08 de julho de 2026
Geral

DEFESA CIVIL RESPONDE

Álvaro de Brito
| Tempo de leitura: 7 min

Com relação à carta do sr. Luiz Francisco Fernandes da Silva, publicada nesta Tribuna, no dia 4/3/2001, gostaria de explicar de maneira didática, pois parece que o missivista não alcança a resposta.

1) Com relação ao título A carapuça lhe serviu, gostaria de dizer que o sr. citou meu nome várias vezes em sua carta (ou estou enganado?), daí a minha resposta!

2) Quando cito que o sr. é a pessoa certa para resolver os problemas da cidade é porque o sr. se colocou nessa posição, inclusive tecendo várias críticas a nossa equipe e ao nosso trabalho (quem critica é porque pode fazer melhor).

3) Quando o sr. cita fatos do passado, inclusive com data, dia e hora dos acontecimentos relatados, por outro jornal, gostaria que o sr. apresentasse algum documento assinado comprovando o fato da Defesa Civil ter contribuído para construção da casa em área de risco. Jamais a Prefeitura autorizaria tal construção, ainda mais em área pública.

4) Mais uma vez o sr. cita matéria de outro jornal, sobretudo de vales. Gostaria de lembrá-lo que hoje o conhecimento é universal, no mundo todo sabe-se a solução dos problemas decorrentes das chuvas, porém são soluções extremamente caras. Se assim não fosse, viveríamos num paraíso. Como o sr. mostrou-se um assíduo leitor de jornais, sabe que os EUA estão preocupados com inundações e nevascas que atingem a cidade mais segura do mundo, onde vive o presidente da mais poderosa nação do Planeta. Lá, também, o problema se esbarra na verba e não na tecnologia que é de conhecimento mundial. (Vide JC de quinta, 1/3/2001 - Nevasca mata três na capital dos EUA)

5) Como o sr. viu no JC do dia 4/3/2001, as chuvas assolam o nosso Município há mais de 60 anos. Por que será que acontece isso? Sr. Luiz, no mundo inteiro sabe-se onde vão ocorrer furacões, terremotos, avalanches, vulcões, maremotos, inundações. Bom seria se o ser humano não estivesse habitando nessas regiões. No nosso caso particular, a cidade cresceu de maneira desordenada e erros urbanísticos do passado estão se refletindo nos dias de hoje. Cito um exemplo: a ocupação de áreas de várzea pelo asfalto, pelo comércio, pelas residências. O homem foi drenando essas áreas e ocupando-as até de uma maneira histórica, pois em nossa cidade esse processo se deu desde o início do povoado que deu origem à cidade. Sr. Luiz, não podemos, também, atribuir culpa aos governantes do passado, pois a realidade era outra e as leis, também. Por isso, hoje, por força de lei, foram criadas áreas de preservação ao longo dos rios e nascentes, pois são locais em que a simples interferência do homem pode causar danos irreversíveis e aumentar de maneira assustadora o processo evolutivo das enxentes. Hoje, sr. Luiz, milhares de pessoas vivem em áreas de várzea aqui, em São Paulo, no Rio, na Europa, nos EUA e outros locais. E antes que o sr. pense que isso é uma desculpa, quero lhe dizer que isto são fatos.

6) Quando o sr. questiona o nosso trabalho, até de maneira pejorativa, quero lhe dizer que a Defesa Civil tem equipe formada nos vários segmentos da população. Além da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária, Polícia Florestal, DAE, Emdurb, Daesp, Cesp, Infraero, CPFL, IPmet, órgãos municipais, secretarias estaduais e órgãos federais, que colaboram conosco nos momentos em que mais precisamos. Portanto, dirija-se exclusivamente a minha pessoa e não à Defesa Civil, já que o sr. nem de longe consegue alcançar o significado de nosso trabalho e o envolvimento que ele tem na cidade.

7) Quando o sr. questiona o que está sendo feito para evitar novas catástrofes, quero lhe dizer que somente Deus, o Criador, pode evitar uma catástrofe. Será que algum ser humano, nos dias de hoje, poderia evitar um furacão, um vulcão, um terremoto ou uma inundação sem precedente na história da cidade? Talvez o sr. conheça alguém...Já que não podemos evitar uma catástrofe, podemos atenuar seus efeitos, como: anualmente, a Sear e a Secretaria de Obras promovem a limpeza e desobstrução de mais de 3.000 bocas-de-lobo e limpam quilômetros de galerias. Foi feito um convênio para limpeza do córrego Água do Sobrado com uma draga que pode ser vista há 20 meses trabalhando em sua foz, retirando areia. Já foram mais de 20 mil caminhões retirados do local.

Foram feitas obras de captação de águas pluviais, caixas de contenção e redução da velocidade das águas, dimensionamento de bacias, contenções de enxurradas, desvio e cortes de águas pluviais, construção de barragens tipo cachimbo, proteção de residências, contenção de barreiras, recuperação de vias de acesso a ônibus, ruas de comércio, ligações bairro a bairro, recuperação de 16 pontes na zona rural, em convênio com o Estado, já em fase inicial de implantação, três das quais já recuperadas, uma delas permitindo o acesso a uma clínica. Parece pouco? Mas eu o convido a dar uma volta pela cidade e sempre que o sr. observar uma equipe da Prefeitura trabalhando procure se inteirar, pois assim o sr. terá a certeza de que a Prefeitura está trabalhando. E ainda falta muito para se fazer. Com a ajuda do Estado, vamos recuperar as passagens das ruas Mara Lúcia Vieira e Waldemar G. Ferreira e tapar a buraqueira dos bairros, obras que estão em andamento.

Quanto ao triste dia 8/2/2001, nossas equipes, mais Obras, Sear, DAE, Emdurb, Saúde, Sebes trabalharam noite adentro. Só para o sr. ter uma idéia, nosso veículo rodou, num único dia, 570 quilômetros dentro da cidade. Naquele dia, como de praxe, informamos o Corpo de Bombeiros e os vários segmentos envolvidos na ação de socorro da possibilidade da chuva que se deslocava para a nossa região atingir nossa cidade. Entramos ao vivo em duas emissoras de rádio orientando a população, inclusive para que não se deslocasse sem necessidade. Até mesmo que não se preocupassem com os filhos, pois estes estariam seguros nas escolas.

Agora, sr. Luiz, conheça um pouco do nosso trabalho: nos últimos anos, realizamos 7.500 procedimentos de defesa civil e atendemos 35 mil pessoas, centenas de incêndios, inundações, desabamentos, epidemias, acidentes de trânsito com dezenas de vítimas, acidentes aeronáuticos, incêndios florestais, vazamento de cargas tóxicas, incêndios industriais. Participamos de várias Campanhas do Agasalho, combate ao mosquito da dengue, combate à fome. Participamos de reuniões com a comunidade, sempre abordando questões de segurança. Foram 26 palestras em Bauru e região, em escolas, universidades, creches, clubes e associações. Foram distribuídos 6.000 folhetos orientando a população que vive em área de risco. Foram inúmeras entrevistas em rádio, jornal, TV, abordando questões de segurança, e desde o ano passado, o Jornal da Cidade, em parceria com a Comdec e o Corpo de Bombeiros tem divulgado em suas páginas os procedimentos a serem adotados em caso de chuva, no carro, na casa, na rua, inclusive com matérias no JC Criança e Automercado. Sem contar que pensamos, vivemos e respiramos Defesa Civil 24 horas por dia e em breve estaremos implantando uma Coordenadoria de Defesa Civil em nosso Município e uma central integrada de emergência onde as ações preventivas de socorro assistencial e recuperativas ganharão um incremento a mais nas ações de socorro público.

Mal orientado em suas ações e equivocado em seu propósito, está na hora do sr. começar a rever os seus conceitos de cidadão que o sr diz ser. Se quiser saber mais sobre obras ou sobre o nosso trabalho, nos procure e teremos o máximo prazer em lhe informar. Quanto a se suas palavras me incomodam? Já vi muita coisa na vida. Portanto, já passei dessa fase. Como parece que lê muito e gosta de frases, esta é para o sr. refletir ao deitar-se: Se veio para criticar, por que nào veio quando era para ser feito? Não pretendo mais responder ao sr. pelo jornal, pois temos muito trabalho a realizar e nem sempre nos sobra tempo. (Álvaro de Brito, coordenador da Comdec)