10 de julho de 2026
Geral

Secretário revela problemas na refeição

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O secretário da Administração Municipal, Flávio Uchoa, se reuniu com 15 vereadores para discutir a precariedade no serviço

O secretário da Administração Municipal, Flávio Uchoa, foi até a Câmara, na manhã de ontem, realizar uma reunião inusitada, em se tratando de cultura política. Ele apresentou a 15 vereadores um relatório que revela a precariedade do serviço no refeitório da Prefeitura. Flávio Uchoa, ao contrário, não escondeu os problemas e discutiu um plano para reverter a situação. A Prefeitura serve 1.250 refeições ao dia, sem balanceamento nutricional adequado e em ambiente com sérios problemas sanitários e de higiene.

Flávio Uchoa disse que percebeu, ao assumir a pasta, muita reclamação em relação a qualidade das refeições servidas pela Prefeitura Municipal. Pedimos um relatório detalhado da nutricionista e da cozinheira da Prefeitura. O relatório trouxe informações sobre as condições precárias das instalações e condições ruins de higiene. Além disso, resolvemos checar as informações, para ampliar o diagnóstico, fazendo uma pesquisa com 10% dos servidores que recebem a alimentação, ou seja 125 casos. Pesquisamos sobre qualidade, higiene, diversificação do cardápio e outros itens. Noventa e cinco por cento apontaram a refeição como ruim e isso nos preocupou, disse o secretário aos vereadores.

Fora isso, a Prefeitura Municipal solicitou, através de convênio com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), um levantamento no refeitório, que está localizado dentro das instalações do Caic, prédio que tem a maior parte da estrutura física cedida ao Município. O refeitório é dividido entre a cozinha para marmitex e a cozinha para merenda. Sobre o aspecto físico do local, o estudo apontou que as paredes estão muito sujas e engorduradas, necessitando de limpeza e pintura. Também foram encontradas esquadrias de ferro com vários pontos de ferrugem. Sobre a ventilação, o relatório aponta que devido à falta de equipamento correto para exaustão, existe forte odor de gordura dentro de toda a cozinha. O teto não possui laje, o que permite o ingresso de elementos contaminantes pelos vãos das telhas. Também não existem telas de proteção contra a entrada de insetos em nenhum local. O ambiente da cozinha é totalmente aberto.

Mercadorias

Em relação à área de recebimento de mercadores, o levantamento apontou que há alto risco devido a posição dos banheiros, que têm acesso direto ao setor de armazenagem de mercadorias. A área também é a mesma da expedição do alimento já processado. Ou seja, enquanto está chegando mercadoria, estão saindo restos de alimentos, lavagem. A nutricionista do refeitório informou que não existem produtos de limpeza suficientes para a higienização de modo correto. Também foi notada a presença de uma caixa dágua de fibra, preta, no local, sem nenhuma finalidade.

O relatório ainda informou sobre desorganização nos armários do corredor de acesso à cozinha, feitos em alvenaria. As câmaras frias não possuem qualquer tipo de revestimento impermeável. A umidade infiltra nas paredes, provocando descascamentos e desagregação dos elementos construtivos, por excesso de umidade. As prateleiras da câmara fria são de madeira, que em reação com a umidade constante do ambiente propiciam a propagação de microorganismos, bactérias e fungos, descreve o relatório. As lâmpadas não funcionam e não há reposição. Também não existe nenhum tipo de traje de proteção aos funcionários que têm acesso à câmara fria. Já a câmara frigorífica não possui antecâmara.

A inspeção ainda apontou fogões sem coifa e exaustor e com queimadores estragados. As mesas e a bancada utilizadas para a manipulação são de madeira, inadequadas e oferecendo risco de contaminação dos alimentos. Existe apenas um amaciador de carnes, ainda assim em estado precário. Não existem lavatórios para a higienização das mãos, que deveriam estar instalados em posições estratégicas em relação ao fluxo de preparações e dotadas de torneiras acionadas sem contato manual, saboneteiras e dispositivos para secagem das mãos. As panelas estão incrustadas de sujeira. Boa parte dos equipamentos de uso para manipulação dos alimentos está em estado precário.

O tempo de montagem do alimento é superior a 30 minutos, que é o limite máximo recomendado. A despensa é pequena, sem ventilação e sem iluminação natural. Nela são armazenados alimentos estocáveis e perecíveis, como cebola, alho, batata. Foi encontrado feijão preto dentro de latões de óleo automotivo no local. Foram encontradas embalagens de vinagres vazias, que passam a ser reaproveitadas para molho vinagrete. O transporte do marmitex apresentou enorme quantidade de sujeiras em seus recipientes. Foi informada à comissão de auditoria que chegou a ser efetuado transporte de alimentos em caminhões de asfalto, gerando contaminação com areia e materiais betuminosos.

A água da cozinha não possui sistemática de limpeza na caixa dágua. O depósito de lixo do refeitório deveria ser localizado em área afastada do fluxo de alimentos e de fácil acesso para sua remoção. Essas regras não são observadas. O sistema de compras dos alimentos também é precário, sem nenhuma sintonia entre o departamento de suprimentos e a coordenação da área de alimentação. O cardápio é deficiente e não apresenta, por exemplo, nenhum tipo de verdura e fruta. Controle de insetos e roedores deve ser feito de três em três meses em locais do gênero, o que não acontece na cozinha da Prefeitura.

Os funcionários não contam com luvas, máscaras, aventais, botas, comprometendo as condições sanitárias e de higiene exigidas para a atividade. O relatório final contempla todos esses problemas detectados no refeitório. O secretário municipal, Flávio Uchoa, disse que a Prefeitura Municipal vai agir com prioridade em relação ao assunto. Para o secretário, as atividades do refeitório devem ser paralisadas imediatamente para a posterior tomada de providências.