A Fiesp/Ciesp lamenta profundamente a solução adotada pelo governo para o reembolso do expurgo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), uma quantia ainda não definida com exatidão, mas estimada em torno dos R$ 40 bilhões.
Não é uma cifra trivial - ela supera o faturamento anual de cada setor da indústria do País, se tomado isoladamente, e ultrapassa de longe o valor da produção trimestral de todas as indústrias de São Paulo juntas.
Essa cifra representa um ônus adicional muito forte sobre os custos das empresas industriais brasileiras, que já suportam a pressão de impostos exorbitante e todas as dificuldades do custo Brasil. O governo sabe que esse ônus adicional tornará ainda mais difícil a participação competitiva dos produtos brasileiros nos mercados mundiais.
A Federação das Indústrias lamenta que o governo vire as costas ao bom-senso, recusando as várias soluções alternativas, mais inteligentes, que lhes foram propostas pelas confederações empresariais. Acostumados a lidar com a realidade da economia, os empresários sabem que aumentar custos trabalhistas só vai agravar o triste fenômeno da informalidade, que já engoliu quase metade da economia brasileira. Uma boa parcela da representação sindical dos trabalhadores tem uma percepção igual à nossa dessa realidade.
O governo perdeu uma grande oportunidade para provar o seu compromisso com um sistema econômico baseado no dinamismo e no encorajamento à livre empresa. Compromete, com a decisão de hoje, uma inserção vitoriosa do Brasil e especialmente de sua indústria na economia globalizada. Ficamos mais longe de ter condições competitivas para enfrentar a Alca.
Repetimos que ou o País cria, não no discurso, mas na prática, um compromisso com o emprego, e de boa qualidade, ou estará condenado ao círculo vicioso da má distribuição de renda, do baixo poder de compra, da iniqüidade social.
Adotada essa solução pelo governo, a Fiesp, e certamente todas as entidades representativas do empresariado, decidem levar a sua luta para o Congresso e para o Poder Judiciário, convencida de que está em jogo a própria sobrevivência da produção do País, especialmente a pequena e média indústria em mãos brasileira. (Horácio Lafer Piva, Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - Fiesp)