10 de julho de 2026
Geral

Pela Justiça - Reeducandos do Instituto Penal Agrícola constroem anexo para fora.

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Uma parceria entre o Instituto Penal Agrícola de Bauru (IPA), o Poder Judiciário, o Ministério Público e a classe dos advogados da cidade está resultando na construção de um pavilhão que deverá funcionar como um arquivo de processos do Fórum de Bauru. A mão-de-obra está a cargo dos reeducandos do IPA.

De acordo com o promotor de Justiça das Execuções Criminais, Luís Carlos Gonçalves Filho, o objetivo desse trabalho é não apenas ampliar o arquivo do Fórum, que há quatros anos enfrenta problema com a falta de espaço, mas também proporcionar a recuperação dos reeducandos do IPA em trabalhos comunitários. Visto que o Tribunal não tem verba para construir um novo arquivo, que estava orçado em R$ 100 mil, nós nos organizamos e conseguimos doações de materiais da classe dos advogados e buscamos a mão-de-obra dos presos, criando essa oportunidade para eles e solucionando dois grandes problemas, esclarece.

O oficial de cartório Hermes Reis Júnior, que é responsável pela fiscalização da obra, acredita que os reeducandos preferem passar o tempo trabalhando. Eles não gostam de ficar parados lá dentro. Essa obra tem o mérito de ter 100% da mão-de-obra composta pelos reeducandos.

Gonçalves, que foi o responsável pelas negociações referentes à mão-de-obra, acrescenta que a iniciativa partiu do juiz de Direito e diretor do Fórum da comarca de Bauru, Jaime Ferreira Menino, que cooptou advogados, juízes e promotores para as doações de materiais.

As obras do pavilhão, que está sendo levantado em um terreno da Prefeitura cedido para a utilização do Poder Judiciário, na quadra 6 da avenida Cruzeiro do Sul, tiveram início no dia 1 de fevereiro. A previsão é de que a duração tenha 90 dias.

O promotor Gonçalves acrescenta que a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Planejamento (Seplan), está colaborando com a elaboração do projeto, através de seus engenheiros e arquitetos.

Reis Júnior ressalta a importância da iniciativa para os reeducandos, já que haveria outros interessados em participar de atividades comunitárias como essa. É um incentivo para que as empresas passem a chamá-los para realizar esses trabalhos, já que eles não são perigosos.

Os seis reeducandos que estão trabalhando na obra, Merisvaldo Bento de Souza, Celso Luiz Baldin, Eduardo Pereira Conceição, Jonas Ferraz de Camargo, Saulinei Corrêa Rodrigues e Ubiratan Aquilino Ferreira, são unânimes quanto à importância de tal oportunidade para suas vidas. É o caso de Merisvaldo, que está desenvolvendo a função de mestre-de-obras. Essa é uma oportunidade para nós mostrarmos o que sabemos fazer; de mostrar que podemos voltar a ser o que éramos antes.

Anteriormente, ele chegou a efetuar atividades na própria sede do IPA, quando trabalhou na cozinha e na costura de bolas. Pelo menos aqui a gente está vendo a liberdade, expõe.

Celso Luis falou sobre a vantagem da oportunidade de ter a pena reduzida. É melhor do que ficar lá dentro também porque temos a oportunidade de ir embora. Para cada três dias que trabalhamos, temos um dia a menos de pena a cumprir.

Já Ubiratan, que trabalha há cinco meses no local como jardineiro, acredita que em breve terá liberdade, já que sua pena está chegando ao fim. A gente pretende mudar de vida daqui para frente.