09 de julho de 2026
Geral

PM investe em futuro motorista com Programa de Educação para o Trânsito

André Tomazela
| Tempo de leitura: 5 min

As aulas começaram nesta semana em quatro escolas da rede municipal, abrangendo oito salas de aula e pretende atingir, até o final do semestre, cerca de 300 alunos de Bauru, da 3.ª ou 4.ª séries do Ensino Fundamental. No próximo semestre serão mais sete salas

Os resultados serão colhidos a longo prazo. As crianças, que estão na 3.ª ou 4.ª séries do Ensino Fundamental, farão 18 anos somente daqui a oito ou dez anos, em média, época em que poderão tornar-se motoristas. Mas a PM percebeu que é muito mais fácil ensinar e formar crianças do que corrigir vícios dos adultos.

Parceria entre a Polícia Militar, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Secretaria da Educação permitiu que o Programa de Educação para o Trânsito nas Escolas, que teve início nesta semana fosse posto em prática. São, neste primeiro semestre, oito salas de aula, espalhadas por três escolas municipais: Núcleo de Ensino Renovado de Educação Infantil e Fundamental, Emef Santa Maria, Emef Cônego Aníbal Difrância, computando cerca de 300 alunos.

As sete salas restantes começarão o curso a partir de agosto deste ano. O total de alunos formandos no final do ano, somando todas as salas, é de cerca de 500 alunos.

O nosso objetivo para o futuro é estender o programa para toda a rede estadual de ensino, incluindo as particulares. Mas, para tanto, será necessária a formação de novos monitores e mais recursos materiais, comenta o coordenador do programa, o 1º. sargento Dornelas. No ano de 1999, formaram-se, através de curso fornecido pela Unesp, 23 policiais militares, parte dos quais trabalhou na primeira edição do programa. Neste ano, estão trabalhando como instrutores nove policiais militares.

Por ser um projeto ainda em experiência, nós temos que começar devagar. O programa está sendo objeto de avaliação, inclusive através da própria Unesp que, depois, fornecerá uma avaliação detalhada para que possamos introduzir modificações e adaptações, comenta Dornelas.

De acordo com o ele, o Programa de Educação para o Trânsito nas Escolas veio para suprir uma deficiência da PM, que enxergava a educação como informação e não como formação. Buscamos agora a conscientização do indivíduo como ser humano, comenta.

Antes, a PM dava muita relevância para programas pontuais, como palestras e campanhas educativas de caráter puramente informativo. A partir do curso de aprimoramento realizado na Unesp notou-se a necessidade de desenvolver projetos que levassem à mudanças de comportamento, que só podem ser conseguidas a longo prazo, através de aulas periódicas e seqüenciais. É um projeto feito para o futuro, que terá seus reflexos daqui a oito ou dez anos, quando a pessoa possivelmente passará de pedestre à motorista, completa.

Conteúdo das aulas

O primeiro passo para os policiais militares, que são instrutores do programa, é tentar fazer com que os alunos desfaçam a imagem do policial como aquele que entra em ação quando alguém faz arte.

O instrutor, que ministra aulas na Emef Santa Maria, na Vila Cardia, cabo William, revelou que as crianças têm muita curiosidade sobre o que é o policial e qual o seu verdadeiro papel. Elas ficam perguntando sobre o revólver, os itens da farda. Querem saber para que serve, comenta.

Para suprir esta curiosidade, na primeira aula o curso apresenta a missão da Polícia Militar e suas modalidades de policiamento. Na segunda aula, noções de cidadania e o que é ser cidadão são abordadas como um preparativo para que as crianças compreendam as questões relativas ao trânsito como fazendo parte da história. A parte sobre o trânsito compreende os seguintes assuntos: os meios de transporte, sinalização vertical, sinalização horizontal, confecção de placas de sinalização, sinalização de trânsito, o pedestre no trânsito, utilização de meios de transporte, brincadeiras em vias públicas e ciclismo. Esta atividade é a mais praticada pela faixa etária em que se encontram os alunos, sendo a bicicleta um meio de transporte muito utilizado por eles, comenta William.

Através do quadro negro, retroprojetor e transparências, vídeos e interatividade, os alunos começam a ser introduzidos no mundo das regulamentações de trânsito, noções apresentadas enquanto conceitos e depois vivenciadas através de passeio próximo à escola e atividades lúdicas. Além disso, no final de cada aula, é solicitado aos alunos que eles tragam materiais de casa sobre o próximo assunto a ser abordado. Pretendemos com isso fazer com que os pais participem das atividades das crianças, comenta William.

No final do curso, a criança poderá confrontar tudo o que aprendeu e vivenciar cada situação na Cidade Mirim, protótipo de cidade com todas as sinalizações existentes numa cidade real. Esta é a última aula, que precede a formatura dos alunos, na qual eles ganham certificado de participação.

Para o cabo William, a experiência como instrutor está sendo muito boa. Tirar aquela idéia preconcebida da criança de que o policial vai prender ou pegar é muito bom. Esse é um dos objetivos implícitos do programa, comenta. No final, é gratificante perceber que a criança está corrigindo o coleguinha sobre como atravessar a rua corretamente, por exemplo.

Meus direitos

Na aula sobre cidadania, o instrutor apresenta que para todo direito há um dever correspondente:

Eu tenho o direito de ser feliz e ser tratado com cuidado e compreensão. Isso significa, que eu posso expressar minhas idéias e que ninguém deverá rir ou ferir meus sentimentos.

Eu tenho o direito de ser respeitado como pessoa. Isso significa que devo ser tratado corretamente.

Eu tenho o direito de estar seguro. Isto significa que nenhuma pessoa deverá me ferir fisicamente ou com palavras.

Eu tenho o direito de dizer não. Isto significa que eu posso dizer não a outra criança ou adulto, quando me pedirem para fazer algo que está errado, que seja perigoso ou que não pareça direito para mim.

Eu tenho o direito de falar o que sinto e ouvir o que os outros têm para dizer. Isso significa que eu posso falar quando for a minha vez e devo ouvir quando outra pessoa estiver falando.

Eu tenho o direito de aprender. Isso significa que eu devo ter orgulho das coisas que eu aprendo, e que devo me esforçar para aprender sempre mais.