08 de julho de 2026
Geral

Só os transportes de cargas?

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Está sendo sugerido seja proibida a circulação de caminhões, com ou sem carga, no retângulo central da cidade. Seriam admitidos apenas os que abastecem o comércio local, assim mesmo dentro de horários próprios, nenhum mais. O objetivo seria libertar a área de um instrumento que, paralelamente a alguns outros, é componente natural do amplo contexto de ferragem, borracha, vidro e combustíveis que congestiona o tráfego durante quase todo o dia na área, além de contribuir com terríveis baforadas de fumaça escura para aumentar muito a poluição local.

Com idéia a sugestão é boa e, como finalidade, é sem dúvida ótima, pois a tramitação de veículos de todos os tipos e toneladas no centro da cidade está caminhando célere para a saturação e, por tão séria razão, não pode continuar por muito tempo controlada apenas por semáforos, faixas de sinalização no solo, placas indicativas, mãos de direção e estacionamento paralelo ao meio-fio como foi implantado, de disciplinamento superficial e resultados plenos somente nas pequenas cidades. Não é, evidentemente, o caso de Bauru que, com seu avantajado médio porte, além de pólo convergente de várias regiões, que nela diariamente se abastecem, atingiu alto índice de circulação de veículos e não pode fugir à contingência de exigir das suas autoridades providências de alcance maior que as tradicionais. O afastamento de caminhões que, com necessidade incontrolável, tomam no centro os espaços de outras viaturas, deve ser mesmo adotado, tendente que é a colocar o tráfego central em melhores condições de segurança a agilidade.

Achamos, contudo, que a Empresa precisa estudar também idêntica medida em relação aos ônibus urbanos que, como os caminhões, são também fator de regurgitação do tráfego e da poluição, especialmente nas avenida Rodrigues Alves, Nações Unidas e Duque de Caxias, mas com reflexos e toda a sua adjacência. É lógico que seria profundamente problemática a retirada dos coletivos urbanos e intermunicipais dessas avenidas e de outras, face a uma série enorme de profundas implicações. Nem por isso, contudo, pode ela ficar à margem de cogitações, porquanto deixar a situação como está para ver como é que fica no futuro incerto e não sabido seria uma atitude de grave irresponsabilidade, posto que sujeitaria a cidade a ter um trânsito por todo o sempre estrangulado, babilônico, tumultuado etc. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.