08 de julho de 2026
Geral

A hegemonia do Brasil no Cone Sul

(*) José Almodova
| Tempo de leitura: 3 min

Em artigo da Agência do Estado (AE) - no início do corrente mês- o JC. nos proporcionou feliz oportunidade, ao publicar um importante assunto cognominado Relatório pede mudança na relação EUA-Brasil. Fato merecidamente acompanhado e ilustrado com a foto atual do novo presidente dos EUA, George W. Bush, em tamanho de 10x12 cm. Segundo a (AE), sua excelência, George W. Bush, estaria de posse de um relatório cuja produção teria sido trabalhada num período de ano e meio, por uma força-tarefa (com 21 especialistas e empresários), sob o patrocínio do Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos. O objetivo? A realização de um aprimorado estudo técnico/administrativo naquele país, em face das suas relações econômico/fiscal para com o nosso País.

O relatório foi endereçado ao presidente Bush, sob a seguinte exigência, postulando: uma mudança urgente na política dos EUA para a América do Sul, em cujo centro deveria estar o Brasil. Seguida da importante afirmação: O Brasil é o fulcro, diz o texto. E, afirmando peremptoriamente: Sem uma intensa parceria com o País, a Área de Livre Co-mércio nas Américas (Alca) não será proveitosa para os EUA nem para o continente. O relatório em questão saiu em busca de antecipar-se e pré inserir no presidente recém-iníciado no mandato a que fez jus, um alerta. Este, no sentido de que Bush administre com especial atenção suas atitudes, com respeito ao maior país sul-americano, o Brasil. Para tanto, incluindo em suas primeiras medidas, uma reformulação nas atitudes dos EUA; historicamente paternalista ou desdenhosa.

Assim, entendemos que o relatório talvez busque -pela primeira vez na nossa história pacífica com os EUA- e percebe-se a preocupação de se implantar uma nova filosofia po-lítico/administrativa do importante país norte americano, quando demonstra reconhecer a posição hegemônica do Brasil no Cone Sul.

O inesperado relatório -segundo se supõe- provavelmente não haja recebido a difusão que mereceria. Sobretudo para com os interesse econômicos -não somente para orgulho do Brasil- quanto para os nossos demais países vizinhos, daqui da América do Sul. Particularmente, também nos chama a atenção a iniciativa na execução do referido relatório, oriundo da América do Norte, que naturalmente não seja (supostamente), por tratar-se ape-nas de prevenção em organizar e construir uma nova égide de primeiro mundo para o país.

Ante outros argumentos constantes do relatório, entretanto, percebe-se certa finesse nas afirmações e comparações que medeiam o trabalho em nosso País, quanto às considera-ções no âmbito econômico/social, dada à política que aqui vem sendo praticada. Nas comparações das matérias que constam do relatório -em especial a que faz veladas comparações do Brasil com países do primeiro mundo, afirma-se que o Brasil possui PIB duas vezes maior que o russo.... Aí supomos que parece haver ocorrido falha de redação, errata ou exagero conclusivo. A oração, porém, sobre nosso País conclui -em elogios-grande mercado de consumo e parque industrial avançado, em que a adesão a novas tecnologias é crescente. Exaltando o Brasil, cita-o como um país que possui estabilidade econômica e segue, em fase de crescimento respeitável e com baixa inflação. E cita: o maior país da América do Sul e líder do Mercosul. -Hosana- enfim (ainda que seja por interesses outros), finalmente os americanos se ilustraram em geografia concluindo que Buenos Aires não é a capital do Brasil, tal como pensavam em julho de1975, quando lá estivemos, num Curso de Especialização em Marketing, na Universidade de Nova York.

O relatório tenta amenizar argumentos constituídos de vantagens, que até certo ponto suponho um tanto mascaradas. Assim: (...) não ignora as deficiências sociais, políticas e econômicas do Brasil; apenas considera que o País tem evoluído em todas essas áreas. Segue na tentativa de induzir os leitores de que nosso País: estará preparado para a globalização requerida pela Alca, cujo início está previsto para 2005. E reforça comentando: O Brasil exporta pouco e, como diz o relatório, precisa de mais comércio, não de menos.

-Hosana...,-mais uma vez- não se pode deixar de festejar. Fico por aqui.

(*) José Almodova é jornalista e professor-Mestre em Projeto, Arte e Sociedade pela Unesp. É colaborador do JC e escreve às quintas-feiras nesta coluna. E-mail: almodova@ig.com.br