09 de julho de 2026
Geral

Escolas estaduais de Bauru reprovam 5,6% dos alunos

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

As escolas estaduais de Bauru estão reprovando mais. No ano passado, 4,22% dos alunos matriculados no ensino fundamental (de 1.ª a 8.ª série) e 7,4% no ensino médio (antigo colegial) foram reprovados. O índice de reprovação, em ambos os casos aumentou em relação a 1999. A informação é da Diretoria Regional de Ensino, que não tem justificativas específicas para esse aumento. O número de alunos matriculados nas 48 escolas estaduais da cidade em 2000 era de cerca de 52 mil.

O índice de reprovação no ensino fundamental passou de 2,8%, em 1999, para 4,22%, em 2000. Já no ensino médio, o percentual de reprovação registrado em 1999 foi de 5,7%, enquanto no ano passado esse índice subiu para 7,4% no ano passado.

O dirigente regional de ensino, Jair Sanches Vieira, acredita que o aumento pode ter sido provocado pela mudança no sistema de aprovação dos alunos, que atualmente são reprovados apenas ao final de cada ciclo - 1.ª a 4.ª ou 5.ª a 8.ª séries. É porque, agora, o aluno está refazendo o ciclo - ou o primeiro ciclo, de 1.ª a 4.ª série, ou o segundo ciclo, de 5.ª a 8.ª série, expõe Vieira.

Ele acrescenta mais um possível fator para esse aumento. Em outros anos, o entendimento que o pessoal tinha da questão da reprovação era um. Este ano, como nós temos várias classes de recuperação de ciclo, tanto de ciclo um, como de ciclo dois, as escolas passaram a ter um novo olhar para a questão da aprovação e da reprovação, disse.

Outra possibilidade levantada pelo dirigente regional de ensino refere-se às reprovações por falta, já que muitos alunos não teriam comparecido às reposições de aula, que aconteceram em janeiro, na maior parte das escolas, em função da greve dos professores ocorrida no ano passado. O aluno precisa ter 75% de presença nos dias letivos para ser aprovado. Pode ter sido isso também. Não que tenha sido o mais pesado. Outra possibilidade é que uma porção de alunos que ficou de recuperação, em janeiro, não compareceu.

Questionado quanto à rigidez ou flexibilidade do sistema de avaliação, Vieira disse acreditar que esse aspecto não tem relevância no aumento da reprovação escolar do ano 2000. Não dá para afirmar se a avaliação tornou-se mais rígida. Isso não tem um peso grande nessa trajetória.

Já a pedagoga Vera Casério, professora da Universidade do Sagrado Coração (USC), visualiza um aspecto positivo no aumento de alunos retidos no ano passado. Eu entendo que esse aumento preocupa muito. Por outro lado, isso é um alívio. Durante muito tempo, alunos eram aprovados sem condições de continuar. Não é possível aprovar um aluno sem que ele tenha condições de acompanhar a série seguinte. Era o que estava acontecendo. É importante aprovar, mas com critérios.

Os dados fornecidos pela Diretoria Regional de Ensino indicam, ainda, grande redução no índice de aprovação. No ensino fundamental, a aprovação caiu de 93,6% para 81,65%, índice registrado em 2000. A aprovação passou de 80,0%, em 1999, para 68,5%, em 2000, no ensino médio.

A Diretoria Regional de Ensino aponta que a queda foi provocada pelo grande número de alunos transferidos, que totalizam 11,15% no ensino fundamental e 12,8% no ensino médio. Vieira afirma que o total de alunos transferidos é calculado pela somatória daqueles que passaram a estudar em escolas particulares, escolas da rede municipal de ensino ou supletivos.

De acordo com Vera Casério, o número de alunos transferidos é alarmante e pode indicar aumento de evasão , ou seja, alunos que abandonaram a escola. A gente não pode dizer que tudo isso tenha migrado para o ensino particular, porque é impossível. O que a gente está vendo é justamente o contrário: é a saída da escola particular para a pública. Eu não entendo que tantas pessoas mudaram de escola. É preciso fazer uma análise aprofundada para verificar se não houve aumento de evasão. A evasão é um problema muito sério. Significa criança fora da escola.

Nos dados da Diretoria Regional de Ensino constam os alunos que tiveram aprovação parcial em anos anteriores a 2000. São estudantes que tiveram apenas algumas disciplinas reprovadas e portanto, puderam passar à série seguinte com a condição de cursar as matérias pendentes.

Evasão

De acordo com os dados da Diretoria Regional de Ensino, o índice de alunos evadidos passou de 3,3%, em 1999, para 2,98%, em 2000, no ensino fundamental. Já no ensino médio, o percentual de casos de alunos evadidos em 1999 era de 5,7% e passou a 7,4%, em 2000. Vieira esclarece que o cálculo é baseado na quantidade de estudantes que faltaram mais de 50 dias.