09 de julho de 2026
Geral

Sucen estende nebulização no M. Dota

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

A medida decorre do aumento de suspeitas de vítimas da dengue; população cobra fiscalização por temer epidemia

A Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), órgão estadual, vai estender, esta semana, o serviço de nebulização na região do Núcleo Mary Dota, devido ao aumento do número de suspeitas de casos de dengue. Nos bairros próximos, a situação também preocupa os moradores. A população de Bauru cobra medidas dos órgãos públicos responsáveis pela fiscalização de terrenos baldios, praças públicas para o mato alto e acúmulo de lixo. O motivo é o temor de que uma nova epidemia da doença volte a atingir a cidade.

De acordo com Flávio Tadeu Salvador, coordenador do projeto de controle do Aedes, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde, devido aos 77 casos suspeitos de dengue encontrados no último final de semana, equipes da Vigilância Epidemiológica iniciarão, a partir de hoje, uma investigação na região das casas em que moram as supostas vítimas, com a finalidade de comprovar casos da doença.

A investigação consiste em visitar o local e questionar as pessoas envolvidas para que as suspeitas sejam comprovadas.

Flávio acredita que, com a medida, o número de suspeitas devem cair, já que as 77 registradas no final de semana incluem casos de apenas um dos sintomas, como febre ou diarréia.

Caso a suspeita seja confirmada após a investigação, as pessoas envolvidas serão orientadas a realizar o exame que comprovará ou não a doença.

Outra medida que visa controlar os casos de dengue para evitar epidemia na cidade consiste em nebulizar casas na região do Mary Dota, bairro em que foram registrados os casos suspeitos.

A nebulização será efetuada por equipes da Sucen no interior das casas do bairro e tem por objetivo matar o mosquito já na fase adulta. A providência da Sucen visa matar o mosquito na fase adulta, enquanto a Prefeitura se responsabiliza pela eliminação dos criadouros, esclarece Salvador.

Ele acrescenta que as buscas para eliminação de criadouros estão sendo estendidas ao bairro Beija-Flor, com o intuito de cercar a região do Núcleo Mary Dota.

E insiste em um alerta à população: Ainda estamos encontrando muito lixo acumulado nos quintais das casas. O ideal é que cada morador verifique seus quintais para eliminar materiais que possam acumular água.

Preocupação da população

Por outro lado, moradores de diversos bairros denunciam locais na cidade que possam tornar-se focos do Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue.

Wiliam Stieltjes, que mora na quadra 10 da rua Floriano Peixoto, reclama das condições do quintal de um de seus vizinhos. Ele afirma que há acúmulo de água em um recipiente em que as aves que o morador cria bebem água. A gente tem medo de pegar a dengue. Ela está se espalhando e essa água é uma ameaça muito próxima à minha casa.

Stieltjes acrescenta que denunciou a situação ao Departamento de Saúde Coletiva diversas vezes. Ninguém está tomando providências.

O morador da casa vizinha, Maurício Prudente, por sua vez, alega que o tanque é lavado semanalmente e que os fiscais da Secretaria Municipal de Saúde não constataram irregularidades em seu quintal. Se houvesse larvas, as galinhas comeriam, afirma.

Já no Centro, a preocupação de uma moradora vem de um terreno baldio em que mato alto e entulho acumulam-se há meses. O terreno, localizado na esquina da rua Virgílio Malta com a travessa Boa Sorte, encontra-se com restos de materiais de construção, pedaços de madeira, lixo e galhos, além do mato alto.

A moradora, que preferiu não ser identificada, afirma que os problemas com insetos têm aumentado nas últimas semanas e teme que o local seja um criadouro do mosquito transmissor da dengue.

De acordo com Paulo Matos, do setor de fiscalização da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), o proprietário do terreno foi autuado pela infração e já recebeu a comunicação da multa.

No Redentor, as reclamações decorrem do estado de abandono de uma praça localizada na rua São Jerônimo.

A praça encontra-se com mato alto, lixo acumulado e galhos amontoados que, segundo os moradores, não foram recolhidos pelos funcionários da Prefeitura que realizaram a última poda das árvores.

A moradora Vanda Lanzzetti afirma que o número de insetos e outros animais nas proximidades tem aumentado, como pernilongos, formigas, baratas, gafanhotos, aranhas e até mesmo cobras. Todo mundo tem que colaborar para que a dengue não se espalhe. A Prefeitura também tem que fazer a parte dela, reclama Vanda.

Ela afirma que as crianças não podem brincar no local, já que voltam para casa com picadas de pernilongos e de formigas. Há três meses estamos ligando para a Regional Redentor, sem resposta. Nós estamos tentando manter uma parte do local limpo, mas a situação está insustentável, agrava a moradora.

O responsável pela Regional Redentor, Luiz André Vicentine, alegou, na tarde de ontem, que não tinha conhecimento das reclamações sobre a praça em questão. Ele afirma que a responsabilidade de fiscalização do local é da Divisão de Praças e Áreas Verdes da Secretaria Municipal do Meio-Ambiente.

No entanto, garantiu que tentará deslocar funcionários que estão trabalhando nas Emeis para que efetuem o serviço na praça.