08 de julho de 2026
Geral

Agudos sepulta o antigo cemitério

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

A construção de uma praça emblemática tem o sentido de um desagravo a familiares dos primeiros moradores de Agudos

Agudos - O que nos últimos anos vinha sendo motivo de críticas e sugerindo até certa falta de respeito, principalmente para com os primeiros habitantes de Agudos e seus familiares, está hoje, prestes a receber um desagravo. É que a Prefeitura Municipal está construindo uma praça emblemática no terreno que abrigou, no século passado, o primeiro cemitério da cidade.

Durante anos, esse antigo cemitério ficou abandonado e já houve casos em que ossos de pessoas ali sepultadas afloraram causando certa indignação, principalmente entre aquelas pessoas que costumam valorizar a história de uma cidade e seu povo.

Hoje, recuperar as ruínas da antiga construção seria uma missão praticamente impossível para Agudos. Por isso, pessoas como a historiadora Maria De Rosa, a diretora do Espaço Histórico, Maria Helena Cardia, os vereadores Samir Salmen, Edson Vergílio Zen e Maria Helena Catini Campagnucci, dentre outros abnegados, intensificaram esforços nos últimos meses, para tentar encontrar uma solução para o problema. Em fevereiro último, os três vereadores apresentaram ao presidente da Câmara, Nelson Ayub, uma indicação solicitando a delimitação da área do antigo cemitério e a construção de uma praça emblemática. Após a tramitação regimental, a indicação foi encaminhada ao prefeito José Carlos Octaviani, onde encontrou total apoio.

Se por um lado, a construção da praça traz um alento aos familiares das pessoas ali enterradas, por outro resolve um velho problema de moradores daquela região que terão, ao invés de um espaço cheio de mato e escuro à noite, uma praça clara à disposição para atividades saudáveis.

No século passado

O primeiro cemitério de Agudos foi fundado no final do século passado. Lá foram sepultados os primeiros habitantes da cidade e o local esteve, ao longo dos últimos anos, reduzido a uma quadra abandonada com os restos do último túmulo. Várias pessoas das famílias dos fundadores da cidade, entre outras personalidades do início da história de Agudos, foram enterradas ali. Entretanto, muitas ossadas podem ter se perdido. A área do antigo cemitério fica atrás de um posto de gasolina, na segunda entrada de Agudos, para quem chega na cidade pelo acesso da Duratex. Há moradores da cidade que nem sabem que esse cemitério existiu.

O cemitério funcionou por pouco tempo, de 1898 a 1907. Durante esse período, segundo estudos da professora Maria de Rosa, que escreveu um livro sobre os cem anos de Agudos, estão enterrados no primeiro cemitério de Agudos mais de mil pessoas. De acordo com a pesquisa da professora, foram registrados 969 óbitos no município durante o período em que funcionou o cemitério. Mas o número de pessoas enterradas pode ser maior que o dos registros porque, antes do funcionamento oficial do cemitério, supõe-se que algumas pessoas já estivessem enterradas lá.

Estudiosos contam que o cemitério começou ser abandonado por volta de 1960. Há aqueles que contam ainda que quando começou a surgir a vila do lado do cemitério, algumas pessoas começaram tirar tijolos do cemitério para a construção de casas. Depois foi aberta a estrada de acesso. Nessa época, o cemitério já estaria muito esquecido.

Em seu livro Agudos: Cem Anos de História, Maria De Rosa registra 67 sobrenomes de famílias pioneiras que tiveram seus descendentes enterrados no primeiro cemitério (veja box). Depois da extinção do primeiro cemitério de Agudos, em 1907, um novo cemitério foi construído na cidade.

Sobrenomes das famílias enterradas no 1.º cemitério

Andrade, Alves, Amaral, Auradell, Andriolo, Abrahão, Almeida Cardia, Araújo.

Baragatti, Barbiratto, Benjamin, Bonetti, Barbanti, Bressan, Benincasa, Barbieri, Bispo, Bérgamo.

Cardia, Camargo, Caselli, Carrera.

De Cora.

Fernandes, Furlani, Françoso, Fogagnolli, Ferrari, Faria.

Gandara, Guimarães, Gomes.

Idalgo.

Liguori, Lopes, Lisboa, Lanzoni.

Quadros

Ribeiro, Rodrigues, Rissi, Ravighieri, Rossi.

Marabesi, Monchelatto, Monteiro, Manzatto, Marangoni, Mattos.

Oliveira Rocha, Ortiz.

SantAnna, Spinelli, Sandri.

Pesci, Panzini, Prado, Pagani, Petelincar, Palmieri, Perozin, Pescinelli.

Ton, Tozzi.

Volpe, Veroneze, Venturini.