Santa Cândida, Parque Real, Vila Pacífico, Vila Industrial, Vila Paraíso, Vila Souto, Vila Giunta, Leão XIII e Parque Viaduto, o Índice de Breteau foi de 21 - o máximo tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é entre 4 e 5. A diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão ligado à Secretaria Municipal de Saúde, Maria Helena Abreu, lembrou que quantos mais casos ocorreram, maior é o risco de dengue hemorrágica, que pode levar à morte.
A dengue hemorrágica pode ocorrer na reincidência da doença (quando a pessoa contrai dengue pela segunda vez) ou quando é picada por um mosquito infectado por um tipo de vírus diferente da primeira vez que contraiu a doença. Maria Helena explicou que o maior problema é que boa parte da população, apesar das campanhas, mantém nos quintais vasilhames que acumulam água e vasos de plantas com água, o que facilita a procriação do mosquito da dengue.
Ela ressaltou que, em muitas vezes, o problema é social. É o caso de pessoas que vivem da coleta e venda de materiais recicláveis e que, pela atividade econômica, não têm como se desfazer de grande quantidade de vasilhames que acumulam água. Nestes casos, os agentes de saúde orientam a cobrir os materiais com um plástico.
Faz dez anos que estamos com campanha contra a dengue em Bauru e no Brasil e mesmo assim é difícil controlar a doença porque as pessoas não mudam seus hábitos. Elas continuam deixando vasilhames no quintal e vasos de plantas com água. Enquanto não há um caso da doença na família, a população não acorda para o problema, desabafou Maria Helena.
Criadouro de Aedes dá multa
O Departamento de Saúde Coletiva tem uma equipe formada por 50 agentes que percorre a cidade, fazendo visita casa a casa, para combater o Aedes. Maria Helena ressaltou que, quando o risco de epidemia aumenta, outra equipe, da Vigilância Epidemiológica, reforça o trabalho de combate à dengue.
Depois da última medição do Índice de Breteau, o DSC está fazendo arrastões setorizados. A operação consiste em visitar as casas e pedir aos moradores a retirada de objetos que acumulam água. Em alguns casos, os próprios agentes fazem a limpeza. Maria Helena lembrou que o proprietário de imóvel com criadouro do mosquito Aedes aegypti está sujeito à multa aplicada pelo DSC, que vai de R$ 50,00 a R$ 2 mil. Por mês, são aplicadas entre 100 e 200 autos de infração. O Aedes aegypti reproduz-se com extrema rapidez - ele se multiplica de sete em sete dias -, daí a importância de que todos os possíveis focos de criadouros sejam eliminados.